A autobiografia de Paulo Betti

Contar sobre memórias de infância e adolescência é uma tarefa complicada para um ator que, com 64 anos de idade, já viveu diversas experiências. Porém, inspirado em textos e fotografias encontrados em seus antigos cadernões, Paulo Betti conseguiu, por meio do monólogo “Autobiografia Autorizada”, transmitir as emoções dessa fase de sua vida ao público. A peça, além de mostrar aos espectadores diversos momentos da juventude de Paulo, também leva-os ao passado: o ator traz objetos que remetem a época que viva em Sorocaba, na década de 80, como o facão que a avó usava para matar porcos e os próprios cadernos com as anotações que inspiraram o espetáculo.

Paulo Betti apresentou o espetáculo “Autobiografia Autorizada” na noite de 01 de abril, no Teatro do Sesc de Passo Fundo, concluindo o segundo dia da VII Mostra Sesc de Teatro. Com o auditório lotado, logo após a apresentação, o ator conversou com a equipe do Nexjor sobre sua carreira profissional. Confira:

Paulo, que dica você dá para alguém que no futuro, deseja ser ator ou atriz?

Tomar nota, escrever, anotar as coisas para você não esquecer. Se você anota, você não esquece. Para mim foi assim, eu lembro de tudo que fui escrevendo. Sempre que aconteciam coisas eu escrevia. Houve uma época, quando eu era adolescente, que comecei a escrever muito, era uma coisa que eu adorava fazer. E a outra coisa é ler. Eu sei que hoje em dia existem outros atrativos, como o celular, Facebook, Instagram, Whatsapp, jogos de videogame, mas se você tiver um tempo dedicado a leitura, também é uma ótima atitude. Eu acho que gostar de ler vai distinguir as pessoas daqui para frente. Quem gostar de ler vai ter um diferencial. Então é isso, ler é fundamental. A última dica que dou é para frequentarem os grupos de teatro. Para fazer teatro, basta ter duas coisas em mente: decorar o texto e não esbarrar no cenário.

“Eu acho que gostar de ler vai distinguir as pessoas daqui para frente. Quem gostar de ler vai ter um diferencial.”

Quando que você começou a pensar em ser ator?

Acho que eu tinha uns quinze, dezesseis anos. Mas não pensava em ser ator e sim, em fazer teatro. Eu não tinha a menor ideia de Globo e essas coisas, nunca tinha pensado nisso. Eu fazia porque queria aparecer, junto dos meus amigos, achava gostoso e queria ganhar nota. A professora dava nota para quem decorasse as falas e poemas longos.

O que você mais gosta de fazer: teatro, cinema ou novela?

O que eu mais gosto de fazer, é o que estou fazendo agora. Subir aqui no palco, contar a história da minha família. O que me dá mais independência é o teatro. É mais gostoso, eu falo o que eu quero, ninguém escreveu, eu escrevi. Mas também gosto muito de fazer televisão, é uma delícia ir para o estúdio, gravar, eu me divirto muito. Já no cinema, acho que daqui para frente vou fazer mais filmes dos outros do que os meus. Porque honestamente, esse meu último filme deu um trabalho danado, pois o cinema é muito trabalhoso.

“Para lançar um filme no Brasil é muito difícil. Não temos salas para rodar o cinema brasileiro, os shoppings só querem os filmes americanos. Os filmes brasileiros rodados em nossos cinemas são os de comédia. Eles entram nessa cota e tiram o lugar de outros, como o meu. Se eu não trabalhar e divulgar a obra para dar esta motivação ao público, não vai rolar e eu quero muito que seja visto.”

A VII Mostra Sesc de Teatro acontece dos dias 31/03 até 09/04, em diversos locais da cidade de Passo Fundo. Para saber o lugar e a hora das atrações, basta entrar no site do evento.