A música dos palhaços mineiros em Passo Fundo

Palhaços e tambores no teatro. Uma mistura que arranca muitas risadas da plateia. Esta é a intenção do Grupo Trampulim, que desde 2008 apresenta em vários lugares do Brasil a peça “Manotas Musicais”. O espetáculo busca desconstruir junto ao público a ideia de que o palhaço é um personagem infantil e mostrar que pessoas de qualquer idade podem se divertir assistindo a apresentação.

O Grupo Trampulim tem 24 anos de história e surgiu em Minas Gerais. Os sete atores que estão no elenco atual vieram de escolas distintas: alguns de teatro, outros de circo, mas todos se conhecem e trabalham juntos há quinze anos. Foi na linguagem do palhaço, que eles encontraram o que realmente gostam de fazer:

“O palhaço foi onde encontramos nossa salvação. É como nos expressamos e a forma que encontramos para sobreviver. O palhaço é para toda a vida”.

Relembrando sobre a ideia de tema do espetáculo, Adriana Morales – que interpreta a palhaça Benedita Jacarandá, fala sobre como o grupo decidiu o eixo das apresentações:

“A gente começou a busca no ano de 2000. Desde então, estamos nos aprimorando. O palhaço fala muito de nossa essência, de nossa busca em nos conhecer. A gente acredita muito nisso, em rir das coisas boas e das mazelas”.

Adriana também fala da importância que o estudo sobre o tema tem em cima do palco. Nas aulas, eles aprendem que quando entram em cena, existem quatro princípios básicos: se apresentar, levar a plateia para aquele mundo, transformar o espectador de alguma forma e ainda têm o compromisso de levar a pessoa de volta para a realidade dela. Por preservarem esta essência do teatro, o grupo também costuma oferecer oficinas, para jovens atores que querem se especializar na área. Normalmente, são duas vezes por ano, uma em cada semestre, dependendo do local onde eles estão:

“Gostamos muito de ministrar oficinas, mas é muito difícil, pois precisamos de tempo e não temos uma rotina em nosso trabalho, para definir um local certo para isso”, comenta a atriz.

As turnês costumam durar meses e, segundo os atores, a cada espetáculo algo muda na apresentação: “O palhaço é muito vivo. A cada lugar que a gente vai levamos algo de novo. A interpretação depende muito da plateia, de nosso estado de espírito, estamos sempre trabalhando antes de ir para uma nova cidade, para saber o que manter e o que mudar”, explica Tiago Mafra, ator do elenco Tiago diz também que o incentivo a cultura no Brasil ainda precisa crescer muito: demorou cerca de quatro anos para que o espetáculo “Manotas Musicais” pudesse ganhar notoriedade e sair pelo Brasil fazendo turnê: “Em Minas Gerais temos uma lei estadual de incentivo a cultura, então conseguimos rodar bastante por lá. Antes do ano passado, quando entramos no palco giratório do Sesc, saímos de Minas pouquíssimas vezes. Apenas umas duas vezes em São Paulo”, lembra o ator, que comenta também que além desta peça, o grupo também trabalha com mais cinco espetáculos menores ao mesmo tempo.

Tiago e Adriana trabalham impulsionados pelo objetivo de desmistificar o palhaço como entretenimento exclusivo para crianças:

“Nunca fizemos um espetáculo voltado exclusivamente para o público infantil. O que gostamos de fazer são espetáculos para família, onde adultos e crianças possam rir e se divertir juntos”.

A peça “Manotas Musicais” foi apresentada em Passo Fundo na noite de 05/04, no Teatro do Sesc por meio da VII Mostra Sesc de Teatro. Fique por dentro das próximas apresentações através da página do grupo.