Democracia e Religião em debate na UPF

Uma das principais características da nossa sociedade atual são as diferenças culturais entre os países. Algumas vezes, tais diferenças são bem aceitas, mas também existem situações em que não são respeitadas. Uma das questões que está sempre em discussão é a religião, uma das principais causas de conflitos nos dias de hoje. Mas qual é o papel da religião em um determinado país? Até quando questões religiosas podem interferir no Estado?

Essa foi a principal pauta do III Simpósio de Filosofia e Direito, que aconteceu nos dias 09/05 e 10/05, na Faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo. O tema da vez foi “O papel da religião na sociedade democrática contemporânea”, debatido pelos conferencistas Noli Hahn e Delamar Volpato Dutra. “Esta discussão foi promovida pelo avanço do fundamentalismo no mundo e também para fazermos uma reflexão sobre a bancada religiosa no Senado”, diz o diretor do IFCH da UPF, Édison Casagranda, que mediou o debate.

Noli Hahn, professor de Teologia na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), foi o primeiro a iniciar sua fala no Simpósio. Com o subtema “O Estado laico e democrático, as religiões e a teologia profética hebraica”, o professor falou sobre a relação entre a religião e o Estado no Brasil: “Nenhuma religião pode invadir o Estado. Um dos exemplos que podemos levar em consideração é a origem da palavra profética: durante a idade média, significava uma crítica ao religioso apresentado na política monárquica. Hoje em dia podemos dizer que a palavra profética, por não se dogmatizar, vitaliza a democracia”.

Hahn também faz referências em sua fala ao Senado brasileiro, afirmando que nosso país, por ser um Estado Laico, não pode ter símbolos de apenas uma determinada religião ou crença atrás da bancada. “Não podemos deixar que o Estado seja coordenado por uma religião”, diz o professor.

A segunda parte da noite ficou por conta do professor de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Delamar José Volpato Dutra.  Discursando sobre o tema “Religião e Democracia”, o professor fez um breve histórico sobre a origem da democracia no mundo e como os países passaram a ser laicos perante a lei. Segundo o professor, a primeira solução encontrada pelos países na idade média foi a criação de uma religião civil. Como esta medida não funcionou, a segunda solução proposta foi de que cada um poderia ter a sua religião, mas o Estado tem uma fixa. Esta outra mudança também não agradou, visto que diferentes políticos tinham diferentes crenças. Foi então que surgiu a terceira medida: a criação de um estado laico, aceitando todas as religiões. Porém, Dutra não acha que esta medida funcione na prática, dando o exemplo da França, onde mulheres islâmicas foram proibidas de usar véu, sendo que na religião delas, o uso é obrigatório em público. Esta medida francesa, para o professor, feriu os direitos humanos: “Atualmente nós temos um conflito com a religião, estamos em uma guerra religiosa e as soluções tem várias problemáticas. Uma medida que podemos tomar é aceitar as coisas que não entram no âmbito da justiça e sermos neutros, esperando a solução do Estado para questões de justiça”, diz o professor.

Para saber mais sobre esta e outras edições do Simpósio de Filosofia e Direito da Universidade de Passo Fundo, basta acessar o site do evento.