Um debate além da pauta: a curadoria no jornalismo cultural

Acadêmicos e professores do curso de Jornalismo da Universidade de Passo Fundo acompanharam na manhã de segunda-feira, dia 08/05, uma palestra com Cláudia Laitano, jornalista do Zero Hora. Cláudia trabalha no ZH desde 1987 e é editora da área de cultura do jornal. Ela também é cronista e escreve semanalmente sua coluna.

Cláudia esteve na universidade por meio do projeto ZH na Faculdade, que leva a cursos de Jornalismo de todo o Rio Grande do Sul profissionais da Zero Hora para uma conversa sobre assuntos ligados à profissão, em comemoração ao aniversário do jornal. A jornalista também aproveitou a oportunidade para apresentar o projeto Primeira Pauta, onde estudantes de Jornalismo concorrem a uma semana de estudos dentro da redação do ZH. As inscrições para o projeto iniciam em junho.

A palestra, que teve como tema “A curadoria no jornalismo cultural”, levantou diversos debates entre professores, alunos e a jornalista. Durante sua fala, Cláudia destacou que, em sua opinião, o jornalismo cultural envolve paixão, empolgação e torcida – no sentido de realmente esperar que a publicação de acontecimentos seja algo produtivo e envolvente para o público, produtores e para a cultura local.

Em entrevista ao Nexjor, Cláudia Laitano falou que o jornalismo cultural é uma especialidade que possui outras especificidades, assim como outras áreas, mas que em alguns pontos, se difere do hard news: “Em essência, o modelo de apuração, cuidado e apuro da informação é o mesmo. O que ele tem é diferença de características entre as outras áreas, mas o jornalismo cultural também tem furo, também tem notícia obrigatória. Outra diferença é a frequência. Nna área de cultura é mais espaçado com outras características, com agenda cultural, com lançamentos de produtos culturais, com outras coisas além da notícia”, avalia.

O jornalismo cultural é uma área abrangente que aborda diferentes assuntos, como cinema, teatro, shows. E o assunto que a Cláudia mais gosta e mais consome é a literatura, área em que ela diz estar mais ligada, pessoalmente e profissionalmente. Entretanto, ela cita que é necessário conhecer um pouco sobre todos os assuntos: “Quando trabalhamos com a área cultural, precisamos consumir de tudo: precisamos ouvir música, precisamos ir ao teatro, precisamos ir a museus. Faz parte do gosto pessoal e da formação, é uma preocupação cultural global”, considera.

Cláudia falou sobre a curadoria no jornalismo cultural. Foto: Maria Eduarda Ely/NEXJOR

Cláudia também explicou como entende a referência à torcida que ela considera ser necessária no jornalismo cultural. Ela entende que o jornalista cultural deve estar sempre empolgado para que grandes movimentações sejam feitas: “O jornalismo cultural possui um esforço em ser abrangente e ser um player no circuito cultural, ajudar a cultura local a se desenvolver e ser um torcedor favorável para que grandes movimentos culturais locais aconteçam”, explica.

Durante o bate-papo com o Nexjor, ela também comentou como entende a relação do jornalismo praticado em redes sociais com o jornalismo literário. Para ela, conforme as redes sociais ganham espaço dentro da redação, os jornalistas se tornam curadores de informação. Cláudia fala que os jornalistas da área de cultura do ZH possuem suas redes sociais pessoais, onde compartilham seus interesses e seus gostos. Dentro da redação e com as páginas do jornal, o relacionamento é um pouco diferente, já que as páginas recebem comentários externos e devem estar abertas a todos os tipos de público. “A curadoria é a essência do jornalismo cultural”, diz a jornalista.