“Central – O poder das facções no maior presídio do Brasil” em debate

Em uma ação conjunta dos cursos de Jornalismo e Direito da UPF, os jornalistas Tatiana Sager e Renato Dornelles, diretores do documentário “Central – O poder das facções no maior presídio do Brasil”, estiveram no Centro de Eventos da UPF, no último dia 13, debatendo com professores e mostrando aos acadêmicos como a conivência do estado e a vigência do poder das Facções Criminosas ditam o dia a dia do maior presídio do RS.

 

 

 

 

 

 

“Depois desse documentário, costumo dizer que, o que é mostrado em “Central”, ainda não é o pior momento do sistema carcerário. Isso é só começo. Tudo o que aconteceu e o que continua acontecendo no Presídio Central, as rebeliões que aconteceram desde o início do ano pelo Brasil. E vai voltar a acontecer, porque é um sistema que está esquecido. É isso que a gente está tentando mostrar para as pessoas com o documentário”, disse a diretora Tatiana Sager durante o debate.

 

Construído na década de 1950, o local acumula desde então uma série de problemas. Atualmente o presídio abriga 4.549 apenados, sendo que sua capacidade é para 1.824. Consequência disso, o prédio é marcado por deficiências estruturais e tem o esgoto correndo a céu aberto. Faltam o mínimo de higiene e alimentação. Como consequência disso, apenados ditam as regras dentro das alas, aumentando a influência do verdadeiro poder de quem dita as regras lá dentro: O poder paralelo exercido pelas Facções.

Central volta a abordar a temática carcerária, recorrente no curta “O Poder Entre as Grades”, lançado em 2014 pela mesma diretora, e que foi baseado no livro “Falange Gaúcha”, publicado em 2008, de autoria do jornalista Renato Dornelles, que também é codiretor de “Central”. O livro aborda o crime organizado no RS e narra vários episódios de fugas, perseguições e motins.

“Depois de muita conversa com as autoridades e com os líderes das facções, conseguimos autorização para colocar as câmeras lá dentro. Eles gravaram por dois dias o dia a dia nas galerias”, conta Tatiana. “É um material fantástico, por que é onde ninguém consegue chegar. Só quem é preso sabe. São cenas que mostram como eles realmente comem, dormem, como convivem e sobrevivem”, descreve.

O jornalista Renato Dornelles está positivamente surpreso com a repercussão e com os elogios que o documentário vem recebendo:

“Vê-lo sendo exibido nos cinemas, nas universidades e nas próprias penitenciárias foi uma surpresa para mim. Isso vem potencializando a discussão sobre o sistema carcerário brasileiro, dividindo a responsabilidade desse debate entre as autoridades, especialistas e sociedade. Mais feliz pela participação do público universitário, que é o grupo que tem a possibilidade de ser vanguarda transformadora de realidade”.

 

A diretora está usando “Central” como material didático em um trabalho com os internos da Fundação de Atendimento Socio-Educativo (Fase), que vai originar um novo documentário em breve.