O novo mercado alternativo, segundo Marco Weisshaimer

“Só fica com uma única visão de um determinado fato quem quer, porque hoje há uma pluralidade de veículos”. É nisso que o Marco Weisshaimer, jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), acredita. Não é raro estar na rua e ouvir a seguinte frase: isso a mídia não mostra. A tão difamada grande mídia, aquela cujos veículos de comunicação todos sabem os nomes de cor, costuma causar certa revolta na população ao escolher noticiar a prisão de um criminoso conhecido à falta de água ou professores da educação infantil na periferia da cidade. Nos últimos anos, entretanto, tem se observado o contínuo crescimento de pequenas e médias empresas de comunicação que se dedicam a mostrar outro ângulo da sociedade.

Ultimamente vem ocorrendo uma transição de jornalistas que trabalham nas grandes mídias, para veículos de comunicação menores. Marco que trabalha no jornal Sul 21, na capital gaúcha diz que “há uma demanda represada na sociedade por olhares diferentes sobre os fatos. Até pouco tempo atrás, poucos veículos de mídia davam conta disso”.

O chamado jornalismo alternativo costuma ser a prática jornalística dedicada a cobrir fatos e informações, ignorados ou desprezados pela mídia tradicional, ou ainda, expor a realidade por um ângulo mais humanitário. Esse tipo de jornalismo dificilmente estará na tela da sua televisão, é muito mais fácil encontra-lo no Facebook, por exemplo. Desde o surgimento das redes sociais e do avanço da internet abriu-se um novo campo para o jornalismo. É o meio mais fácil de ter um acesso direto com o público, no último estudo do IBGE em 2014 mais de 50% dos brasileiros já tinham acesso à internet e desse percentual, 80,4 % deles utilizavam o celular para acessar a rede. Por isso, não é de se surpreender que se consuma notícias via celular.

 

A internet ainda é um ramo consideravelmente novo, consequentemente ainda não há regras completamente definidas. Os consumidores parecem estar mais abertos ao novo modelo e Weisshaimer usa o Sul 21 como exemplo o Sul 21, durante os seis anos desde a sua fundação diz que “o feedback positivo está nas redes sociais, no Facebook, no Twitter e no  Instagram, o número de visualizações só cresce”. Porém, admitem ter um pouco de dificuldade, “tudo isso ainda é muito novo, estamos aprendendo com nossos erros e hoje posso dizer que nos tornamos um exemplo em Porto Alegre e, em todo o estado”.

“há uma demanda represada na sociedade por olhares diferentes sobre os fatos.
Até pouco tempo atrás, poucos veículos de mídia davam conta disso”

No final, até a grande mídia é obrigada a abrir espaço na sua programação. Ainda que não ocupe mais do que 5% da sua programação total, há uma mudança. Marco explica que essa transição ocorre: “Basicamente, por duas razões a primeira é a grande transformação que aconteceu depois do aumento das redes sociais e outras plataformas digitais de produção e de transmissão de informação; em segundo lugar o surgimento desses novos veículos.” Hoje existe uma demanda maior por esse tipo de informação e, consequentemente, um número maior de produtores. A oferta da demanda e da procura. “Os grandes grupos de mídias são obrigados a ampliar sua produção, caso contrário, eles começam a perder leitores para outros veículos que cobrem os fatos que eles não cobrem.” O jornalista frisa que tal fato já vem ocorrendo nos últimos tempos, mas que a mudança “é uma coisa positiva, que contribui para a democratização em médio prazo de todo o sistema de mídia no Brasil”.

Os novos meios sociais é um mercado que parece não ter limitações. Antigamente para ter acesso a notícia era preciso comprar um jornal ou ficar na frente da televisão, ou mesmo do rádio e, isso já está ficando para trás. Na mão de metade dos brasileiros está um aparelho celular e com poucos toques as informações estão disponíveis. O  difícil agora é acompanhar o ritmo das mudanças e estabelecer padrões, afinal agora não existe apenas um ponto de vista.