“A Universidade tem papel fundamental no combate ao racismo”

Na última sexta-feira (20), a UPF realizou a palestra “Debates contemporâneos sobre raça, racismo e correção das desigualdades raciais”. O evento foi promovido pelo projeto de extensão “UPF e Movimentos Sociais: desafio das Relações Étnico-raciais” e o curso de Especialização em Ciências Sociais e teve como convidado o professor Dr. José Carlos dos Anjos.

Durante o debate, que lotou o auditório do Centro de Eventos, Anjos promoveu a reflexão sobre a forma como racismo se apresenta hoje e sobre a importância de se falar sobre raça. Os discursos de ódio estão rearticulados e são encontrados nas redes sociais com muita frequência, porém, como ressalta o professor, “quase nunca se fala de raça e de racismo, a não ser quando explode na forma de ódio contra qualquer dimensão em que a questão racial esteja sendo colocada em jogo”.

Para ele, há ainda outra dimensão perigosa do discurso: quando ele se traveste de uma dimensão igualitária. “Se trata de um processo, em que se tornam invisíveis as dimensões históricas do processo de construção estrutural de desigualdade e propõe-se que pessoas em situação desigual sejam tratadas de forma igual, promovendo, assim, a manutenção da desigualdade”, comenta Anjos.

Olhando para o contexto histórico e social, tanto do mundo quanto do Brasil, evidencia-se que a sociedade tem medo de falar sobre raça. A justificativa se encontra no processo pós 2ª Guerra Mundial, “que produziu, de uma forma geral, um sentido sobre raça extremamente negativo”, ressalta o professor. No Brasil, houve ainda a utopia do “branqueamento” completo da nação e após a inviabilidade da ideia se “reconstruiu a ideia de nação a partir da mestiçagem, como possibilidade de diluição de raças”, afirma Anjos. A ideologia acabou reforçando um senso geral de que era necessário parar de falar sobre raça e então “a sociedade brasileira passou para um cotidiano racista sem precisar se apresentar como uma sociedade racista”. Como, então, romper com os estereótipos de raça e combater o racismo em uma sociedade que torna os temas um tabu?

Diante de tudo isso, a universidade tem um papel fundamental no combate ao racismo, porque, como salienta o professor, “são lugar de formação das gerações de futuras lideranças, nas diferentes áreas”. É preciso ter lideranças antirracistas para que se possa combater o racismo.