Marcelo Canellas e sua origem interiorana

Marcelo Canellas é jornalista e escritor e participou da 31ª Feira do Livro de Passo Fundo, com um bate-papo sobre seu livro “Províncias – Crônicas de uma alma interiorana”

Transmitir sentimentos através de palavras é uma tarefa complicada, mas que Marcelo Canellas desempenha com louvor. Seja na televisão ou em crônicas, seus textos aprofundam assuntos de extrema relevância social de uma forma que cada leitor e espectador se sinta tocado pelo assunto. Desde a fome no Brasil até acontecimentos marcantes para nosso país, como o caso da Boate Kiss, Canellas impressiona pela sensibilidade com as palavras e o jeito como trata os assuntos.

Marcelo Canellas tem trinta anos de história no jornalismo e, utilizando-se de toda a experiência adquirida com o tempo, escreveu o livro “Províncias – Crônicas de uma alma interiorana”, mostrando em crônicas o lado lúdico de situações cotidianas. Mas se Canellas utiliza momentos corriqueiros em suas crônicas, no jornalismo a sua definição de pautas é feita a partir do impacto que o assunto pode trazer para a sociedade. O escritor/jornalista ainda ressalta que “tudo aquilo que flagre e demonstre injustiça deve ser objeto de interesse de um jornalista”.

Com tantos anos de profissão, Canellas teve a oportunidade de contar diversas histórias e vivenciar inúmeros momentos. Foram causos impactantes que, de alguma forma, tiveram uma participação fundamental na construção da sua carreira. Porém, se ele tivesse que escolher três reportagens que mais marcaram sua vida de jornalista, estas seriam a série sobre a Fome, que foi ao ar no Jornal Nacional em 2001, uma série chamada “Terra do Meio, Brasil Invisível”, que falava sobre os conflitos dos refugiados no Pará e uma reportagem sobre o Egito, para o Globo Repórter em 1999.

A convergência de mídia com que o jornalista trabalha faz com que as características principais de cada meio se tornem o “guia” para a construção da reportagem:

“Na televisão temos que levar em conta os sons, silêncio, imagens, participações dos entrevistados e dos repórteres. Escrever sem imagens, como nas crônicas, é a vazão da subjetividade total. Essa é a vantagem do cronista diante do jornalista: você pode dar asas a sua subjetividade até o limite do infinito”.

Para os acadêmicos do curso de jornalismo, que estão se inserindo no mercado de trabalho, Canellas dá uma dica preciosa: “Qualquer jornalista que esteja começando a carreira tem que deixar se surpreender pela vida. Não ir pra rua com a pauta pronta na cabeça, com uma ideia pré-concebida, com uma tese a priores. A vida pode ser maravilhosamente surpreendente e a gente tem que deixar se surpreender por ela”.