Marielle, presente! Em Passo Fundo também

Frase que marca as homenagens a vereadora assassinada, Marielle Franco, ecou na UPF

Uma morte causa dor, revolta e muitas vezes o sentimento de impotência. Não, não podemos fazer nada para reverter, nossas mãos não têm este alcance. Uma vez que interrompida a batida do coração, a vida termina. Mas se uma morte no “tempo certo” já nos abala, o que podemos dizer quando a vida é ceifada prematuramente e de forma injusta?

Marielle Franco tinha 38 anos, e muito a fazer pelas lutas nas quais estava engajada, no momento em que foi morta. O assassinato aconteceu na última quarta-feira (14), quando também foi morto Anderson Pedro Mathias Gomes, motorista do veículo. A vereadora (PSOL) do Rio de Janeiro, foi eleita em 2016, com mais de 46 mil votos, sendo assim a quinta mais votada. Socióloga e mestre em Administração Pública, Marielle iniciou sua militância em direitos humanos após ingressar no pré-vestibular comunitário e perder uma amiga, vítima de bala perdida, em um tiroteio entre policias e traficantes no Complexo da Maré. No mês passado tinha sido nomeada relatora da comissão que acompanha a intervenção federal na segurança pública do Rio.

A morte da vereadora repercutiu em âmbito nacional e até internacional, causando indignação naqueles que compreenderam o que a morte dela significa. Para eles Marielle era voz de quem é obrigado a se calar, esperança num mundo regrado a conservadorismos e preconceitos, era luta constante por um mundo melhor e mais humano. Estas são as palavras presentes em inúmeros depoimentos que ouvimos nos canais de rádio e televisão do país, e mesmo nas redes sociais digitais.

Diante de tudo isso diversos atos e manifestações foram organizados em homenagem a ela, para que mesmo após sua morte, Marielle continuasse presente.Em Passo Fundo, um ato, organizado pelo coletivo feminista Maria Vem com as Outras, pelo Movimento Olga Benário e pela juventude do PSOL, aconteceu na Universidade de Passo Fundo. Muitos estudantes se reuniram para honrar Marielle e expor opiniões, vontades e encorajamentos. Bibiana da Rosa, residente de Medicina Veterinária e presidente do DCE abriu a noite incentivando a todos para que expressassem suas opiniões Aquele era o momento de fala, onde todos podiam ser ouvidos. A estudante ressaltou a importância das mulheres acreditarem na própria força e afirmou que “a revolução vai ter cara de mulher”. Para a estudante de Artes Visuais e integrante do movimento estudantil Correnteza, Mariá Teixeira, a presença de tantos estudantes representa uma revolta: “Todo mundo sabe o que aconteceu. As pessoas não querem mais ser caladas e é por isso que estão aqui”.

Marielle era voz das periferias e da população mais pobre. “Essa mesma população é assassinada e encarcerada em massa. Perdemos uma das principais representantes”, lamenta o professor de português e militante do Cpers, Guido Lucero.

“Para quê tantos tiros, se após o primeiro ela não ouviu mais nada?”

A crueldade e covardia do acontecimento também marcam as manifestações . Emocionada e impaciente uma das estudantes bradou: “Para quê tantos tiros, se após o primeiro ela não ouviu mais nada?”. Tentaram silenciar Marielle.

“Nos calar é justamente o que os responsáveis por um ato tão cruel querem. Criar um ato desses incomoda muito e é isso que a gente querer, queremos mostrar que a voz da juventude não se calará perante ato tão bárbaro”, afirma o estudante de Música, Bruno Manoel Barbosa.

As investigações sobre o caso estão em andamento e enquanto não terminarem os atos vão continuar a mobilizar a população para que Marielle continue presente e todos sejam a sua voz.