A trajetória de Alberto Dines

O jornalista e escritor Alberto Dines faleceu na manhã do dia 22 de maio, aos 86 anos de idade, em São Paulo

“É com profunda tristeza que a equipe do Observatório da Imprensa comunica o falecimento de seu fundador, Alberto Dines na manhã de hoje no hospital Albert Einstein, em São Paulo”. Foi com este recado, publicado na página do Facebook do Observatório da Imprensa, que as redações do Brasil e do mundo se despediram do jornalista e escritor Alberto Dines na manhã do dia 22 de maio.

Alberto Dines nasceu em 1932 e iniciou sua carreira como jornalista com 20 anos, quando começou a trabalhar na revista “Cena Muda”. De lá pra cá, foram 60 anos de história na carreira jornalística. Dines passou por vários veículos de comunicação e, em todos eles, deixou a sua marca. No Jornal do Brasil, por exemplo, Dines sempre vai ser lembrado por sistematizar as modificações que levaram a publicação a ocupar outra posição na imprensa brasileira.

Com o tempo, as pesquisas que Dines fazia na área da comunicação conquistaram um espaço muito importante na vida profissional do jornalista: a de professor. Em 1963, começou a dar aulas de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Durante o tempo como mestre, Dines criou duas disciplinas, a de Jornalismo Comparado e a de Teoria da Imprensa. A vida de professor em sala de aula não parou no Brasil: o jornalista também lecionou na Universidade de Columbia, em Nova York.

Dines voltou para o Brasil apenas em 1994. O jornalista acompanhou os avanços tecnológicos e fundou o Observatório da Imprensa, focado na crítica da mídia e que tem presença na internet desde 1996.

Uma das principais marcas do legado de Dines foi a capa do Jornal do Brasil de 13 de dezembro de 1968, durante a época da promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5). O jornalista utilizou termos da previsão do tempo para narrar o momento político que o país passava. Expressões como “tempo negro, temperatura sufocante e ar irrespirável” foram colocadas na capa do jornal, quebrando a censura.

Dines sempre foi apaixonado pelo jornalismo. Em 2012, ao ser entrevistado no programa “Roda Viva”, contou que o seu sonho era ter um jornal próprio: “Eu acho que a periodicidade diária é empolgante”. Esse amor pelos fatos e por contar histórias sempre foi visível em seus textos. Ao longo de seus 86 anos, Dines  escreveu 15 livros e ganhou vários prêmios. Entre eles, o Prêmio Maria Moors Cabot de Jornalismo, em 2007, o prêmio Jabuti na categoria Estudos Literários, em 1993, o Austrian Holocaust Memorial Award, em 2017, o Austian Golden Decoration for Science and Art, em 2009 e em 2010, a Ordem do Mérito das Comunicações, no grau Grã-Cruz.

Alberto Dines foi um jornalista brilhante, que conquistou não apenas pessoas ligadas a área da comunicação, mas também leitores do Brasil e do mundo. Ele também mostrou que a análise da imprensa é tão importante quanto a criação do conteúdo, a partir do Observatório da Imprensa, que permitia, por meio de fóruns, debates sobre o jornalismo brasileiro. Seu legado é forte e, com certeza, continuará a conquistar mais pessoas ao longo dos anos.