O Brasil romanceado: Iracema, um livro sobre origens

Iracema é a representação da formação do Brasil e uma das principais obras de José de Alencar

(Imagem: Divulgação)

Um romance sobre o Brasil. Sobre nossa história, nosso povo, nossa colonização. Este é Iracema, obra de um dos mais importantes romancistas brasileiros, expoente do Romance Indianista, José de Alencar. O livro, de 1865, narra a história da índia virgem, Iracema, que encontra-se com Martim, português guerreiro que apaixona-se por ela.

Iracema se passa na terra onde encontra-se hoje o estado onde nasceu o autor, o Ceará. A obra é um retrato romântico dos Tabajaras e da colonização. A cultura indígena está presente na obra desde o início, já que palavras indígenas, com seu significado, permeiam toda a história, assim como os costumes da tribo. Talvez o significado das palavras, que formam grandes notas de rodapés, sejam o aspecto mais difícil para o leitor moderno, por tornarem a leitura truncada, mas não deixam de ser essenciais.

No entanto, se este é o contexto da obra, sua importância esta na metáfora que apresenta. “Que bom se o leitor do século XXI conseguisse ler este importante romance, tão definidor de uma época e de uma estética, como uma sequência de grandes metáforas fundadoras de nossa cultura.”, declara a Professora Nara Rupert. A colonização, não tão pacífica, é o que representa o livro. “A metáfora do processo de conquista, encantamento e sedução, que os portugueses procedem sobre a doçura e ingenuidade do povo que aqui vivia.”, explica a Drª Rubert.

“A grandeza que a obra Iracema consegue assumir é a de um romance de origem”

Para concluir, a Professora destaca a principal característica da obra, “a grandeza que a obra Iracema consegue assumir é a de um romance de origem”. A Professora também relembra o seu simbolismo: “José de Alencar não viveu para saber que seu romance Iracema é a mais pura representação deste Brasil que mais tarde Mario de Andrade vai chamar de ‘arlequinal’”.