SAÚDE: UMA CONTRADIÇÃO BRASILEIRA

Algum dia você precisou de uma consulta pelo Sistema Único de Saúde – SUS e não conseguiu, ou precisou ficar em uma fila de espera? Pois saiba que isto acontece com frequência e nas mais diversas cidades da região. Odila Bini Cheche, 63, por exemplo, mora em Ipiranga do Sul e esperou por uma prótese para um de seus joelhos durante 4 anos, e depois, mais 2 anos e meio para realizar uma cirurgia no outro.

Além disto, Odila passou por perdas por conta de tanta espera. Seu marido faleceu enquanto esperava por uma cirurgia para a retirada de um câncer de próstata. Entretanto, o que a o deixou incrédula, foi que, após uma semana de seu falecimento recebeu uma ligação do SUS dizendo que seu marido era o próximo para a realização da tão esperada cirurgia, porém, era tarde demais.

Luiza Oliveira, 30, moradora de Gravataí, também passou por algo parecido. Esperou por 6 meses uma ecografia de sua gravidez. Porém, quando foi chamada para fazê-la, tinha perdido seu filho há 5 meses.

Passo Fundo não escapa destas histórias. Camila Soares, 29, precisou ser transferida de sua cidade para cá, pois, foi considerada gestante de alto risco. A jovem conta que além da longa espera, sofreu preconceito por parte da médica que a atendeu, isto por conta de seu peso. “Na minha primeira consulta, quando entrei na sala, a médica olhou para mim e disse: E este peso? Não vou nem comentar. Foi humilhante”, relembra.

Camila também conta que suas consultas eram agendadas, no Hospital da Cidade, em Passo Fundo, mas que no dia os pacientes eram atendidos por ordem de chegada e dependendo do movimento a espera era de 2 a 3 horas. O que me deixou mais chateada foi a forma como as pessoas eram atendidas. Acredito que a sensibilidade deve existir, pois as pessoas que estavam naquele corredor já não tinham condições para pagar um atendimento particular. Penso que, pela estrutura do hospital haveria sim possibilidade de organizar melhor os pacientes. Diversas vezes fiquei de pé, assim como outras gestantes, e quem já passou por isto sabe como é desconfortável”, enfatiza Camila.

 

Segundo a Coordenadora Geral da Secretaria da Saúde do município, Caroline Gosc, são 105 médicos que estão atendendo na rede pública. Passo Fundo conta, atualmente, com 05 Centro de Atenção Integral à Saúde – CAIS e 03 hospitais, localizados em diversos bairros, como mostra o mapa a seguir:

A atual Secretária de Saúde do Município, Carla Beatrice Gonçalves, explica que saúde vai muito além da ausência de doenças. Segundo ela “a saúde é o bem-estar físico, mental e espiritual. São questões sociais, então o conceito de saúde é algo muito amplo, porque diferentes determinantes vão influenciar na pessoa de ter saúde ou não. A pessoa tendo acesso ao lazer, à arte, à condições adequadas de moradias, educação, é saúde. A saúde não é um objetivo de vida ela é importante para nossa vida. Então estes diversos determinantes é que vão influenciar nesta mudança”, destaca.

O QUE É O SUS?

Todo mundo, algum dia, já ouviu falar em Sistema Único de Saúde, o famoso SUS, mas muitos têm dúvidas com relação ao seu funcionamento, atendimento em outras cidade e cadastramento. É isto que tentaremos deixar claro nesta reportagem especial sobre o SUS na cidade de Passo Fundo.

Um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo (SUS), está completando 30 anos este ano. Após a Constituição Federal de 1988, iniciou-se o Sistema Único de Saúde, este sistema é nacional e abrange desde o mais simples atendimento ambulatorial, até transplante de órgãos. Segundo o Secretário de Saúde de Passo Fundo, entre janeiro de 2013 e outubro de 2017, Luiz Artur Rosa Filho, 207 milhões de brasileiros são cobertos pelo plano.

Segundo o artigo 4º da Lei Orgânica da Saúde 080, de 1990, o SUS é constituído pelo “conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público”.

 

O CARTÃO

O Cartão Nacional de Saúde é um documento do paciente, que contém um número nacional de identificação, tudo isto para que ele possa ser melhor atendido e monitorado. Com ele você pode “gravar” o histórico das consultas realizadas, procedimentos e cuidados administrados e também o profissional que cuidou do caso.

Este cartão auxilia na comunicação entre os diversos pontos de saúde pública do país. Além disto ele facilita o agendamento de horários para consultas, exames e permite acesso gratuito a medicamentos. O cartão pode ser adquirido gratuitamente por qualquer cidadão, segundo o ex – Secretário de Saúde, Rosa Filho, para conseguir tal benefício a única exigência feita é que a pessoa seja brasileira.

SUS EM PASSO FUNDO

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em 2017, a cidade de Passo Fundo tem uma população estimada de 198.799 pessoas. Até aí tudo bem, mas segundo o Rosa Filhosão 260 mil cartões SUS emitidos como sendo de passo-fundenses, ou seja, mais de 60 mil cartões a mais do que a população atual.

Segundo Rosa Filho muitas pessoas se passam por moradores de Passo Fundo pelo fato de a cidade ter uma tecnologia muito melhor do que qualquer cidade da região, podendo ser comparada apenas com a capital, Porto Alegre. As pessoas acreditam, se há uma melhor tecnologia, há também uma chance maior de eu ser bem tratado, mas não é bem por aí o caminho.

Uma questão muito frequente feita pelos usuários do cartão é a seguinte: “se o cartão é válido em todo o território nacional, por que motivo preciso transferi-lo para Passo Fundo quando sou atendido aqui?”. Antes de tudo é de suma importância relatar que a verba repassada para a saúde pública é calculada devido ao número de habitantes da cidade. Apenas com esta informação podemos perceber o grave problema de se ter 60 mil cartões a mais. Por este motivo, é preciso transferir o cartão, assim, você legalmente é um passofundense e o município receberá para te tratar. Caso você não faça esta transferência, a cidade onde você é atendido consequentemente terá falta de verba, enquanto a cidade onde você está cadastrado excedente.

Com relação às consultas realizadas pelo SUS, Rosa Filho explica para para algumas especialidades, como otorrino, são oferecidas pelo Estado, mas tem restrições quanto ao número de atendimento. Em Passo Fundo, neste caso, por exemplo, o excesso de demanda é suprido pelo município, que tem hoje 3 profissionais na área. Entretanto, isso não acontece com todas as especialidades. Neurologia e oftalmologia são dois exemplos que comportam uma grande fila de espera, pelo fato de as consultas oferecidas pelo Estado não serem suficiente.

Quando o assunto é cirurgia o papo não muda muito, é completamente normal você aguardar por 2 anos em uma fila sem ser chamado. Especialidades como a neuro e ortopedia são dois exemplos que retratam esta realidade, caso você ou algum familiar necessitem de cirurgia de emergência é passado à frente, mas apenas se for emergencial. Rosa Filho relata que “em 2013 foi feito um estudo, na época o Estado nos oferecia 180 consultas ortopédicas, e se não me engano nós tínhamos uma demanda de 400 consultas por mês, então sempre tinham aqueles 220 que iam ficando ali sem resolver”.

Mas afinal, quanto é repassado para Passo Fundo em saúde pública? Rosa Filho conta que ao todo são repassados anualmente 80 milhões de reais para atender a toda a demanda do município. Destes 55 milhões são municipais, 15 federais e 10 milhões de recursos estaduais. Rosa Filho ressalta que este é basicamente o valor que será gasto neste ano.

 

ESPECIALIDADES OFERECIDAS

Quer saber quais especialidades cada hospital do município de Passo Fundo te oferecem pelo SUS? Basta clicar em cima do nome do hospital.

Hosp. da CidadeHosp. MunicipalHosp. São Vicente de Paulo
– alergia e imunologia, angiologia, cardiologia, cirurgia de cabeça e pescoço, Cirurgia Digestiva, Cirurgia Geral, Cirurgia Oncológica, Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Torácica, Cirurgia Vascular, Clínica Médica, Coloproctologia, Endocrinologia, Fisiatria, Fisiologia, Gastroenterologia, Gastropediatria, Geriatria, Ginecologia, Hematologia, Hemoterapia, Infectologia, Intensivismo, Mastologia, Nefrologia, Oncologia, Ortopedia e Traumatologia, Patologia, Pediatria, Pneumologia, Proctologia, Psiquiatria, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Reumatologia e Urologia.
– clínico geral, psiquiatria, ambulatório da dor, pneumologista e pediatria.
– Pediatria, pré-natal de alto risco, neurologia-pediátrica, dermatologia-pediátrica, oncologia, buco-maxilo fácil, cirurgia buco-maxilo, neurocirurgia, cardiologia, cirurgia de cabeça e pescoço, cirurgia geral, cirurgia pediátrica, cirurgia vascular, gastroenterologia, oftalmologia, proctologia, reumatologia, urologia, ortopedia-pediátrica, ginecologia – endocrinologia, cirurgia oncológica, cirurgia torácica, mastologia oncológica, oncologia clínica, ortopedia-fixador externo, ortopedia-oncológica, ginecologia-infertilidade, oncologia clínica e quimioterapia, ginecologia-mastologia, clínico geral, gastroenterologia – doenças do fígado, mastologia oncológica, radioterapia, dermatologia – CA pele, gastroenterologia – hepatite viral, proctologia, reumatologia, urologia, urologia, ortopedia-pediátrica, otorrinolaringologia, neurocirurgia endovascular, nefrologia, oftalmologia, taumato ortopedia, gastroenterologia, neurologia, neurologia – vacular, neurologia funcional, ginecologia, oncologia – infanto adolescente, geriatria.

           

O mesmo você pode fazer com relação aos Cais da cidade:

Cais BoqueirãoCais HípicaCais PetrópolisCais Vila LuizaCais São Cristóvão
cardiologia, clínico geral, pediatria, dentista e obstetrícia
pediatria, endocrinologia, cardiologia, ginecologia.
fonoaudiólogia, ginecologia, pediatria, clínico geral, gastroenterologia, obstetrícia e dentista.
clínico geral, pediatria, ginecologia, otorrinolaringologia e fonoaudiologia.
urologia, gastrenterologia, ginecologia (clínica e obstetrícia), dentista (clínico e periodontia), fonoaudiologia, fisioterapeuta, pediatria e espirometria