O mundo de Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas”

“O livro é uma das grandes obras de arte nacionais. As trilhas que podemos seguir em sua leitura são aquelas do sertão, mas também do mundo a fora” – Drª Nara Marley Alessio Rubert

“Grande sertão: veredas”, talvez seja o clássico brasileiro mais assustador para jovens vestibulandos. As 600 páginas, divididas em 2 partes, sem divisão em capítulos, já são capazes de assustar os leitores. A cronologia não-linear e os neologismos (palavras inventadas pelo autor) podem ser ainda mais complicados. No entanto, aí reside a originalidade e a beleza da obra, segundo a Profª  Drª Nara Marley Alessio Rubert.

O escritor, diplomata e médico brasileiro, João Guimarães Rosa

Sobre essas características do livro, ela ressalta “a linguagem insólita, tanto nos neologismos, quanto nas inovações de construções inusitadas; a voz do narrador-protagonista dirigindo-se a um interlocutor, que poderia ser cada um que lê a obra; a escrita em bloco único sem nenhuma divisão, nas mais de seiscentas páginas; a reflexão sobre a existência do diabo; e enfim o amor que o jagunço Riobaldo achava que sentia por outro jagunço do bando.”

“Grande sertão: veredas” trata-se das divagações e lembranças do fazendeiro e ex-jagunço, Riobaldo. Segundo a Professora, “o leitor transita de sua infância até o momento em que deixa o mundo dos jagunços”.  Nara resume a trajetória do protagonista da seguinte maneira: “o menino órfão (era o que sua mãe dizia) e o desejo de descobrir o mundo; o professor que ensinava as letras aos mineiros rústicos; o jagunço que vê uma amizade se tornar amor; o líder do bando que tem a missão de vingar a morte de Joca Ramiro; o pacto com o demônio e a vingança; a batalha final e a revelação; a morte e a vida de fazendeiro; e enfim o contador das suas andanças para o interlocultor-doutor”.

“O senhor tolere, isso é sertão” – João Guimarães Rosa.

A professora explica que “João Guimarães Rosa ficava até dez anos aprimorando uma obra, em estudos e revisões permanentes”, provavelmente por isso criou uma obra que se tornou clássico e que não trata apenas do Sertão onde se passa, mas do mundo. “Na primeira página da obra João Guimarães Rosa diz, na voz do narrador protagonista Riobaldo: “O senhor tolere, isso é sertão”, e a crítica é unânime em afirmar que o sertão é o mundo”, afirma a Nara Rubert.