A vida e a mente de retirantes em Vidas Secas

O livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos pertence à segunda fase do Modernismo, o regionalismo. O autor alagoano retrata o sofrimento dos nordestinos, apresentando, segundo a Profª de Literatura do Integrado UPF, Draª Nara Marley Alessio Rubert,uma cuidadosa dosagem entre a agudeza social e o psicologismo”.

“Vidas Secas” é dividido em treze partes independentes que retratam a vida de uma família de retirantes. Fabiano, um vaqueiro bruto que não sabe lidar bem com palavras, sua esperta e sonhadora esposa, Sinhá Vitória, os dois filhos do casal e a cadela companheira, Baleia. A família se muda conforme a seca os alcança e “viviam calados, raramente soltavam palavras curtas” (“Mudança”- cap 1”), como cita a Professora Nara.

Reprodução | Site Oficial do Escritor Graciliano Ramos

Antes de publicar o livro, Graciliano Ramos ficou preso por dez meses e dez dias. “Há de se considerar que o período da escrita de “Vidas Secas” carrega as misérias inimagináveis do cárcere, onde se buscou a falência da sua função pensante, já que sua prisão foi de motivação política, durante a ditadura Vargas”, explica a Professora.

Outro traço marcante do autor, presente na obra, é o fato de se tratar de “um grande mestre da escrita, admirado por quem gosta de literatura e também por leitores que simplesmente gostam de desfrutar a beleza da escrita”, como afirma Nara Rubert. Segundo a professora, “Graciliano passeou entre o jornalismo, política e literatura. Todos os três fazem o uso artístico da palavra, e, dessa matéria prima, ele fez uma das obras mais célebres da literatura Brasileira”. Toda sua habilidade é utilizada para criticar os problemas sociais e políticos da época, através dos problemas da família e de um soldado.

“Nenhuma análise é capaz de dar conta nem de dez por cento da beleza do desfrute desta leitura”

Segundo Rubert, “nenhuma análise é capaz de dar conta nem de dez por cento da beleza do desfrute desta leitura” e “talvez tanta agudeza da escrita, precisão na escolha vocabular, e muita economia para não extravasar em sentimentalismo, possam ser resultado de um temperamento. É sua filha Clara Ramos que qualifica o pai como “um tipo psicológico racional introvertido”.