Laços de Família: a solidão por Clarice Lispector

Clarice Lispector, uma das principais autoras da Geração de 45

Clarice Lispector, uma das mais conhecidas autoras brasileiras, destaca-se pela profundidade sentimental de suas obras. Em Laços de Família, publicado em 1960, os contos se diferem, mas segundo a profª de Literatura, Nara Marley Rubert, a marca da solidão os agrega em uma única temática. Além da solidão, os problemas familiares e a epifania que tiram seus personagens comuns da banalidade da vida são pontos comuns às histórias.

O livro pertence a 3ª Geração do Modernismo, também conhecido como Geração de 45, estilo no qual o monólogo interior, a sondagem psicológica e o fluxo de consciência são características proeminentes. “Tanto a prosa quanto a poesia foram exploradas nesse período, no entanto, de maneira mais intimista, regionalista e urbana”, descreve Daniela Diana, Professora de Literatura.

“Este livro possui treze contos que revelam personagens – a maioria mulheres, vivendo uma aparente felicidade”, explica a professora Rubert . Nos contos, encontramos outros temas na obra, como “a frustação, a artificialidade das relações e novos conceitos da relação de maternidade”. “Amor” é, de acordo com Rubert, o mais dissecado dos contos e “merece espaço especial pela densidade e complexas possibilidades”. O conto trata de Ana, uma excelente dona de casa que certo dia, ao observar um cego mascando chiclete, percebe que estava cega para a vida. O conto levanta a questão do papel da mulher naquela sociedade e a impossibilidade de ver o mundo, imposta pela rotina.

“Havia nela um afastamento. Acho que a conversa que mantinha consigo mesma era intensa demais” – Gotlib

“Esta obra é uma indicação de leitura permanente, como aqueles clássicos que a cada leitura, novas possibilidades se descortinam”, afirma Rubert sobre uma das obras mais requisitadas nos vestibulares do país. Sobre a autora, Gotlib, citada por Rubert, diz que “havia nela um afastamento. Acho que a conversa que mantinha consigo mesma era intensa demais”, talvez isso explique a intensidade e sentimentalismo de sua obra.