Um ‘até logo’

O  XIV Festival Internacional de Folclore se despediu de Passo Fundo nesse sábado (25) e vai deixar saudades. Os ritmos de diversos países agitaram o Casarão da Cultura e os mais diversos endereços da cidade. As ruas, que também foram palco dos artistas, não amanheceram as mesmas no domingo que sucedeu o espetáculo. Esta movimentação cultural, que foi indicada ao prêmio de melhor festival de folclore do mundo, vai deixar saudade naqueles que puderam acompanhá-la. Marcado por passos bem treinados, sons envolventes e trajes típicos, o Festival é patrimônio cultural de Passo Fundo. Manifestações artísticas como essa devem ser perpetuadas. A cidade se despede novamente. Não é um adeus, tchau ou coisa parecida… é um até logo. Além das apresentações que encantaram quem foi no Casarão da Cultura durante as noites,  e em todos os outros lugares que o Festival esteve presente, um dos grandes destaques da programação foram as Oficinas de Conversação, que aconteceram durante às tardes do Festival! Coordenadas pela equipe do UPF Idiomas, as oficinas contaram com a participação de 17 grupos, que além de apresentarem números de dança, falaram da cultura de seus países, promovendo momentos de muita interação com o público. Para garantir que todo mundo se entendesse, a equipe da UPF Idiomas trabalhou na tradução das conversas.

Cultura além do que se fala

A oficina de sexta-feira, dia 24, por exemplo, contou com a apresentação dos grupos do Maranhão, da Eslováquia e da Bolívia. O grupo do Maranhão, que veio da Cidade de Morros, contou um pouco da  história do seu povo, além de mostrar os principais elementos e alegorias que fazem parte do folclore do Estado. Uma delas é alegoria  do boi que é feita com uma armação de madeira coberta por tecidos bordados, na forma de um touro. O homem que fica dentro desta alegoria é chamado de “miolo do boi”. O Bumba Meu boi é uma dança tradicional brasileira típica das regiões do Norte e do Nordeste, e quando chegou ao Brasil, trazida pelos colonizadores portugueses, foi se modificando ao incluir alguns aspectos da cultura africana e indígena. A história do Bumba Meu Boi foi inspirada na lenda da Mãe Catirina e do Pai Chico. Na versão contada pelo grupo, eles são um casal de negros e trabalhadores de uma fazenda. Quando a esposa fica grávida, ela tem o desejo de comer a língua de um boi. Então Chico mata um dos bois do rebanho, que, no entanto, era um dos preferidos do fazendeiro. Ao notar a falta do boi, o fazendeiro pede para que todos os empregados saiam em busca dele e acabam achando o boi quase morto, que acaba se recuperando com o auxílio de um pajé. Então a festa do Bumba Meu Boi é celebrada para comemorar esse milagre.

O grupo que veio da Eslováquia, da região de Liptov, contou um pouco sobre as suas tradições e principalmente sobre as especialidades mais típicas da cozinha, como os bunhuelos, que também são o alimento mais econômico que o turista pode encontrar. Eles são feitos com queijo de ovelha e bacon frito. A sopa mais conhecida é a kapustnica, um caldo de repolho, presunto defumado, salsichas, cogumelos e maçãs.  Na apresentação, os integrantes do grupo lembraram que a Eslováquia também oferece variadas ofertas para quem gosta de desfrutar a natureza e é um dos principais destinos para os amantes do montanhismo.

O grupo da Bolívia veio da região de Cochabamba. Por causa do clima agradável, a cidade é chamada de eterna primavera. Os bolivianos contam que lá não costuma chover muito e a temperatura fica nos 20º na maior parte do ano (a precipitação é maior nos meses de dezembro a fevereiro, durante o chamado inverno boliviano ou altiplânico).