MAKING OF: TRÊS DIAS DE JORNALISMO, POLÍTICA E REDES SOCIAIS NA FACULDADE DE ARTES E COMUNICAÇÃO

Evento do curso de Jornalismo da UPF, chega a 9ª edição, com o debate “Imprensa e Política”

Bruna Scheifler

Lucas Santos

Refletir e discutir o Jornalismo, especialmente político, foi o principal objetivo do “Making Of”, evento do curso de Jornalismo da UPF. Durante três dias, os estudantes participaram de debates, painéis e palestras com o tema “Imprensa e política”. O evento é uma parceira com o Diretório Acadêmico Carlos Gomez e o NEXJOR/FAC, Núcleo Experimental de Jornalismo da Faculdade de Artes e Comunicação. Entre os convidados, destaca-se a diversidade de profissões, experiências e opiniões. O professor do curso de Jornalismo, Me. Cassiano Cavalheiro Del Ré, um dos organizadores do evento, destaca que “foram discussões extremamente  qualificadas, com pessoas de diferentes áreas, onde se tratou desde legislação até assuntos eminentemente políticos”.

No primeiro dia de evento, o papel do Jornalismo na Política foi debatido pelo jornalista Edson Coltz, editor-chefe do jornal Diário da Manhã de Passo Fundo e egresso do curso, o juiz Luis Cristiano Aires e o professor do curso de Direito da UPF, Mestre em Direito do Estado, Ronaldo Laux. O jornalista Edson Coltz relembrou que esse é um debate que vem sendo feito há muito tempo e que se intensificou mais recentemente, em função do jornalismo digital. O papel da imprensa, para o juiz Luis Cristiano Aires, é de hoje em diante tentar garantir um espaço público. “É fundamental permitir a pluralidade das informações, a veracidade da verdade factual, de discutir eticamente as consequências das notícias que são dadas”.

“O debate sobre o tema é fundamental”, afirma o Vice-reitor, professor Dr. Rogério da Silva sobre o Making Of (Foto: Lucas Santos)

Também participaram dos debates, o vice-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, Dr. Rogério da Silva e a jornalista Zulmara Colussi, editora-chefe do jornal O Nacional. Para o vice-reitor que também já atuou no jornalismo, “é oportuno que a FAC esteja debatendo o tema com os futuros jornalistas em um momento tão importante como é esse da eleição para o país”, declarou. A jornalista Zulmara Colussi demonstrou preocupação com a polarização do debate nas redes sociais. “O debate é raso, não tem profundidade, falta conhecimento, é muito ódio expelido naquele ambiente e ele não contribui em nada para o processo eleitoral. Meu conselho é que as pessoas procurem nos veículos tradicionais a informação antes de debater qualquer coisa na rede social”, opinou Zulmara.

“Eu vejo o problema da demonização da política”, afirma o Prefeito de Marau (Foto: Bruna Scheifler)

“Para que serve o Jornalismo na Política?” foi a pergunta do segundo dia do “Making Of”. O prefeito de Marau e jornalista egresso da FAC, Iura Kurtz, o professor Doutor em Ciênciais Criminais, Gabriel Divan, e professor Mestre em Educação e Especialista em Publicidade e Cultura Contemporânea, Olmiro Schaeffer foram os responsáveis por buscar responder a pergunta. Olimiro Schaeffer destaca que “por mais que as redes sociais tenham um alto grau de influência hoje, o jornalismo continua sendo importante”. Para o Prefeito Iura Kurtz, “as pessoas hoje buscam apenas a manchete, uma foto ou alguns detalhes. Eu acredito que o Jornalismo hoje tem esse papel de emprestar credibilidade às informações”.  O professor Gabriel Divan analisa que a pessoa que antigamente buscava no jornalismo uma informação para construir uma reflexão, hoje, muitas vezes, está buscando uma confirmação de algo que ela já tem, vindo de outros lugares sem tanta apuração e qualidade”.

“O eleitor só pode escolher com consciência e liberdade os seus candidatos quando ele tem informação”, ressalta Dra. Ana Paula Caimi (Foto: Lucas Santos)

No turno da noite o destaque foi para a palestra “A responsabilidade da imprensa nas eleições”, com a juíza eleitoral de Passo Fundo, Dra. Ana Paula Caimi. “O eleitor só pode escolher com consciência e liberdade os seus candidatos quando ele tem informação, e é nesse sentido que o jornalismo exerce um papel fundamental”, destacou a juíza. Já o painel “Redes Sociais e Política” recebeu Gabriel Divan, Luis Henrique Boaventura e o jornalista Cristian Puhl. “Eu acredito que o jornalista tem que ter acesso a essa ampla variedade de experiências para que ele possa construir sua visão de mundo e reforçar novas construções da realidade”, defendeu o jornalista, que também é egresso do curso e especialista em Ciências Sociais pela UPF.

Na manhã seguinte, o egresso do curso de Doutor em Letras Luis Henrique Boaventura voltou a abordar as redes sociais. Segundo ele, “estamos em uma atmosfera política extremamente polarizada. Acabamos retrocedendo às nossas intuições e motivações tribais, a gente não fala com o lado oposto. Isso acaba empobrecendo o diálogo e o nível do debate que acontece na arena pública”. Logo após, como é tradicional do evento, os acadêmicos ouviram relatos de experiência. O jornalista egresso da FAC e vencedor do 10º Prêmio Santander Jovem Jornalista, Vinícius Coimbra, e Lauriane Agnolin, aluna do curso de Jornalismo, voluntária do Centro de Comunicação da ONU no Brasil, foram os responsáveis por contar histórias e aconselhar os futuros jornalistas.

CINE-DEBATE

“O Brasil não evoluiu em termos de representatividade de vozes da diversidade”, analisa o diretor Zeca Brito (Foto: Lucas Santos)

O cine-debate sobre o documentário “A Vida Extra-Ordinária de Tarso de Castro” encerrou o evento. O jornalista Ivaldino Tasca, a professora Dra. Sônia Bertol e o diretor do documentário, Zeca Brito, conversaram sobre a vida de Tarso, traçando uma comparação com o jornalismo da época do fundador de “O Pasquim” e de agora. “Existem vozes alternativas e vozes de liberdade nas redes sociais, mas até que ponto essa voz fica direcionada a quem tem o mesmo pensamento?”, questionou o diretor.

Para a também organizadora do evento, a professora Me. Nadja Hartmann, a edição desse ano alcançou o objetivo de provocar uma reflexão sobre o papel da imprensa na política. “Os debates oportunizaram uma autocrítica da atuação da mídia, principalmente nesse momento que o país está passando, de uma grande crise ética e moral”. Reavaliar e qualificar o jornalismo é o que a coordenadora do curso, professora Me. Maria Joana Chaise acredita que seja o grande saldo de eventos como este.  “Isso colabora para melhorar o jornalismo que nós temos, e talvez este jornalismo que queremos fique mais próximo quando conseguimos fazer um exercício de análise do que está sendo produzido”. O evento e sua interdisciplinaridade foi aprovada pelos alunos. Franciele Moraes, estudante do IV nível considerou o tema importante por abranger “um período muito importante da democracia brasileira. Eu acho que o estudante de jornalismo precisa muito ter esse tipo de conhecimento”.