Crise econômica exige mais capacitação

Por Bruna Scheifler e Lucas Santos

O desemprego é algo que tem assustado todos os brasileiros em diversos setores. Por mais que no segundo trimestre deste ano a taxa de desemprego tenha reduzido, esta grande crise econômica parece longe de ter um fim. Hoje, são 65,6 milhões de desempregados no Brasil, uma alta na taxa de 1,2% em relação ao trimestre anterior. Nos primeiros três meses do ano, a taxa de desemprego chegou a 13,1%. Na região Norte do Estado, mais precisamente na região de Passo Fundo, a crise não foi sentida como em outras regiões. Isso por que, os setores de serviços de saúde e agropecuários mantiveram a economia estabilizada na região.

E é nessas horas que a agências de empregos se destacam na orientação, qualificação e na oferta de vagas para pessoas que buscam, ou seu primeiro emprego, ou que querem se recolocar no mercado de trabalho. Em Passo Fundo, uma das agências que trabalha nesta área é a CDL Empregos. A Coordenadora da agência em Passo Fundo, Tamires Canali, afirma que a agencia recebe em torno de 50 candidatos por dia. Eles disputam, hoje, 80 vagas disponibilizadas para diversos setores. Ou seja, são quase dois candidatos por vaga. O Núcleo Experimental de Jornalismo, Nexjor, foi tentar entender quais os tipos de candidatos que disputam as vagas e qual o perfil as empresas buscam nas contratações.

Nexjor:  Durante os últimos anos, que mudanças vocês perceberam no mercado de trabalho, com a crise econômica?

Tamires Canali: A crise econômica exige um pouco mais de capacitação dos candidatos. Algumas empresas buscam, aquele candidato que tenha um pouco mais de capacitação, de experiência, de bagagem um pouco mais concreta na sua qualificação profissional. Mas, nós vemos que o mercado de trabalho, com essa crise, mudou pelo fato de existirem muitas pessoas desempregadas no momento. Ou seja, a concorrência é muito maior entre esses candidatos que estão buscando uma recolocação no mercado de trabalho. A qualificação desses candidatos acaba sendo o diferencial.

Nexjor: Vocês perceberam mudanças nesse perfil nos últimos anos?

Tamires: Não. O perfil de desempregados é bem equilibrado, entre aquelas pessoas que não tem uma qualificação e pessoas que tem alto grau de qualificação. Até, por causa da crise, algumas empresas fecharam e outras reduziram o seu quadro de funcionários. Então, nós vemos pessoas que estavam no mercado de trabalho, que tem uma boa qualificação, que tem uma formação e que está buscando essa recolocação. Então, esse perfil não é apenas de pessoas que tem baixa qualificação ou formação, é um perfil bem equilibrado.

“Com a crise econômica, o perfil do candidato mudou pelo fato de existirem muitas pessoas desempregadas no momento” (Imagem: Alison Costella)

Nexjor:  E as empresas, qual perfil de funcionário elas procuram?

Tamires: As empresas são bem seletivas quanto ao perfil do funcionário. Elas solicitam para nós que o candidato tenha, no mínimo, uma experiência e, para alguns cargos específicos, uma formação ou que estejam cursando uma graduação. Então, sim, as empresas buscam perfis com qualificação para determinados cargos.

Nexjor: Qual é o volume atual de vagas disponibilizadas?

Tamires: Temos uma boa oferta de vagas aqui na CDL, em torno de 80 vagas aptas. Então, as empresas têm buscado seus profissionais aqui na CDL Empregos. Mas, com a crise, a divulgação de vagas não teve uma mudança muito grande, as empresas têm procurando profissionais qualificados, com responsabilidade e que procuram, realmente, se recolocar no mercado de trabalho.

Nexjor: E qual é a busca por essas vagas?

Tamires: A gente recebe, diariamente, diversos candidatos em busca das vagas que temos disponibilizadas. Nós temos um banco de dados divulgado para as empresas que é bem significativo. São em torno de 50 candidatos por dia que recebemos, é um volume bem grande.

Nexjor: Quem tem mais dificuldade em conseguir um trabalho remunerado?

Tamires: Aqueles candidatos que não tem uma escolaridade, geralmente, têm mais dificuldades de conquistar a vaga. Hoje em dia, é muito importante que, ao menos, os candidatos tenham o segundo grau completo para poder disputar as vagas que temos. Então, a experiência, a escolaridade, buscar sempre a profissionalização são diferencias. Esses candidatos que não tem escolaridade acabam tendo mais dificuldades de participar dos processos seletivos.

Nexjor: Qual relação vocês percebem entre a qualificação do indivíduo e o cargo e salário que ele irá receber?

Tamires: Tudo depende das vagas disponíveis. Nós aqui da CDL Empregos trabalhamos muito mais com empresas ligadas ao comércio, então, não existem muitas diferenças salarias. Agora, para cargos maiores, como gerencia e administração, a experiência e a escolaridade fazem diferença sim.

Nexjor:  Qual a relevância da graduação na hora de buscar essas vagas?

Tamires: Para algumas vagas que disponibilizamos a graduação é de grande importância, justamente para fazer uma triagem dos candidatos que possuem uma experiência. Então, a formação é muito importante, não só de uma Faculdade, mas, um curso técnico também. Estar sempre se desenvolvendo é muito importante para o candidato ter mais opções de vagas para participar de processos seletivos.