Perguntas e respostas sobre o Coronavírus

As primeiras confirmações de casos do Coronavírus no Brasil têm assustado boa parte da população. As informações a cerca da disseminação da doença ainda são nebulosas. Conversamos com um especialista sobre o assunto para esclarecer as principais dúvidas sobre tema. O professor do curso de Medicina da Universidade e médico Infectologista do Hospital São Vicente de Paula, Gilberto Barbosa , em entrevista ao Núcleo Experimental de Jornalismo da FAC/UPF, respondeu algumas perguntas sobre o Coronavírus.

Quais cuidados eu devo ter para me proteger do Coronavírus?

Gilberto: A transmissão do vírus ainda não está muito clara como que ela ocorre. Mas a opinião da maioria dos especialistas, da OMS, do próprio Ministério da Saúde, é que existem duas formas de transmissão: por contato e via respiratória com gotículas. Com o contato a gente contamina o ambiente, quando tosse, quando tem secreção na mão e da mão passa para uma mesa, para uma cadeira…E a outra forma é a transmissão por gotículas. Acontece quando nós tossimos ou quando eu falo muito próximo de outra pessoa. A distância deve ser de no mínimo 1 metro, mas o ideal seria de 2 metros. É importante sabermos como o vírus é transmitido. Então a gente previne a transmissão lavando bem as mãos, porque eu contamino a minha mão no ambiente e depois levo ela no meu rosto e acabo desenvolvendo a infecção. Então devemos ficar distante de uma pessoa que esteja doente. Se eu for contaminado, se estiver tossindo, devo ficar em casa ou se precisar sair, devo utilizar uma máscara cirúrgica.
Nós também devemos estimular medidas como a etiqueta da tosse, que é você ensinar as pessoas a se comportar no ambiente, não espirrarem, usar o lenço, usar proteção, não colocar a mão no rosto. Tudo isso é muito importante.

Quais são os principais sintomas e os principais grupos de risco?

Gilberto: Os sintomas são praticamente todos muito parecidos com os da gripe. Sintomas como a febre, dor no corpo, tosse, dor de garganta, coriza e até desenvolvimento de pneumonia, podem aparecer.
As pessoas que tiveram complicações nesses casos iniciais são basicamente pessoas idosas, com mais de 65 anos, mas principalmente acima dos 70 anos, ou que tenha alguma doença como diabetes, doença pulmonar, doença cardíaca. Esses pacientes são os mais predispostos a terem complicações. Também isso é muito parecido com o que acontece com a gripe.

Dr. Gilberto Barbosa

Qual a principal diferença entre o Coronavírus e as outras gripes?

Gilberto: Uma coisa que a gente tem que salientar, é que ainda não temos uma ideia exata de como o vírus de comporta. Nós não sabemos totalmente como é a transmissão, e ainda não podemos afirmar a taxa de letalidade, porque ainda não temos certeza quantos casos existem desenvolvidos. Então, isso é fundamental saber para poder fazer as comparações.
Mas o Coronavírus tem uma transmissibilidade que é considerável. Algumas gripes não possuem um contágio tão grande quanto o Coronavírus. A letalidade que a gente tem hoje, por enquanto, é maior que a da gripe, mas isso também é uma questão que poderá mudar na sequência, a partir de que a gente tenha todos os dados reunidos.
Os novos estudos mostram que aqueles dados iniciais com mortalidade diminui comparado ao número de mortalidade mais alta do início. Inicialmente o pessoal não sabia lidar bem com o vírus, talvez isso tenha sido uma causa de uma mortalidade maior.

Nós podemos comparar o atual surto do Coronarívus com o surto de H1N1 em 2009?

Gilberto: Alguns especialistas têm afirmado que o Coronavírus é uma reescrita da Influenza, com algumas diferenças. como a gente comentou antes Então talvez a comparação que a gente possa fazer no momento é que a mortalidade parece estar um pouco acima, mas isso hoje não podemos afirmar porque os dados estão mudando muito.

Devemos nos preocupar com um possível surto da doença aqui em Passo Fundo?

Gilberto: A OMS divulgou hoje que mais de 70 países já tiveram a entrada do vírus. O Brasil comunicou nessa quinta (05) o oitavo caso, nós não temos como afirmar com certeza, mas é muito provável que isso aconteça. A OMS vai declarar que está acontecendo uma pandemia porque está acometendo vários países. E é muito provável que nós vamos ter pessoas com o diagnóstico da doença aqui, e talvez o vírus circulando pela cidade. Isso é uma situação que devemos estar preparados, se não acontecer, melhor, mas nós temos que estar preparados para isso.

Uma das notícias que tem circulado muito nas redes sociais é que em lugares mais quentes a propagação do vírus é menor, isso é verdade?

Gilberto: O que tem saído de desinformação é uma coisa absurda. O que circula nas mídias sociais, a grande maioria das informações não tem uma base cientifica. Na verdade, se tiver frio as pessoas se aglomeram mais, e tem mais facilidade para o vírus se disseminar, esse é o grande diferencial.

Essa falta de informação e conhecimento sobre o Coronavírus são os fatores responsáveis pelo pânico que tem circulado pelas redes sociais?

Gilberto: Com certeza. Nós temos que estar preparados para que se tiver um número maior de casos, tomar todas as medidas de prevenção. Estar preparado no quesito de manter nossa saúde boa, ter uma boa alimentação, ter uma boa hidratação, manter os ambientes arejados, fazer as vacinas que a gente tem que fazer, principalmente a vacina da gripe. Então isso que é importante. Nós temos que saber que nós podemos ter um número de casos e podemos ter o vírus circulando, mas nós temos que estar preparados de forma racional e adequada para enfrentar isso.

Quais cuidados eu devo ter em transportes coletivos. É recomendado o uso de mascaras?

Gilberto: A máscara para quem não tem a doença, não tem comprovação que funcione, então a máscara é para quem está com sintoma. E para quem está com a doença, ou fica em casa ou se tiver que sair, usa uma máscara. No transporte coletivo uma coisa importante é manter uma boa ventilação dentro do transporte, e principalmente, as pessoas que tiverem sintomas ou espirrarem, devem utilizar a etiqueta da tosse ou devem higienizar as mãos, lavando com água e sabão, ou utilizar o álcool em gel. Isso tem que ser uma rotina, se fazemos isso 4 ou 5 vezes por dia, devemos dobrar isso agora.

Existe alguma estimativa de criação de vacina para o Coronavírus?

Gilberto: Vários países estão desenvolvendo as vacinas, mas é muito provável que antes de 12 a 18 meses, não tenha uma perspectiva de vacinação.

Qual o tratamento para a doença?

Gilberto: O que a gente tem disponível hoje, é o que nós chamamos de suporte, ou seja, hidratar esses pacientes, tratar a dor, dar o suporte respiratório, o oxigênio quando necessário. Tratar os sintomas. Nós não temos uma medicação que combata o vírus.

Qual a diferença entre epidemia e pandemia?

Gilberto: A epidemia é quando a gente tem um número maior de casos do que o habitual em uma sociedade, e é isso que a gente tem em vários países. A pandemia é um conceito utilizado mundialmente quando tu tem o vírus circulando internamente e não só em um país, mas circulando em pelo menos 2 países diferentes.

O método adotado pela China de fechar algumas cidades e não permitir a circulação de pessoas para tentar impedir a circulação do vírus foi a melhor forma de encarar o início da doença?

Gilberto: Nós temos que ver o seguinte, a China é um país único em termo de população, em termos de superpopulação, e pegou uma época que eles tinham muitas viagens, era uma época de feriados. Então possivelmente se eles não tivessem feito essa contenção, nós teríamos uma epidemia muito maior. Eu acho que foi uma medida acertada.

Que dica o senhor dá para a população em geral para se proteger da doença?

Gilberto: Tudo o que a gente falou até agora, saber como é a transmissão, como é a prevenção, o que nós podemos fazer, todos os cuidados, manter vida saudável, manter a higiene do ambiente, manter uma etiqueta de tosse, todos esses cuidados que nós falamos. Fazer isso é o mais importante. Não tem porque nós termos medo, já enfrentamos uma gripe muito grave em 2009, foi um período difícil, mas já temos essa experiência. Pelo o que a gente viu, pelos dados, é muito cedo ainda para fazer afirmações sobre o impacto, sobre o número de pessoas que podem morrer, porque os últimos estudos tem mostrado que esse número diminui É muito mais importante estarmos preparados, fazermos a vacina da gripe e manter uma boa saúde.