Dos bancos da FAC para o papel

Dos bancos da FAC para o papel

por: Hana Backes

Imagine 735 páginas repletas de histórias, com cerca de 110 autores reunidos em quatro coletâneas de crônicas que marcaram a história da FAC. Esse é o Crônicas Faquianas, uma série de livros que uniu alunos e professores, incentivando a leitura, a escrita e a criação de um projeto com a alma faquiana.

Publicar um livro com o seu nome na capa parece algo muito distante, um trabalho longo e complicado reservado para grandes autores, mas não precisa ser assim. Para o jornalista Álvaro Henkes, egresso do curso de Jornalismo da UPF, e um dos então alunos envolvidos no projeto das crônicas, foi a publicação do primeiro livro, em setembro de 2007, que mostrou que ideias, no momento certo, com as pessoas certas e vontade para executar, se tornam realidade.

Assim como Álvaro, muitas outras mentes estavam por trás desse projeto. Foram os professores João Carlos Tiburski (quatro edições), Roberta Scheibe (quatro edições), César Augusto Azevedo dos Santos (três edições) e Sônia Regina Schena Bertol (uma edição) que organizaram tudo para garantir que o projeto se tornasse real e se mantivesse por quatro edições, até o ano de 2010, tendo a cada edição mais interessados em participar. Além deles, o professor Luiz Hoffmann, responsável pelo projeto gráfico dos livros, e outras centenas de pessoas foram necessárias para que o Crônicas Faquianas saísse do papel, marcando parte dos 70 anos de história da FAC.

“O Crônicas não é meu, não é do Pedro, não é do Tiburski e não é da FAC. O Crônicas é de todos que viveram esse projeto, que se envolveram, de todos que buscam as crônicas.”, diz Álvaro.

UMA HISTÓRIA QUE SE INICIOU NOS BANCOS DA FAC

“Craques ganham jogos, mas times ganham campeonatos”. É assim que Álvaro resume o surgimento das Crônicas Faquianas, na união das pessoas certas. Tudo iniciou em uma aula de Redação com a professora Roberta, em 2006, enquanto ela explicava os gêneros textuais. Ele e Pedro Klein, seu grande amigo da faculdade, pensaram além. A paixão que a professora sentia por crônicas passou para os alunos que, em um dos bancos da FAC, instigaram o falecido professor Tiburski a criar um livro. 

A ideia inicial era simples, um cartaz espalhado pela FAC com a seguinte frase: “Tire sua crônica da gaveta”, mas Tiba, como o professor era carinhosamente chamado pelos alunos, transformou o projeto em algo muito maior. “A ideia minha e do Pedro era mais simples, era apenas “tire sua crônica da gaveta.”, mas o Tiba conseguiu tirar os cronistas do armário”, relembra Álvaro, com um sorriso no rosto.

Para a professora Roberta o projeto só nasceu e persistiu por conta de Tiburski. Ela conta que o professor era mais um dos amantes de crônicas que, como ela, botou a mão na massa e se mobilizou para fazer tudo acontecer. Segundo ela, todas as quatro edições carregavam marcas que mostravam todo o envolvimento do professor, que recebeu uma ideia dos alunos, levou para a Agexjor (Agência Experimental de Jornalismo, parte do atual Núcleo Experimental de Jornalismo), ambiente que ele coordenava, e organizou como fariam para dar vida ao projeto. 

Um longo processo teve início. A Agência recebia as crônicas, retirava os nomes dos autores e encaminhava para a avaliação de terceiros, enquanto organizava o livro. O professor de Jornalismo Fábio Rockenbach, que na época estagiava na Agexjor e participou da organização dos livros, conta que só esse processo de seleção demorou entre dois a três meses. Um processo calmo e metódico com a cara de Tiburski, segundo ele. Fábio guarda com carinho a imagem do professor dizendo que tinha “uma ideia para te passar”, com um grande sorriso no rosto quem estava vendo um grande projeto nascer. 

Dentro da Agência, Fábio viu o projeto tomando forma, e foi um dos responsáveis por um extenso trabalho “braçal”: cabia à agência organizar os textos mantendo a autoria em sigilo e organizar as que eram selecionadas. Depois da correção, Tiburski repassava as que iriam compor o livro, e novamente, o então estagiário Fábio ajudava a diagramar. E assim, todos os envolvidos viam o projeto criando forma.

“As crônicas eram um gênero muito querido dentro da FAC”, relata Roberta, e foi isso que fez com que a ideia se tornasse real. A publicação do Crônicas Faquianas foi um grande marco para a história da unidade.

AS MARCAS DO PROJETO

A Professora Roberta Scheibe, hoje lecionando na Universidade Federal do Amapá, resume a importância do projeto. “A gente mobilizava a comunidade faquiana, fazíamos a crítica acontecer por meio das crônicas […] Eu penso que até hoje é um projeto importante porque quando pesquisamos na internet sobre a FAC e a UPF, o livro sempre aparece. Mostra um registro de memória social de um tempo.” 

Todas as 4 edições do livro Crônicas Faquianas

A busca em fazer parte da obra surpreendeu Roberta, que não imaginava o quanto as pessoas se envolviam com o gênero tão amado por ela. “As pessoas iam atrás de nós na Agência animados com a ideia de criar algo, trazer uma crítica social. Me marcou muito o empenho de todos nesse projeto e a força desse gênero como um elemento crítico e de memória  de um tempo social.”, relata ela. O professor Fábio também lembra de como o Crônicas Faquianas envolveu os estudantes da época – ele próprio, além de trabalhar para que o projeto funcionasse, também teve seus textos publicados em três edições. O professor não esquece da alegria que os alunos sentiam ao ver seu nome em um livro, “Na época foi muito bacana, eu me lembro, como aluno, que houve uma integração muito grande. […] Pô, tu ver teu nome lá, em um livro, dá vontade de mais, de escrever mais um, de participar.” O próprio projeto alimentava a edição seguinte.

Hoje, o gênero parece estar perdendo espaço dentro da loucura do jornalismo atual, que exige rapidez na comunicação em um tempo movido por redes sociais. Para Roberta, a crônica ainda é importante e deve ser estudada e valorizada, “A crônica mostra cotidianos, realidades, acontecimentos, como as coisas vivem e sobrevivem. O cronista faz uma tradução das realidades,[…] e para mim, isso é genial.”. 

As edições do Crônicas Faquianas estão disponíveis em PDF para todos os interessados em embarcar nesse projeto que nos transporta até outros tempos. E depois de ter acesso a todo esse conteúdo, não floresce em você o desejo de escrever, criar e também publicar algo com seu nome? Porque não sonhar grande novamente? O Crônicas Faquianas marcou gerações de escritores e apaixonados por crônicas, e até hoje segue inspirando em todos os lugares.

Link para acessar os livros “Crônicas Faquianas”: https://issuu.com/nexjorupf