FAC: pulsando vida e respirando arte há 70 anos 

Sete décadas celebram a vida da Faculdade de Artes e Comunicação, uma unidade que forma histórias e pessoas únicas.

Por Sabrina Tagliari

São mais de 25 mil dias em 70 anos, milhares de dias vividos intensamente e esses tantos anos contam muita história de um espaço cheio de diversidade que forma pessoas todos os anos, que conta mais histórias ainda. Em 2022, a Faculdade de Artes e Comunicação (FAC) da UPF completa 70 anos desde sua fundação. Já parou para pensar o quanto de histórias foram vividas na FAC?

A história da FAC começou em 1952, quando ela sequer era FAC, com o Conservatório Municipal de Música e a Escola de Belas Artes, bem antes da fundação da Universidade de Passo Fundo. Em 1996, o nome “Faculdade de Artes e Comunicação” foi instaurado. A história da FAC, portanto, é ainda  mais antiga que a própria história da UPF, que hoje tem 54 anos de criação. 

Escola de Belas Artes na Sociedade Pró-Universidade de Passo Fundo, em 1957.

Hoje, os cursos de Artes Visuais, Design Gráfico, Jornalismo, Música e Publicidade e Propaganda fazem parte da unidade. O ano, desde o início vem apresentando homenagens para o lugar onde passaram tantos jovens, e que, hoje, se torna uma senhora idosa. Uma velhinha com aquele alto astral que só quem é faquiano tem. Quem é de fora ou de outras unidades e passa pela FAC consegue sentir imediatamente a energia nossas cores, nossos sons, nossa singularidade, nossa energia exala vida, exala arte. Um sentimento tão bom que nos faz querer ser mais, ousar e instigar. 

“Se existe uma coisa que nós podemos fazer, se existe uma coisa que a arte, comunicação, que a informação de qualidade pode fazer e que nós ao escolher esses cursos assumimos o compromisso de fazer e de transformar o mundo… mexer com as pessoas e de inquietar”, comenta a Diretora da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC) Bibiana de Paula Friderichs.

Prof. Dra. Bibiana de Paula Friderichs, atual diretora da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC).

Bibiana, ao falar sobre a FAC, explica que a sociedade nunca precisou tanto de arte e de informação de qualidade como precisamos hoje para fazer um mundo melhor, um mundo justo, um mundo para todos. “A FAC de alguma maneira ao longo desses 70 anos é a tradução desse mundo porque existe entre nós espaço e respeito para o diferente, espaço e respeito por todos do jeito que são e como são.” 

Acolhimento de família

A diretora, ao falar da unidade, extrapola o físico. A FAC, para ela, não existe, ela não é um prédio, ela é um espírito e esse espírito foi construído por essas pessoas.. Mas se torna uma casa, uma segunda família que não é feita apenas pelos rostinhos jovens dos alunos, mas também por professores, pessoas que colocam sua alma à disposição dos estudantes. “Se tem uma coisa que efetivamente faremos nesses 70 anos, é reconhecer as contribuições das diferentes pessoas, alunos, professores, funcionários, na construção desse espírito faquiano, na formação de tantos profissionais e mobilização de tantos agentes culturais como a FAC foi durante esse tempo” explica Bibiana.

A lembrança de Bibiana é oportuna, já que muita gente foi importante para a unidade nesses últimos 70 anos. De uma forma ou outra todos contribuíram para que a FAC seja quem ela é hoje. A ex-professora e coordenadora dos cursos de Artes Visuais Mariane Loch Sbeghen foi acadêmica do primeiro curso de bacharelado de desenho e plástica da FAC “Nunca mais deixei a FAC, foi apaixonante o ambiente, meus professores na época fizeram a diferença porque se não fossem eles me seduzir com a disciplina e a metodologia que a gente tinha aqui, não tinha como não ficar.”

Mariane Loch Sbeghen ex-professora e coordenadora dos cursos de Artes Visuais.

Após sua formação, Mariane ficou um tempo fora da FAC e voltou para atuar como professora. “Fiz licenciatura e depois voos mais altos para minha formação. Retornei para a universidade que me acolheu e aí eu virei professora, muito feliz, foi uma das coisas que mais me realizou, ser professora.”

Já Cilene Potrich entrou na Faculdade de Artes e Comunicação quando tinha cerca de 18 anos, e acabou ficando 40 anos entre a formação no curso de graduação e sua época como professora. “A gente tinha a oportunidade de ser espontâneo, de fazer de forma diferente as coisas, que não era preciso ser tão formatado.” Cilene ainda era estudante quando precisou substituir uma professora, fez curso, especialização, mestrado e acabou ficando. 

Cilene Potrich, ex-diretora da FAC.

“Além da graduação eu também trabalhei nas pós-graduações e extensão e acabei por uma situação sendo também diretora da FAC e foi uma época muito incrível, que a gente criou muitos projetos.” explica Cilene, comentando que foram criadas a Agência de Publicidade, de Jornalismo e o Viramundos que era um projeto de teatro da época. 

Ela se recorda que em uma das primeiras disciplinas que teve, uma de suas professoras entrou na sala de aula e sentou em cima da mesa e isso foi um ato transgressor na época “Foi uma coisa incrível porque balizou a minha trajetória como professora. Não é que eu sempre sentasse em cima da mesa” comenta Cilene.

“Eu aprendi na FAC que é preciso desaprender coisas aprendidas para reaprender novas coisas”.

Cilene

Um momento que marcou Cilene durante todos esses anos na FAC não aconteceu apenas em um dia, mas sim em todo início de semestre. “O primeiro dia de aula do semestre, quando os alunos estão chegando, aquele olhar curioso e ao mesmo tempo atento. Uma semana depois está todo mundo integrado, interagindo. A melhor lembrança que eu tenho é o estudante, olhar para o estudante, ver a alegria no olho e poder dizer “esse é um espaço em que posso ser eu, posso crescer e realmente fazer aquilo que está dentro de mim e aquilo que eu penso” comenta. A FAC, segundo ela, permite uma flexibilidade tanto para as emoções quanto para as ações.

Abaixo, você confere uma linha do tempo interativa com os principais marcos da FAC ao longo dessas sete décadas.

Dando voz a quem fez parte

Como uma forma de marcar o aniversário da unidade, os alunos do curso de jornalismo Thalis Rota e Raquel Tartas gravaram uma reportagem sobre a FAC nos anos 80 com as egressas Jaqueline Rota Laner e Maura Helena De Carli, bacharéis do Curso de Desenho e Plástica e integrantes da turma do “Oba Oba” da década de 1980. Elas contaram histórias que ocorreram durante os anos que ficaram na FAC.
No mesmo formato, os alunos Luiz Calderan e Felipe Borges gravaram a reportagem para dar voz a quem faz parte da FAC diariamente, seja trabalhando no bar ou nos laboratórios, o trabalho intitulado de “As vozes da FAC” resgata o sentimento de pertencimento faquiano.

Passam gerações, e o sentimento segue o mesmo: A FAC é a casa de muitos, e diferentes. A egressa do curso de jornalismo, Lauriane Agnolin comenta que “a FAC durante quatro anos e meio de curso foi a minha casa, literalmente porque eu ficava mais tempo dentro da unidade do que na minha própria casa e convivendo mais com as pessoas de dentro da universidade do que com a minha família.”
Para a recém formada, a FAC se tornou uma guardiã das artes e da comunicação. Segundo ela, mais do que formar e estar preocupada com a qualidade de ensino que os alunos recebem todos os dias durante as aulas, a FAC também está preocupada com os valores humanos e os valores éticos de um profissional que sai formado da unidade. “Nesse momento que a gente passa por uma crise de identidade no jornalismo principalmente, ter esses valores muito sólidos junto conosco que a gente adquiriu durante a graduação, é o que nos mantém navegando no barquinho, essa é uma coisa muito forte que a FAC aborda.” comentou a jornalista.

Mariane explica que existe um grande desafio em ensinar ”Tu quer dar qualidade ao curso, a questão humana das relações mas antes de mais nada você quer dar o máximo pros teus alunos, eles depositaram a confiança no curso, nesse caso na nossa universidade, na nossa instituição e na nossa FAC.” Ela também complementa que a diferença está não no ato de completar 70, mas no percurso dos 70 anos inteiros, e conclui: “Uma sociedade sem a intervenção das artes cênicas, visuais, musicais, e da cultura, não constrói um povo sensível, e um povo não sendo sensível não tem como viver, eu não consigo me ver sem ter essa pitada de arte nas pessoas.”

A diretora da unidade acredita que esse espírito faquiano é a energia de todos nós. “Esse espírito que inunda todos esses faquianos, todas as pessoas que passaram por aqui que ajudaram a construir essa energia transformadora que a arte e a cultura podem representar em uma sociedade.”

Que continuemos comemorando a vida da FAC, que pulsa em nossos corações desde a primeira vez em que subimos a escadaria da unidade.

Voltar ao tempo desperta saudade e a galeria de fotos resgata alguns dos principais momentos que aconteceram na FAC. Aulas, gravações, eventos e muita arte!