Jornalista de E-sports é a única mulher indicada a prêmio internacional

A jornalista esportiva Lauriane Agnolin destaca as barreiras e recompensas de sua carreira até a indicação ao Prêmio Crack

Quando perguntada sobre quais conselhos Lauriane Agnolin daria a meninas e mulheres que sonham em entrar e se aventurar no mundo do jornalismo esportivo, ela disse o seguinte: “Que venham e que não tenham medo. Se é uma área que você gosta de fazer, que façam!”. Lauriane é egressa do curso de jornalismo da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC) da UPF e colunista do portal de games OnlyGames Latam, que cobre competições de e-sports por toda a América Latina, e também jornalista do jornal O Nacional.

Lauriane frisa que é durante a faculdade que construímos o senso jornalístico para fazermos um trabalho bem feito e diferenciado dos outros no ramo. Por isso, segundo ela, a orientação e profissionalização não devem ser abandonadas. “O curso de jornalismo é fundamental não só para a gente ter os fundamentos e conceitos básicos do que é ser jornalista, mas também para a gente ter uma formação ética do jornalismo.”

Lauriane Agnolin se formou em jornalismo no ano de 2020.

JORNALISMO NOS E-SPORTS
O popular termo e-sports se refere às competições de jogos virtuais e eletrônicos que são realizadas por jogadores profissionais e transmitidas principalmente pelos canais de streaming. Como Lau disse, quando focamos no jornalismo esportivo, nos referimos a todos os esportes, sejam eles virtuais ou presenciais. “O jornalismo nos e-sports não se difere em nada do jornalismo em nenhuma outra editoria, é só um nicho a mais de trabalho que a gente tem.” Para a Lau, trabalhar nessa área nunca foi um objetivo, foi algo que simplesmente aconteceu. Ela já era consumidora desses jogos, mas não imaginava chegar nesse patamar em que está hoje. “Foi uma coisa bastante natural que eu realmente não esperava ter tanta relevância no cenário da América Latina, logo em menos de um ano que eu tô trabalhando com isso.” Por isso, ela ainda ressalta que não ligar para críticas e manter a cabeça sempre erguida é muito importante.

PRÊMIOS CRACK
Indicada à categoria de melhor jornalista especializada do prêmio Crack: Esports Latin Awards 2022, que aconteceu no dia 26 de março, Lauriane revela que nunca se acostumará com essa popularidade. Essa premiação reconhece anualmente os melhores da indústrias dos e-sports da América Latina e deu à Lau a confirmação de que ela está no caminho certo. “Ser jornalista num idioma que não é minha língua materna tem um peso muito grande.” Mesmo não vencendo o prêmio, o fato de ter sido a única mulher indicada em toda a premiação já é uma vitória e um fator importante para entender sua responsabilidade como jornalista.

https://twitter.com/lauagnolin/status/1507925035905961989

INSINUAÇÕES E DESRESPEITO
Infelizmente, ainda hoje as mulheres têm de trabalhar e batalhar bem mais do que homens para se estabelecerem nos diversos mercados de trabalho, nesse em especial. São inúmeras as situações de menosprezo e desvalorização que as mulheres têm de encarar. Quando questionada, Lau diz já ter enfrentado inúmeras situações, mas que mesmo a abalando, serviram de incentivo para continuar fazendo seu trabalho. “Eu estava trabalhando num furo de reportagem sobre a saída do principal responsável pela competição profissional na América Latina, que em termos comparativos é como se fosse o presidente da CBF. E quando eu dei essa informação, gerou muita repercussão e no dia seguinte eu recebi muitos comentários de que eu estava me deitando com pessoas superiores para ter essas informações privilegiadas.” Ela ainda salienta que é descredibilizada e sexualizada em seu cotidiano e também como alguns homens têm dificuldade em aceitar e admirar intelectualmente uma mulher sem ferir a honra dela. “Teve sim momentos que eu chorei de verdade de não aceitar o porque estão sendo tão injustos; ‘eu só quero trabalhar sabe?’”.