A preocupação excessiva com a imagem e a estética tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Entendida como consumo cultural, a prática do culto ao corpo coloca-se hoje como preocupação geral, passando por todas as idades e apoiada num discurso que exalta a questão estética e, muitas vezes, é mascarada com a preocupação com a saúde.

Mas de onde vem toda essa preocupação? Qual é a influência da mídia e das redes sociais?

Atualmente há uma crescente preocupação com a aparência física, com a dieta alimentar e o consumo excessivo de cosméticos. Essa preocupação foi impulsionada basicamente pelo processo de massificação das mídias, onde o corpo e a beleza ganham mais espaço. Foi assim que revistas como a “Boa Forma” e “Corpo a Corpo” – que enaltecem o corpo perfeito e as dietas mirabolantes – surgiram.

A mídia veicula a apresentação da beleza estética associada a ideias de saúde, magreza e atitude. A publicidade se apodera de ações subjetivas que incentivam a moda e estilos de vida. Para a esteticista Greice Oliveira muitas pessoas tem medo de envelhecer e a cada dia buscam tratamentos estéticos cada vez mais cedo. “Hoje em dia ninguém mais quer envelhecer, manter-se jovem e com aparência saudável é o que importa, independente do custo.” diz.

Com a ascensão das  redes sociais isso se torna ainda mais visível e preocupante. Sabe aquele baixo astral que dá quando você fica muito tempo nas redes sociais? Isso não acontece só com você. Além do tempo perdido, as horas conectado também afetam nossa saúde mental.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Royal Society For Public Health do Reino Unido, as redes sociais são mais viciantes que o álcool e o cigarro e, dentre elas, o instagram foi visto como o mais prejudicial à mente, principalmente dos jovens.

Os resultados apontam que 90% das pessoas entre 14 e 24 anos usam redes sociais. Segundo a psicóloga Alessandra Marini as taxas de ansiedade e depressão entre os jovens aumentaram 70% nos últimos anos. “Os jovens estão ansiosos, deprimidos, com a autoestima baixa, sem sono, e a razão disso tudo pode estar nas redes sociais. Esse jovem acaba se sentindo frustrado por não ter o estilo de vida ou a aparência que vê nas redes”, disse.

O estudo mostrou ainda que o instagram é a rede social que mais impacta negativamente seus usuários, o compartilhamento de fotos pelo Instagram interfere no sono, na autoimagem e a aumenta o medo dos jovens de ficar por fora dos acontecimentos e tendências. Segundo a pesquisa, o site menos nocivo é o YouTube, seguido do Twitter. Facebook e Snapchat ficaram em terceira e quarta posição, respectivamente.

Em uma enquete realizada com os usuários do instagram, 56% das pessoas dizem não estar satisfeitas com seu corpo e que se pudessem mudariam alguma coisa. Por outro lado, apenas 37% se diz influenciado pela mídia. Em relação ao tempo gasto nas redes sociais, 86% disseram que passam mais de duas horas por dia conectados a aplicativos como o instagram. Ao falarmos sobre a aparência e a preocupação com as fotos 71% assumiu que edita todas as fotos antes de postar nas redes.

As mídias digitais têm revolucionado o modo como nos relacionamos com as pessoas. Redes como Facebook, twitter e instagram tem sido utilizados por uma a cada quatro pessoas no mundo inteiro.  Mas o quanto essa tecnologia está impactando no seu dia a dia? Fica a reflexão sobre a forma como as redes sociais são usadas e o quanto deixamos elas influenciar a nossa vida, as nossas decisões e definições de perfeição.
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Daiane Giesen