“Na FAC me senti muito bem e muito livre, sempre pude ser eu mesma.”  Paludo, Larissa. Aluna egressa da Faculdade de Artes e Comunicação.

Por Ariane Szymanski e Cristian Mroginski

Prédio da Faculdade de Artes e Comunicação. Foto: Divulgação.

Larissa, Rebecca, Laudir, Emeli e João, esses são alguns dos alunos da Faculdade de Artes e Comunicação, a tão conhecida FAC. A Faculdade de Artes e Comunicação teve início no Instituto de Belas Artes, uma das instituições que ajudou a formar a Universidade de Passo Fundo. A unidade oferece os cursos de Artes Visuais (licenciatura e bacharelado), Design Gráfico (tecnólogo), Jornalismo (bacharelado), Música (licenciatura), Música Canto (bacharelado), Música Instrumento (bacharelado) e Publicidade e Propaganda.

Por conter cursos de comunicação, a FAC é um local mais descontraído, onde consequentemente as pessoas podem se abrir e ser quem são de verdade. Pode-se dizerque existe uma grande aceitação da comunidade LGBT na FAC, como afirma o professor e diretor do prédio, Cassiano Cavalheiro Del Ré: “A FAC, inclusive pela declaração das diversas orientações sexuais, é um ambiente extremamente acolhedor. Não faz distinção de nenhuma natureza. ”

Larissa Paludo, de 21 anos, formada em Jornalismo pela FAC, participa da comunidade LGBT. Ela conta que nunca sofreu preconceito agressivo, mas que já passou,e ainda passa,por muitas situações constrangedoras onde algumas pessoas fazem piadas maldosas. Larissa compartilha que a expectativa ao entrar na FAC era de ser tudo muito natural,por saber que esse é um prédio que contém apenas cursos da área da comunicação, e que consequentemente as pessoas tem a mente mais aberta e mais livre de preconceitos. “Lá me senti muito bem e muito livre, sempre pude ser eu mesma”, completa.

Rebbeca Mistura, aluna de jornalismo do 2º nível.

Rebecca Mistura da Silva, de 20 anos, iniciou o curso de Jornalismo pela FAC neste ano, membro atuante do movimento LGBT, conta que foi bom encontrar na faculdade um ambiente amigável quanto à sua orientação sexual, e afirma que lá foi muito bem recebida e que consegue se abrir com colegas e conhecidos.

“A FAC é um local de liberdade e aceitação, vejo isso por mim e por outros membros da comunidade LGBT que conheço que também estudam lá e se sentem confortáveis em ser quem eles são”. Rebecca ainda ressalta que consegue ver a diferença entre a FAC e outros lugares da UPF:“frequentemente ouço falar que existe muito preconceito velado, uma pressão muito forte que acaba reprimindo a identidade de muita gente”.

Laudir Galvan, estudante de jornalismo.

“Sofro aquele preconceito quieto, de olhares de rejeição e desaprovação. Daquelas pessoas que convivem comigo, mas não aceitam minha orientação sexual”. Laudir Galvan, de 20 anos, neste ano também iniciou o curso de Jornalismo pela FAC, membro da comunidade LGBT diz que nunca sofreu preconceito explícito, nem agressões.

O estudante compartilha que sempre ouviu falar bem da FAC, que lá é um prédio “colorido”. O jovem ainda conta que se identificou muito com o prédio, pela FAC ser bem “aflorada” no sentido de não haver preconceitos, “Sendo da comunidade LGBT, me senti muito bem recebido, me senti muito em casa. Eu me sinto em casa na FAC, é um lugar muito tranquilo e gosto muito de estar lá”, finaliza.

O diretor da FAC informa que já houve raríssimos casos de preconceito, mas que esses foram esparsos tempos de homofobia no prédio. Del Ré ainda reitera que “quando ocorre, a coordenação e a direção da unidade chamam o aluno que praticou o desrespeito e tem uma longa conversa com ele para que isso não ocorra mais. Também se faz a indicação para acompanhamento ao SAES se houver necessidade”.

Emeli Brito, estudante de Publicidade e Propaganda.

Emeli Britto, de 19 anos, estudante do curso de Publicidade e Propaganda pela FAC desde 2016, também membro da comunidade LGBT, conta que nunca sentiu desconforto ou medo em falar sobre sua orientação sexual, tanto para os colegas ou professores e funcionários do prédio. “Sempre me senti bem e ‘livre’ para deixar explícita minha sexualidade”, compartilha.

Diferente dos outros alunos, Emeli conta que já sofreu um episódio de preconceito dentro da faculdade, mas nesse caso não foi por parte dos alunos da FAC em si, mas por alunos de outro curso que estavam no prédio. A jovem conta que quando se sentiu mais livre para demonstrar quem era de verdade algumas pessoas reagiram de forma tranquila, e outras sempre se mostraram dispostas a aprender e entender a situação. “Acredito que muita gente iniciou um processo de desconstrução, não só por minha causa, mas por todos”, declara.

A opinião de Emeli é a mesma dos outros alunos entrevistados, concorda que a FAC seja um prédio diferente, em relação à aceitação LGBT e também livre de outros preconceitos. “A FAC é um prédio em que as pessoas estão preparadas, não preparadas assim como se isso devesse interferir na vida delas, mas as pessoas lá são sempre mais abertas, sabe? Pra te entender, e elas simplesmente te respeitam, não querem te mudar.”

João Gabriel Nunes, aluno do 2º nível de jornalismo.

João Gabriel Nunes Cunha, de 18 anos, que iniciou o curso de Jornalismo pela FAC, neste ano, também participa da comunidade LGBT, conta que na escola sofreu preconceito, como apelidos e comentários maldosos. Ele afirma que a FAC é quase como uma segunda casa agora, e que se sente muito bem quando está lá. “Eu me entendi, ser o que sou na FAC. As pessoas lá não ligam pra isso, a gente é tão bem acolhido que a nossa orientação sexual é só um mero detalhe”, conta.

A aceitação é só o primeiro passo para diminuir casos, cada vez mais frequentes, de homofobia.. Como parte da sociedade, a universidade também não está livre de comportamentos preconceituosos. Contudo, como já mostrado acima, a Faculdade de Artes e Comunicação, da UPF, é um dos bons exemplos a serem seguidos, onde a diversidade de todos os tipos, inclusive a sexual, permanece em harmonia.