Por: Mariana Messerschmidt e Ragnara Zago

Uma paixão que guiou para um futuro brilhante

Uma Faculdade só tem vida por conta daqueles que a constituem. Não ha como falar sobre a FAC, sem contar as historias de seus funcionários, professores, alunos… pois, se não fossem estas pessoas, a Faculdade de Artes e Comunicação da UPF não teria a mesma cor, não teria a mesma alegria e nem a mesma historia.

Um dos principais componentes da “alma” da FAC são os alunos. Cada um com sua vivencia e cultura agrega um pouco para esta faculdade tão cheia de vida, um exemplo é o Fernando, acadêmico do curso de Bacharelado em Artes Visuais. Mas além de ele contribuir para a construção da cultura da FAC, a própria faculdade agregou muito para a vida dele.

A paixão e a curiosidade pela fotografia é que trouxe Fernando Stähler Malheiros ate o curso de Artes Visuais. A inspiração em artistas que admirava, é que o fez conhecer a fundo o mundo das artes, sobre o qual era leigo, ate então. Mesmo com seu pouco conhecimento ate mesmo sobre o curso, Fernando é um exemplo de que, quando as coisas são destinadas a acontecer, elas acontecem.

Em 2014 é que sua historia na FAC começa. Enfrentando um mundo desconhecido, saiu de Panambi e chegou a Passo Fundo, trazendo na bagagem muitas incertezas e sonhos. Mesmo sem saber exatamente do que se tratavam seus conhecimentos em fotografia, Fernando chegou na faculdade já tendo em mente qual caminho seguir.

A primeira exposição

Pouco tempo depois de entrar na graduação, Fernando começou a fazer experimentações fotográficas. Explorando as possibilidades da câmera, ele  iniciou um trabalho que geraria frutos inimagináveis.  Suas inquietações internas foram traduzidas em fotos e sua ideia de retratar o que sentia se transformou em uma exposição.

A série de fotografias artísticas, intitulada “Crooked Nature – (auto)retrato do transtorno de ansiedade”, foi selecionada no 1º Edital de Artes Visuais promovido pela Secretaria de Cultura de Passo Fundo. A, agora, exposição, foi aberta ao público em 10 de outubro de 2017, tornando-se o ápice da vida universitária de Fernando, como ele mesmo nos conta:

 

O que começou como uma forma de se expressar, se transformou em uma obra que sensibilizou o público. A maneira que retratou o que sentia, fez com que o público tivesse as mesmas sensações. O que um dia eram inquietações inexplicadas se resumiram em um diagnóstico: transtorno de ansiedade.

Retratar a ansiedade

Durante os quatro anos da graduação, Fernando desenvolveu este estudo. Num principio, ele não sabia muito bem do que se tratava, mas no decorrer do tempo descobriu que não eram apenas inquietações, mas sim um problema real. Ainda no inicio do processo de criação ele foi diagnosticado com transtorno de ansiedade, o que fomentou ainda mais sua necessidade de prosseguir com o estudo. Pois além de uma forma de se expressar, a fotografia se tornou um auxílio.

 

Retratar a ansiedade, além de ser uma forma de mapear o seu transtorno, é um meio de expor à sociedade este problema. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país que tem a maior taxa de pessoas com transtorno de ansiedade no mundo, sendo que 23,9% da população possui este transtorno, o que representa mais de 40 milhões de brasileiros.

O que muitas vezes não é visto como um problema real por ser um transtorno silencioso, incapacita as pessoas e as impede de realizar muitas atividades. “As pessoas não veem esse transtorno como algo sério, as vezes o transtorno sobressai a pessoa, sobressai a real vontade que a pessoas têm. Tem pessoas que não conseguem sair de casa, não conseguem ir para lugares que tem muitas pessoas porque elas travam e isso não é elas, é um transtorno falando por elas, é um transtorno limitando a vida delas.”  como relatou Fernando.

Um de seus objetivos com esse trabalho era este, o de expor o transtorno. Suas imagens causaram desconforto e inquietação no público que esteve em sua exposição, como ele mesmo revelou, e é assim que as pessoas que possuem o transtorno de ansiedade se sentem em ter de conviver com o problema, desconfortáveis e inquietas, nos disse Fernando.

Retratar a ansiedade foi de extrema importância para ele. Por ser um trabalho de pesquisa e experimentações, continuará em aberto podendo se tornar uma nova exposição ou ainda, seguir outros rumos.

Foto: Assessoria de Imprensa UPF

O futuro

Fernando já está se formando no curso de Artes Visuais. Uma trajetória com muitos altos e baixos, mas transformadora.  Seus aprendizados durante os anos de curso o proporcionaram um grande crescimento, tanto como artista quanto como ser humano.

Ele nos diz que pretende seguir estudado, para no futuro retornar a FAC para lecionar. Mas claro, sem jamais deixar de prosseguir suas pesquisas do “Crooked Nature” e suas experimentações dentro da fotografia.

Muitas vezes a vida nos faz seguir por caminhos que num princípio não entendemos ou desconhecemos. Mas nada acontece sem um propósito, sem uma razão. Nossos instintos ou curiosidade, nos guiam por estes caminhos e nos levam ao futuro que, inconscientemente, já buscávamos.

Por isto que o Fernando Stähler Malheiros é um exemplo de quando as coisas são destinadas a acontecer, elas acontecem. Pois o que um dia eram apenas experimentações em fotografia e um gosto pela arte, o levou a se tornar um artista e a ter sua própria exposição de fotografias artísticas.

E o futuro de Fernando? Bom, isto só ele é capaz de nos dizer.