Entrar em livrarias, folhear páginas, sentir aquele cheirinho de papel que só os amantes de livros físicos conhecem. Com a chegada de vários tipos de aparelhos eletrônicos, esse ritual de leitura está se perdendo. No ano passado, a livraria Saraiva, rede centenária de livrarias, anunciou o fechamento de 20 lojas no país. Foi então que o problema se tornou visível: uma crise estava se instalando nesta rede de mercado. Pode-se dizer que essa crise não é de hoje. O volume de vendas de livros vem caindo cerca de 3% ao ano desde 2015.

Seja por praticidade ou falta de dinheiro, muitos leitores preferem ter a sua história salva em um aparelho eletrônico de praticidade. Estudante de letras, Aline Vieira, prefere ler online. O celular virou objeto fundamental na mochila de qualquer estudante, e na da Aline não é diferente. “Eu sempre leio pelo celular, às vezes pelo notebook, mas na grande maioria, quase 100% das vezes, é pelo celular. Então eu posso ler aonde eu estiver, não tem problema. É uma coisa que eu sempre carrego comigo, não me atrapalha em nada e não é um item a mais. E também pelos valores, às vezes eu não tenho condições de comprar os livros físicos”, conta ela.

O preço é um dos fatores importantes para a compra de livros online. No ano passado, entidades do mercado livreiro tradicional, se movimentaram em prol da chama “lei do preço fixo”. Esse tipo de lei, que já existe em vários países como França, Argentina e Portugal, prevê que após um determinado tempo de lançamento da obra, a editora definirá um mesmo valor do livro para ser vendido seja na livraria da esquina, na Saraiva ou no site da Amazon, por exemplo. Fora do mundo digital, ainda há quem aprecie uma caminhada entre as prateleiras de livraria e o cheiro de novas histórias em mãos. Felipe Mafalda Ohse, estudante de jornalismo, prefere ler livros físicos além de ser uma forma de se afastar das tecnologias que utiliza no dia a dia. “Eu acho que o fato de as livrarias estarem fechando se deve muito à questão de que a leitura está deixando de ser um hábito. Mesmo que as pessoas leiam online eu acho que não foi uma transição de todos aqueles que liam o físico e de que grande parte foi para o online e esse mercado está se perdendo. A verdade é que a leitura, no geral, está se perdendo”, comenta ele.

Segundo uma pesquisa da PublishNews, houve uma queda de 17,95% na venda de livros no Brasil no início de 2019. Funcionário da Livraria Mil Folhas, Bruno Corrêa, já sabe qual é a primeira pergunta que muitos fazem quando comenta que trabalha em uma livraria. “Quando falo que trabalho em uma livraria o pessoal pergunta se ainda é vendido bastante livro”, conta ele. Bruno ainda fala sobre a diferença do livro online e físico. “O livro online na verdade você não vai se entreter tanto quanto o livro físico, porque tu vai estar sempre recebendo mensagens e notificações e vai acabar saindo da leitura. Já o livro físico tu compra e pode interagir com ele, rabiscando, fazendo anotações e claro, guardar ele depois”, explica.

 

Mariana Baciquetto e Tatiana Tramontina

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