Ultraconectado. Amante das redes sociais. Essas são algumas das características que definem bem o perfil do internauta brasileiro. O Brasil está no pódio entre os campeões mundiais em tempo de permanência na rede. Segundo dados da Hootsuite e We Are Social, divulgados em janeiro de 2018, o internauta brasileiro fica, em média, nove horas e quatorze minutos por dia conectado. Os números colocam o país apenas atrás da Tailândia, com nove horas e trinta e oito minutos, e Filipinas, com nove horas e vinte e quatro minutos.

Com as redes sociais o brasileiro também figura entre os primeiros. São, em média, três horas e trinta e nove minutos. Portanto, ocupando a segunda posição entre os países que usam por mais tempo essas plataformas, atrás somente dos filipinos, que gastam três horas e cinquenta e sete minutos por dia. 130 milhões de brasileiros utilizam as redes sociais, ou seja, 62% da população. O YouTube é a página na web em que o brasileiro mais passa tempo. Segundo o ranking da SimilarWeb, nós passamos vinte minutos e trinta e três segundos na plataforma. Na sequência aparece o Facebook, onde permanecemos por treze minutos e cinquenta e cinco segundos. O YouTube supera a rede social criada por Mark Zuckerberg no que diz respeito ao percentual de usuários. Dos entrevistados pela Global Web Index, 60% declararam usar a plataforma, contra 59% que disseram usar o Facebook. Em terceiro lugar vem o WhatsApp, com 56%.

Na média mundial a maioria dos usuários do Facebook e do Instagram são homens. Contrariando isso, no Brasil as duas plataformas são dominadas por mulheres. Elas são 54% no Facebook. Já no Instagram, 59%. Dos cinco aplicativos mais baixados no Brasil, quatro são de interação social. WhatsApp, Facebook, Messenger e Instagram foram, nessa ordem, os aplicativos de smartphones com mais downloads no país.

O que para muitos é apenas uma distração, para outros se torna um vício. As redes sociais podem afetar a nossa vida de um jeito negativo. As pessoas param de ver o mundo como ele é e passam a ver através das telas em uma verdadeira corrida atrás de cliques e curtidas. O uso excessivo dessas mídias pode afetar até mesmo na relação entre as pessoas que, por vezes, deixam de manter o contato direto.

Enquete 

Esta reportagem ouviu 30 pessoas sobre as redes sociais que elas mais utilizam. Entre trabalho e lazer, em primeiro lugar, na preferência dos entrevistados aparece o WhatsApp com cerca de 8 horas de uso por dia, na sequência está o Instagram com cerca de 4 horas, o Facebook com 5 horas e por último o Twitter com 10 horas diárias.

 

Quais são as principais consequências do uso das redes sociais? 

De acordo com o professor e sociólogo Ivan Dourado, um dos principais problemas que o uso excessivo das redes sociais pode afetar na relação entre as pessoas é o que se nomeia como apatia social. As pessoas tendem a abandonar o diálogo, o toque, os momentos presenciais e debruçar-se em chats, bate-papos online. Isso inclui as redes sociais, os aplicativos, a grosso modo, qualquer meio digital. “Os aplicativos tem uma grande chance de canalizar muito da nossa necessidade de socialização para a virtualização” explica Ivan. Existe uma distância muito grande entre os costumes das gerações novas e as mais velhas. A geração atual já está nascendo em um mundo onde valoriza-se muito o que é virtual, digital. Bem diferente das últimas gerações, que foram inseridas anos mais tarde. Portanto a geração atual é a que mais aproxima-se da apatia social.

 

As redes sociais afastam ou aproximam as pessoas? 

As redes sociais colocam diante de seus usuários uma via de mão dupla: por um lado podem afastar e por outro aproximar. “Por um lado elas distanciam porque as pessoas param de conviver   de ter a necessidade do convívio presencial”, de onde surge uma substituição por fotos, vídeos, vídeo chamadas, mensagens de texto, mas por outro aproxima porque mantém os laços das pessoas que possam estar distantes. Entretanto, Ivan diz que a grande questão é se a aproximação virtual é uma aproximação efetiva ou se ela é apenas uma forma de comunicação entre as pessoas. É importante refletir se existe uma qualidade para definir como aproximação ou se as redes sociais não seriam um recorte onde, sem perceber, as pessoas perdem os laços de socialização e de troca presenciais.

 

Liberdade nas redes 

Para Ivan, as redes possibilitam uma sensação de liberdade que é falsa. “Na ideia que a gente pode expor a nossa vida e acreditar que não haverá consequências”. O professor cita o exemplo da procura que certas empresas fazem pelo perfil de um profissional a partir do que este expõe em suas redes. Um possível candidato pode ou não ser contratado dependendo do que está postado em seus feeds, por exemplo. Ele diz que existe ainda certa ingenuidade por parte dos usuários das redes, que podem postar seus horários, sua localização, sua agenda, suas fotos em um meio que pode ser visto por “qualquer um” que quiser acessar. “As pessoas ainda não entenderam as consequências das redes sociais”, há, de fato, uma hiperexposição por parte dos usuários que pode ser usada de forma negativa.

 

Andréia de Lima e Emanuel Vieira

 

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