Foto: Reprodução/Internet.

Os olhos atentos à tela do computador. Os dedos ágeis guiam os botões que fazem a mágica acontecer, enquanto os ouvidos ficam em alerta esperando o telefone tocar. A linguagem das ondas sonoras, Itacir Madalozzo conhece muito bem.

Ele começou sua caminhada no rádio há 39 anos na Rádio Aratiba, onde trabalhou até dezembro de 2004. Depois disso foi para Erechim, com o propósito de ajudar a estruturar a Rádio Virtual do seminário da cidade, onde hoje é diretor. Estudou comunicação na década de 80, um curso de férias, para conhecer melhor a área na qual estava prestes a começar. Itacir nunca fez a faculdade de Jornalismo de fato, mas entende a comunicação muito bem.

Foto: Arquivo Pessoal.

Sabendo das dificuldades que os veículos passam atualmente com as notícias falsas, ele concorda que as agências de comunicação trabalham para averiguar a veracidade dos fatos, mas que ainda existem muitos desafios. “Um grande desafio é levar informação de qualidade para as pessoas. A gente que trabalha com comunicação precisa levar informações para as pessoas”, afirma.

Itacir é uma das milhares de pessoas que trabalham como jornalistas sem nunca terem concluído o curso. Mesmo que esse seja seu sonho.

Segundo dados do INEP, mais de 326 mil pessoas se matricularam no curso de jornalismo entre 2009 e 2015. Mas apenas 53 mil concluíram a graduação. De acordo com uma pesquisa da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), em 1970 haviam 18 cursos de jornalismo no Brasil, e em 2010 eram cerca de 320. Mas o fim da obrigatoriedade de diploma para trabalhar como jornalista, tende a influenciar diretamente esses números.

Em 2009, por 8 votos a 1, os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram que o diploma de jornalismo não era mais obrigatório para exercer a profissão. Ao comparar jornalistas com cozinheiros, Gilmar Mendes disse “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por um profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”.

A decisão abriu portas para que vários profissionais começassem a atuar na área da comunicação sem nunca terem concluído um curso de jornalismo. Como o jovem apresentador do SBT Eduardo Camargo, de 19 anos. O jovem considerado um prodígio em sua emissora, não é formado e mesmo assim apresenta um jornal matinal na emissora de alcance nacional.

E para nem todos os jornalistas formados, o diploma foi o divisor de mares em suas vidas. Para Salus Loch, o alicerce teórico foi importante no desenvolvimento de seu trabalho, mas foi a “lida diária” que moldou seu perfil profissional. Para ele “ser jornalista é contar aquilo que muitos querem que não seja dito, pensando sempre na repercussão social que o material possa e deve alcançar”. Salus formou-se em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo em 2003, apesar de atuar na área desde 2000. “Na verdade, iniciei o jornalismo depois que comecei a trabalhar como estagiário na redação do jornal A Voz da Serra, de Erechim. Antes, fazia publicidade e propaganda na UPF”.

Foto: Arquivo Pessoal.

Salus já fez reportagens em mais de 30 países para revistas como a Superinteressante, além de ser colunista no Jornal Bom Dia e escrever para o blog Caia no Mundo. Também escreveu um livro (A Tenda Branca) que retrata a trajetória de uma sobrevivente do Holocausto.

Segundo o escritor, o jornalismo está sendo diretamente influenciado pelas novas mídias, e cabe as empresas e profissionais da área se adaptarem as mudanças. “O jornalismo, assim como diferentes setores da sociedade, está sendo afetado e influenciado pelas novas mídias. O futuro das empresas e profissionais da área passa pela capacidade de adaptação a este novo momento e, acima de tudo, a manutenção/construção de uma identidade sólida e respeitável. Exemplo: sua empresa, nome ou marca deve ser referência quando alguém quiser saber se determinada notícia é fake, ou não, funcionando com uma espécie de ‘porto seguro’. Se o leitor/internauta/telespectador vier e se ‘socorrer’ contigo, você está fazendo a coisa certa”.

Cabe aos jornalistas, tanto formados quanto não formados, cumprir seu papel para com a informação e a veracidade. Para auxiliar no futuro do jornalismo, e nos rumos que este tende a seguir, em meio aos desafios da profissão. É visando a valorização do Jornalismo que a UPF criou a Campanha Pela Valorização do Jornalismo. Você acompanhá-la nas redes sociais da Universidade.

Jordana Wustro e Gabriele Pereira.

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