Foto: Internet.

Vivemos em um sociedade com excesso de informação, mas nem por isso sempre temos acesso às informações importantes, ou melhor, verdadeiras. Basta um clique para todo mundo compartilhar o que não deveria ser compartilhado. As notícias falsas, chamadas de fake news, estão por toda a parte, e é por meio da internet que elas são espalhadas. Com o poder de chamar a atenção do leitor, essas notícias são repassadas rapidamente fazendo com que a população, principalmente com menor escolaridade e que fazem das redes sociais fontes de informação, as carimbem como verdadeiras.

O termo “fake knews” cresceu entre as pessoas em 2016, quando conteúdos falsos sobre a candidata à presidência dos Estados Unidos, Hilary Clinton, passaram a ser intensamente compartilhados por eleitores de Donald Trump. Mas, muito antes de o jornalismo ser prejudicado pelas fake knews, já existia a propagação de informações falsas. Escritores, com problemas amorosos e desafetos, expunham histórias inverídicas em suas obras. Segundo uma pesquisa do jornal Folha de São Paulo, de 2017 a 2018, veículos de comunicação tradicionais tiveram uma queda de 17% em seu engajamento, enquanto que propagadores de notícias falsas tiveram um aumento de 61%.

É fácil se enganar. Muitas páginas que produzem e divulgam esse tipo de informação costumam misturar publicações falsas com notícias verdadeiras vindas de fontes confiáveis. Mas, com esse mar de informações, como saber qual é verdadeira? O fact-checking chegou para ajudar os leitores a não acreditem em tudo o que está exposto nas redes. Com o intuito de checar fatos e confrontar histórias com dados e registros, o fact-checking é uma forma de qualificar as informações que chegam ao leitor. Há alguns anos, essa atividade não era um nicho específico do jornalismo. A ação de apurar dados sempre foi algo necessário, e diário, no processo de escrita de uma reportagem.

O fact-checking hoje é uma especialidade do jornalismo e inspirou a criação de diversas agências que, atualmente, estão espalhadas por todo o mundo – são pelo menos 114 times de checagem de fatos em 47 países. As agências surgiram da urgência que muitos jornalistas viam em fazer uma apuração mais minuciosa dos fatos, e não simplesmente replicar falas, informações e dados como fatos. Então estamos salvos? O fact-checking pode mudar o rumo das notícias falsas? Tiago Lobo, jornalista e fundador da agência Filtro, defende que a atividade de checagem não é uma solução, mas sim um paliativo. “Em momento nenhum o fact-checking se coloca, ou tenta substituir, a cobertura jornalística tradicional. Eles se somam”, diz ele lembrando que por mais que, atualmente, existam profissionais focados apenas na checagem, a atividade também é dever do jornalista na hora de escrever a matéria. Tiago ainda fala em como educar a população para saber lidar com as inverdades que surgem. “Não são os jornalistas, apenas, que deveriam estar pensando em educar as pessoas para isso. Nosso Ministério da Educação deveria estar pensando nisso, em educar para a mídia. Educar para a mídia não é somente saber diferenciar a notícia verdadeira da falsa. Existe uma diferença em um erro jornalístico e em um conteúdo embalado como notícia para prejudicar um processo eleitoral, por exemplo”, falou ele lembrando dos últimos casos políticos aonde as fake knews apareceram fortemente.

Estar atento às informações que se consome é essencial. Procurar por veículos de confiança e analisar os fatos é o início do combate às fake knews. Por mais que essa realidade esteja longe de acabar, a informação é essencial ao exercício da cidadania. A população necessita de acesso a informação, mas mais importante que isso, é que ela tenha contato com informações verdadeiras.

Milena Mezalira e Tatiana Tramontina

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