Se conhecer. Este é o princípio ideal para gerar a autoaceitação, autoconfiança e autoestima em cada mulher. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017, a baixa autoestima atingia 20% da população mundial, isso significa que, de 6,1 bilhões de pessoas, 1,22 bilhões sofrem com problemas de depreciação. Muitas vezes, a baixo autoestima não pode ser necessariamente controlada, como no caso de doenças e de violência contra a mulher.

Para mudar estes índices, auxiliar quem necessita de uma palavra de incentivo e ainda resgatar a autoestima, mulheres buscam cuidar o lado externo de si mesmas. E aí, vale de tudo para se sentir empoderada. Sendo que, o caminho mais viável para uma autoavaliação positiva é o autoconhecimento.

Em Passo Fundo, um grupo de 13 voluntárias se reúne para levar mais autoconfiança às mulheres de bairros carentes da cidade. O projeto ‘Terapia do Amor’, realiza atividades de que incluem fazer a unha, o cabelo e as sobrancelhas de pessoas que não tem condições financeiras para ir ao salão de beleza. “Nos últimos três anos o grupo está mais ativo, pois além do trabalho beneficente, nós vamos nas praças para evangelizar. Assim ressaltamos que o mais importante é o interior”, comenta Vanda Teixeira, uma das voluntárias.

Em termos financeiros e em formação pessoal a área da beleza é muito gratificante

No domingo, dia 19 de maio, o grupo foi ao lar de Idosos da São José, na Lucas Araújo. As agentes da comunidade trabalharam toda a questão da estética e autoestima das idosas. “Nós vemos o brilho no olhar dessas pessoas, é uma realização pessoal fazer esse trabalho junto à comunidade”.

Além disso, há 16 anos, Vanda, que também a cabeleireira profissional, trabalha com estética e beleza feminina no salão Waldo Cabeleireiros, em Passo Fundo. Formada em Educação Física, ela já gostava de ir aos salões, então após 11 anos trabalhando na área como personal, não pensou duas vezes quando surgiu a oportunidade de trabalhar em um salão de beleza. “Me apaixonei pela área da beleza. Eu que já gostava de me arrumar no salão, passei a arrumar as pessoas e hoje sou sócia do salão. Aqui trabalhamos também com a autoestima das mulheres, pois eu vejo que o interior de muitas delas depende do exterior, como elas estão”, afirma Vanda.

O grupo realizou atividades de beleza e de evangelização com as idosas

Autoestima
Um dos grandes motivos pela baixa autoestima das mulheres, está relacionado aos tratamentos de câncer. Um processo que demanda tempo, dedicação e força de vontade. Neste tempo, especialmente durante a quimioterapia, muitas mulheres perdem os cílios, sobrancelhas e cabelos, podendo adquirir também olheiras fortes por causa da doença. No Brasil, o câncer de mama, considerado o mais comum e que mais afeta as mulheres, há um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres. Para cada ano do biênio 2018-2019, estimam-se 59.700 casos novos de câncer de mama. As estimativas, são da última pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Apesar dos índices elevados de novos casos de câncer de mama, aumentou-se a sobrevida de mulheres com a doença nos níveis mais avançados. O que já foi uma dura sentença no passado, toma a forma de uma doença que pode ser encarada cada dia mais com esperança. Nos casos mais graves, quando a doença se espalha da mama para outros órgãos, a possibilidade de um tratamento bem-sucedido passou de 20% para 40%. Para o tumor combatido num estágio inicial, então, as chances de sucesso alcançaram quase 100%. Fabiana Makdissi, diretora do Departamento de Mastologia do A.C. Camargo, onde se realizou a pesquisa, explica que uma atenção personalizada a cada subtipo de tumor, à fase em que a doença se encontra e à qualidade de vida que se busca para cada paciente, sem descartar, naturalmente, o avanço da medicina.

Vanda comenta que no salão vão várias pessoas com histórias de vida, situações e problemas diferentes. Além de profissionais da beleza, elas se tornam psicólogas, e terapeutas. No dia-a-dia é difícil não se emocionar com algumas destas histórias. “Quando as mulheres com câncer vêm aqui para cortar o cabelo, a gente acaba se envolvendo emocionalmente também. Porque sabemos que o cabelo é um ponto de beleza importante para as mulheres, então elas vêm aqui, contam o que tão passando e nós nos emocionamos também”.

 

Para finalizar, a cabeleireira deixa um conselho: “Acho que todas as pessoas passam por situações difíceis na vida e muitas vezes nós achamos que estando com uma aparência “feia”, achamos que não seremos percebidos e aceitos. Minha dica é que a nossa beleza vem primeiro do interior, você deve se amar como mulher, como ser humano, como pessoa acima de tudo. Então o meu conselho é cuidar primeiro do interior, e como consequência da aceitação própria, o amor próprio é refletido para a exterior da pessoa.”

Aqui trabalhamos também com a autoestima das mulheres, pois eu vejo que o interior de muitas delas depende do exterior, como elas estão.

Larissa Schäfer e Patrícia Carvalho

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