Foto: Contato Rural.

Uma das principais atividades econômicas da região está se preparando para mais uma safra. O “inverno” para a agricultura é diferente do calendário tradicional. Enquanto a estação do ano vai de 21 de junho a 23 de setembro, o período para as culturas de inverno dura de maio até novembro.

Logo após a colheita da principal semeadura de verão na região, a soja, em fevereiro, muitos agricultores planejam as culturas de inverno. Um exemplo é o agricultor de Não-Me-Toque Lauri Muller, que todos os anos planta trigo.

“Dentre todas as plantas, o trigo é a minha principal fonte de renda. A expectativa é que nessa semana encerremos a plantação. Depois acompanhamos o desenvolvimento para não ter doenças e colhemos pelo mês de outubro”, declarou.

O trigo é a principal atividade nesta época do ano na região de Passo Fundo. A gramínea atinge cerca de 7% da área da região e o seu preço depende do peso hectolítrico, ou seja, quantos quilos de trigo cabem em cem litros, variando na casa dos R$40 por saca.

De acordo com Oriberto Adami, gerente regional da Emater de Passo Fundo, a safra de trigo deve obter resultados parecidos com os do ano passado:

“O trigo tem se mantido estável nos últimos anos, se variando muito pouco, até em função de diversos fatores, como o preço, que não tem sido muito atrativo”.

Oriberto Adami, gerente regional da Emater Passo Fundo (Foto: Pedro Borghetti).
Oriberto Adami, gerente regional da Emater Passo Fundo (Foto: Pedro Borghetti).

Na opinião de Adami, para que a cultura tenha um bom rendimento, o clima é determinante:

“As culturas no início do ciclo até o início da floração precisam do frio. Se for muito chuvoso, com tempo complicado, prejudica bastante. Quando isso ocorre lá na fase de formação do grão ou na fase de colheita, surgem muitas doenças. O excesso de chuvas provoca uma queda de padrão de qualidade nos grãos, principalmente no trigo. O frio no início, com baixa umidade, antes da fase de espigamento, favorece”, concluiu.

Além do trigo, também é cultivado na região a cevada, a aveia e a canola. Tanto a cevada quanto a canola, tiveram aumento nos últimos anos das áreas destinadas ao cultivo na região, devido a indústria cervejeira e a produção de biodiesel na região. A cevada é plantada no outono para ser colhida no final do verão. Já a canola é um cultivar que tem um custo mais barato de hectare, sendo uma alternativa econômica para os agricultores, tendo o seu grão colhido no início do mês de outubro.  

PREVISÕES PARA O INVERNO DE 2019

O mau tempo tem atrasado o plantio. O mês de maio (período do início do cultivo de inverno) fechou com 245 mm de chuva (mais que o dobro da média histórica para o mês). Para 2019, a Emater estima que o cultivo do trigo ocupará 739.404 hectares (ha), um aumento de 4,12% em relação a 2018. Mas esse aumento não se refletirá na produtividade; a entidade prevê uma redução de 11,21% na média da região, passando das 41 sacas/ha colhidas no ano passado para 36 sacas/ha. Como consequência disso, há previsão de redução no total colhido no RS: de 1,753 milhão para 1,620 milhão de toneladas (redução de 7,54%).

Vários motivos contribuem para a expectativa de redução no cultivo do trigo:

– A combinação solo descoberto e excesso de chuva acabam reduzindo os nutrientes do solo;

– O atraso no plantio, também motivado pelas chuvas, mas também pela instabilidade econômica, pela incerteza do mercado, fazem com que alguns produtores optem por outras culturas, como o nabo forrageiro, utilizado como alimento para o gado;

Plantação de Nabo Forrageiro em Selbach (Foto: Daniel Oliveira).

Outras culturas também já têm previsões para esse inverno:

– A aveia branca grão apresenta expectativa de aumento de área de 5,28% para esta safra, passando para 299.866 ha (em 2018 foram cultivados 284.826 ha), totalizando uma produção de 601.532 toneladas de aveia em todo o RS;

 

Plantio de Cevada em Ibirubá (Foto: Daniel Oliveira).

– Também existe uma intenção de aumento de área no cultivo da cevada, passando para 42.414 ha. Porém, é esperado uma redução de 7,16% na produtividade do grão, ficando em 2.073 kg/ha e, consequentemente, da produção (-5,82%), que deverá atingir 87.929 toneladas, contra as 93.362 toneladas na safra passada.

 

 

 

Plantação de Canola em Ibirubá (Foto: Daniel Oliveira).

– Já a canola terá redução de área de 2,42%, diminuindo as expectativas de produtividade em 6,56% e de produção em 8,84%, projetando para esta safra uma produção de 41.238 toneladas de canola.
Eugenio Siqueira e Pedro Borghetti

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