Decoração típica da Holanda | Foto: Pedro Borghetti

Dentre as inúmeras culturas que, através dos imigrantes, construíram e transformaram a região do Planalto Médio destaca-se a holandesa. Em meados da década de 40, a então chamada “Colônia Nova do Alto Jacuhy”, hoje Não-Me-Toque, começou a receber imigrantes de vários países (alemães, italianos e holandeses), que vinham em busca de áreas para a agricultura, já que a região passava por uma crise agrícola e o preço das terras estavam abaixo do normal para a época. Além disso, os holandeses viam uma oportunidade de aliar a boa terra às técnicas agrícolas trazidas por eles.

Outro motivo que trouxe os holandeses para o norte do Rio Grande do Sul foi a fome, a miséria, o desemprego e a devastação causadas pela Segunda Guerra Mundial. Um das primeiras famílias a chegar foi a de Harrie Johannes Stapelbroek, em 1949. Ainda hoje permanece viva na sua memória as lembranças da Holanda devastada pela Guerra: “Eu tinha cinco anos, uma imagem horrível. Uma imagem que não se apaga”.

Imigrantes holandeses. (Foto: Divulgação/Associação Holandesa).

Cerca de seis mil holandeses migraram para o Brasil nessa época, trazendo consigo animais, tratores, máquinas agrícolas e técnicas agrícolas que não existiam no Brasil até aquele momento. Eram os primeiros passos da Agricultura de Precisão e do Plantio Direto, técnicas que revolucionaram a agricultura no mundo. Nos anos seguintes, famílias organizaram-se nas primeiras empresas de implementos agrícolas: Stapelbroek e Rauwers (Stara) em 1953 e Gerrit Jan Rauwers (Jan) em 1960.

Mesmo longe da terra natal, os holandeses tinham a necessidade de cultivar os costumes. Danças, culinária, artesanato e jogos eram relembrados nos encontros que fizeram surgir a Associação Holandesa em setembro de 1955. Hoje estes costumes continuam vivos graças as festas que cultuam as tradições:

Zeskamp: no holandês significa seis campos. Na prática é uma festa que reúne seis colônias holandesas no Brasil (Holambra I e Holambra II em São Paulo; Arapoti, Castrolanda e Carambeí no Paraná e Não-Me-Toque no Rio Grande do Sul). Há cerca de 40 anos, disputas esportivas servem integração entre imigrantes e descendentes de holandeses.

Oranjefeest: o 5 de maio é um dia especial para a cultura holandesa. Os holandeses vestem-se de laranja e comemoram o Dia do Rei da Holanda e a Libertação da ocupação nazista em 1945.

Dança holandesa na Natal Étnico de Não-Me-Toque (Foto: A Folha do Sul).

Mas, mais do que nas festas, a cultura holandesa está presente em cada canto de Não-Me-Toque. O monumento ao ano da Holanda no Brasil, que retrata um casal de imigrantes e monumento ao cinquentenário da imigração holandesa (instalado na Praça Central em 1999), que traz um arado e uma cruz sobre os dizeres Met Kruis en Ploeg (com a cruz e o arado) exaltam o valor do trabalho e da religião para o povo holandês.

Monumentos Históricos. (Fotos: Pedro Borghetti)

A culinária típica está presente no dia-a-dia dos não-me-toquenses. O stroopwafel (waffle holandês), a appeltaart (torta holandesa de maça) e kruimeltjes vlaai (torta de manteiga) fazem sucesso entre os moradores e os visitantes. Anna Souilljee, de 79 anos, chegou ao Brasil com 15 anos e trouxe na bagagem a receita da famosa torta de manteiga: “A sobremesa é fácil de preparar e faz sucesso nas festas da cidade. É uma herança de família”.

Pratos típicos holandeses (Foto: Divulgação/Associação Holandesa).

A presença holandesa é, literalmente visível. Na arquitetura, com casas típicas que resistem ao tempo e contam a história da cultura. A Casa dos Imigrantes, localizada na Praça Central, é um exemplo do estilo holandês. Nas casas vemos pratos de parede, tulipas, cortinas rendadas, tamancos ornamentais e moinhos de vento nos jardins floridos que reforçam os hábitos e exaltam os valores e a cultura holandesa.

 Eugenio Siqueira e Pedro Borghetti

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