Megumi Sato Tanabe tem descendência japonesa, mas nasceu em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Seus pais são imigrantes japoneses que vieram para o Brasil em um momento em que o Japão passava por uma crise. Eles acreditavam que no Brasil teriam melhores condições e novas oportunidades para viver bem.

Cultura japonesa em casa

Os pais de Megumi sempre fortaleceram a cultura japonesa em casa. Da língua à mobília. Megumi conta que desde a infância seus pais já se comunicavam em japonês em casa, com isso ensinaram a ela sua língua materna e a cantar. Atrelado a isso, a leitura e a escrita japonesa, “quando eu era criança, minha mãe sempre dava um jeito de ensinar a língua japonesa, enquanto preparava a comida ou fazia algum trabalho manual”, conta. A culinária sempre foi um ponto forte dentro da tradição da família, “minha mãe fazia comidas típicas japonesas como sushi, nimono, misoshiru” diz Megumi, inclusive faziam seus alimentos com ingredientes e temperos tradicionais como shoyo, miso. Ainda relembra que na casa de seus pais comiam a comida com os hashis, que são pauzinhos, geralmente de madeira, que servem como talheres. Uma prática que, inclusive cultiva até hoje.

Megumi lembra que quando era criança, seus pais a levavam para assistir e participar de eventos relacionados à cultura, e que eram realizados anualmente na cidade de Porto Alegre. Um desses eventos é o undokai, que trazia uma mostra da cultura japonesa a partir dos esportes. Onde os participantes realizam atividades e gincanas esportivas para competir entre si. Esse evento é muito conhecido e praticado no Japão.

Atualmente Megumi conserva as tradições com práticas que aprendeu com seus pais. Ela diz que “é muito importante manter as tradições para não se perder no tempo, então, em casa temos a TV à cabo japonesa em NHK – NHK World é o serviço de rádio e televisão internacional da empresa estatal japonesa. Seu filho e seu marido praticam artes marciais e a família faz conversações em japonês em casa.

Uma cultura dentro da outra

A cultura japonesa é bem marcada pela sua singularidade. Os japoneses possuem características e costumes que se distinguem completamente da cultura brasileira.  Quando a cultura japonesa se insere no Brasil a partir da chegada dos imigrantes, um pouco deles se mistura com nós e um lado acaba por influenciar outro. Existem diversos festivais e espaços no Brasil que são dedicados ao Japão. Em Passo Fundo, por exemplo, anualmente acontece o Anime Tchê, que é um evento que reúne crianças e adultos cujo ponto em comum é a admiração pela cultura geek, nerd e, principalmente, que está vinculado à cultura japonesa e oriental, com produtos que falam sobre animes, que são animações japonesas, musicas, danças.

“É muito importante manter as tradições para não se perder no tempo”.

Megumi concorda que existe uma admiração por parte dos brasileiros quando se fala em cultura japonesa. O que o povo japonês traz ao Brasil chama a atenção, “disciplina, tradição, valores, perseverança” são algumas das características mais marcantes do imigrantes japoneses.

Dos costumes praticados no Brasil, Megumi lembra alguns que tem sua base voltada aos valores advindos do Japão: “espiritualidade oriental a partir das artes marciais, festivais japoneses” práticas de “origami, que é a arte de dobrar papéis, bonsai, que é a conservação de árvores em miniatura.

Já no campo da moda, as sandálias brasileiras de dedo foram inspiradas nas tradicionais sandálias japonesas zori, o hábito de consumir hortaliças nas refeições no Brasil é um costume herdado dos primeiros imigrantes japoneses. Muitas técnicas de plantio de frutas e que hoje estão inseridas na mesa do brasileiro foram trazidas pelos imigrantes. O consumo de chá verde também pode ser atrubuído aos imigrantes. O bairro da Liberdade, em São Paulo, é um bairro tipicamente japonês, considerado um ponto turístico. Pratos tipicamente japoneses como sushi, sashimi, yakisoba, temaki. Enfim, o Brasil recebeu várias influências da cultura japonesa que se misturam e modifica a cultura nacional”.

 

Amanda do Nascimento e Andréia de Lima

 

 

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