Dona Rosa e os seus filhos em momento de casa cheia.

Os imigrantes italianos chegaram ao Brasil há cerca de 140 anos e apesar do processo de colonização ter iniciado antes, 1875 ficou conhecida como uma data simbólica do começo dessa atividade no Brasil. Eles criaram uma cultura própria que permanece até hoje e os diferencia dos demais habitantes do país. As tradições e os costumes trazidos por eles, como a comida, a língua e a religiosidade, são a alma de muitas cidades no interior e na Serra do Rio Grande do Sul.

O resgate da cultura italiana também atrai turistas do Estado e do Brasil, que procuram conhecer um pouco mais dessa tradição. Um dos passeios é percorres os parreirais de Bento Gonçalves em um tuc-tuc, carro antigamente utilizado para o transporte da uva. Já no inverno, entra para o cardápio a “sapecada do pinhão”. Em uma fogueira, o alimento é assado assim como os antigos fazia nos intervalos dos cuidados na roça. O lanche que os imigrantes costumavam fazer nos parreirais, com pão, queijo, salame, polenta, geleia, vinho e suco de uva, agora também é oferecido aos turistas.

Na casa da família Mariga, em Erechim, a dona Rosa de 73 anos, mãe de 6 filhos, não vê a hora para que todos se reúnam em torno da mesa, para confraternizar em família. Infelizmente dona Rosa é viúva, seu marido faleceu já fazem 6 anos. Mas a alegria na casa permanece.  Enquanto todos conversam na cozinha, ela é quem comanda o fogão.

“Eu gosto muito quando toda a família vem aqui em casa, os bisnetos, os netos, e os filhos. A casa se enche de alegria”, conta dona Rosa.

Os pais de dona Rosa vieram da Itália com o objetivo de organizar sua família e contribuir com seu trabalho para formar uma nova cultura, que segue até os dias atuais. Junto com os outros agricultores aqui chegados, deram ao Rio Grande do Sul a marca da sua dedicação à terra, de sua fé, de sua alegria de viver, com vida, costumes e tradições próprias.

Flores da Cunha, Garibaldi, Antônio Prado, Serafina Corrêa, Caxias do Sul e Bento Gonçalves são algumas das cidades que mais resguardam as tradições italianas. Um forte apelo turístico desses municípios é a preservação das tradições culturais herdada pelos imigrantes. Na área rural, as pequenas colônias são produtoras de licores, queijos, vinhos e outros produtos coloniais.

No Rio Grande do Sul, em torno de 71 mil brasileiros possuem cidadania italiana e o número de descentes de imigrantes italianos que desejam obter seu passaporte europeu não para de crescer.

Não só na região Sul do Brasil estiveram os imigrantes italianos. A corrente migratória foi de notória expressividade no Brasil. Ocuparam todas as regiões do país, até mesmo locais longínquos como o Amazonas. A influência da cultura e da presença italiana está expressa, entre outras coisas, na grande quantidade de sobrenomes italianos existentes no Brasil.

 

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