Família Castillo chegou ao município no início de novembro de 2018 Foto: Gerson Lopes/O Nacional

Em meio à crise venezuelana, uma família imigrante encontrou em Passo Fundo a possibilidade de melhores condições de vida. Acolhidos e orientados pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os Castillos chegaram no município em novembro do ano passado. De acordo com o bispo Jean Trage, o trabalho da igreja inicia ainda em Boa Vista, no estado de Roraima. A cidade é ponto de concentração dos imigrantes que cruzam a fronteira para o Brasil. Lá, as famílias são selecionadas e encaminhadas para outros estados do Brasil. No início de maio, em apenas um dia, 848 imigrantes venezuelanos passaram pelo posto de triagem na cidade fronteiriça.

Pressionados pela dificuldade em comprar comida, os Castillos foram deixando a cidade de El Tigre, na Venezuela aos poucos. A primeira a cruzar a fronteira para o Brasil foi Margelys, 43 anos. Acompanhada da mãe, sobrinho e cunhado, ela chegou em Boa Vista em 31 de agosto de 2017. “A situação lá ficou muito difícil. A gente fazia uma refeição por dia”, conta. No Brasil, ela conseguiu emprego como costureira em uma empresa de confecções. Parte do salário era enviado à Venezuela para o restante da família, em El Tigre. Com ajuda da igreja, ela conseguiu alugar um apartamento para receber o restante dos familiares.

O objetivo do marido de Margelys, o venezuelano Alfredo, explica também que desde que chegou no Brasil, a ideia era de arrumar um emprego para sustentar a família. “A cidade é boa, o lugar é bom, só precisava trabalhar”. Ele, que é técnico superior em mecânica, comenta feliz que ainda em janeiro já havia conseguido um emprego em limpeza e serviços gerais. Junto com o casal, estão na casa, a filha, de 24 anos, outros dois filhos, de 12 e 17 anos, e um sobrinho, de 22 anos. Os filhos, que recomeçaram os estudos em fevereiro, explicam que a adaptação, especialmente da língua, está em progresso, mas brinca que os gestos dos sinais ajudam bastante no processo de comunicação.

“A situação lá ficou muito difícil. A gente fazia uma refeição por dia”

A Igreja recebe os estrangeiros e tenta ofertar o máximo de apoio possível. Os membros conseguem montar toda a casa, através de doações da comunidade. Além disso, até que os imigrantes sejam autossuficientes, é pago o aluguel e as despesas básicas, como água, luz e alimentação. A orientação e encaminhamento para que eles consigam vagas de trabalho, também é uma das atribuições realizada pela Igreja. “Nós estamos abertos para receber mais grupos de famílias que venham para Passo Fundo”, ressalta o bispo da IJCSUD. Até dezembro do ano passado, aproximadamente 850 venezuelanos desembarcam no Rio Grande do Sul, se abrigando em diferentes cidades do Estado, como Porto Alegre, Viamão, Santo Antônio da Patrulha e Chapada.

Crise na Venezuela

A cada semana, as crises política, econômica e humanitária que a Venezuela enfrenta parecem se agravar. A situação já se estende desde 2013. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB per capita do país caiu mais de 35% entre 2013 e 2017 e a hiperinflação chegou em 1.350.000% no ano passado. Como resultado da crise, uma nova crise, essa de caráter humanitário, surgiu para assolar a população, que sofre com a escassez de itens essenciais, principalmente de remédios e alimentos.

Margelys tenta acompanhar a situação de seu país, mas a distância não ajuda. Segundo os relatos dos familiares que ficaram no país venezuelano, não houve muitas mudanças desde que saiu de lá. Porém, é uma questão de tempo até que os problemas econômicos impactassem os índices. Hoje, 48% da população venezuelana vive em condições de pobreza. Agora, estabilizados em Passo Fundo, a incerteza da família Castillo de voltar para o país de origem, ainda é grande. “Não quero voltar agora não, gostei do Brasil. Quero ficar um bom tempo por aqui”, reponde alegremente a venezuelana.

*Com dados do G1 Rio Grande do Sul e Roraima

Leandra Felipe/Agência Brasil
Com a crise, os venezuelanos enfrentam desabastecimento no país

 

 

Larissa Schäfer e Patrícia Carvalho

 

 

 

 

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