A população alemã está entre as que mais perseveraram sua colonização no Brasil. Desde os séculos XIX e XX, o país recebe imigrantes alemães. Entre 1824 e 1972, cerca de 260.000 alemães entraram no Brasil, a quinta nacionalidade que mais imigrou para o país, após os portugueses, italianos, espanhóis e japoneses. A chegada no Brasil foi, por sua grande maioria, pelo sul e sudeste do país. 

E seu grande êxito na colonização pode estar na localização escolhida como moradia. Os alemães escolheram, por sua maioria, a região das missões, no noroeste do Rio Grande do Sul. O que prova sucesso dessa colonização são os números de descendentes deixados por esse povo. Em 2004, segundo o Deutsche Welle, eram 5 milhões de brasileiros descendentes de alemães. Uma pesquisa mais recente, feita pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA) em 2016, 1.525.890 ou 3,3% da população brasileira tinha seu único ou segundo sobrenome de origem alemã. 

Sobrenomes que, muitas vezes, podemos até reconhecer ao ouvir. Casos como os de Ana Hickman, Gisele Bünchen, Gustavo Kuerten, Lya Luft e o ex técnico da seleção brasileira, Carlos Caetano Bledorn, mais conhecido como Dunga. Celebridades brasileiras que nasceram, com exceção do tenista Gustavo Kuerten, em solo gaúcho. 

Mas, por que tantos alemães vieram parar no Brasil? Os motivos são variados e dependem do período em que ocorreram. Por exemplo, o período inicial de imigração, alemães, assim como portugueses, italianos e espanhóis, viram no Brasil uma excelente condição para imigrantes. Já no século passado, as guerras foram as grandes responsáveis para que os alemães viessem parar no Brasil. Muitos fugidos, inclusive. 

Também fugido do país germânico, o bisavô de Gilmar Luís Kraemer chegou ao Brasil. Por ser judeu, ele achou no Brasil uma oportunidade para sobreviver ao holocausto. E passou por muitas dificuldades durante a viagem. “Meu pai me contou que meu bisavô levou em torno de três meses pra chegar ao Brasil. Demorou tudo isso por que quando eles estavam chegando, uma tempestade fez o navio voltar alguns km”, conta Gilmar. Segundo ele, o dia da chegada a costa brasileira foi comemorado durante anos como feriado para os alemães. Mas, com o passar do tempo, a data se perdeu e hoje nem Gilmar se lembra. “Não lembro da data exata de chegada, acho que nem meu pai deve lembrar”. 

Já os bisavós de Marcia Knol Kraemer, assim como parte dos imigrantes que chegam ao Brasil, os bisavós para o Brasil tentar uma vida melhor. Transportados de navio, vindos já extinta Prússia (hoje, território pertencente a Alemanha, Letônia, Polônia, entre outros) levaram três meses para chegar a costa brasileira. Os bisavós de Marcia, junto com outros milhares de alemães, desembarcaram por volta dos anos de 1900. Marcia conta que seus bisavós passou por grandes dificuldades durante os mais de 90 dias de viagem. “O que eu sei da vinda da minha bisavó é que ela passou muita dificuldade na vinda, perdendo até amigos na viagem. Os corpos das pessoas mortas eram jogados no mar”, lembra Marcia. 

E a cultura alemã segue influenciando os casal. A famosa cuca com linguiça não pode faltar no cardápio da família. Gilmar, até hoje, conversa com seus pais em alemão. “Quando vou visitar eles (seus pais moram em Alegria, interior do RS), é quase natural conversar com eles em alemão. Começa falando em português e quando percebo já estou falando a língua alemã”, afirma Gilmar. 

Cuca com linguiça, tradicional gastronomia alemã
Cuca com linguiça, tradicional na gastronomia alemã Foto: Divulgação

Já Marcia, afirma que hoje em dia a cultura germânica não esta mais tão presente no seu cotidiano. “Quando entramos na escola já passamos a aprender português e a cultura brasileira, a partir daí já passamos a deixar um pouco de lado a cultura alemã” reconhece Marcia. Porém, quando criança, o primeiro idioma que aprendeu foi o alemão. “Eu participava, até mesmo, de cultos que eram totalmente em alemão”, lembra Marcia.

O filho do casal, Luís Fernando Kraemer, carrega poucas descendentes alemães. Assim como os pais, quando criança, Luís falava algumas palavras em alemão. Mas ao ficar longe dos avós e entrar no colegial, acabou deixando para trás a cultura germânica. Porém, a gastronomia e a música alemã permanece com Luís Fernando.

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