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Até poucos anos a maior parte da população brasileira vivia no meio rural, nas ultimas décadas o processo de urbanização acelerou e por voltada da década de 1960 e 1970 a maioria dos brasileiros se mudou para as cidades. Estima-se que de a cada 10 brasileiros apenas quatro vivem no meio rural. Segundo dados da Embrapa o êxodo rural foi responsável por 17,4% do crescimento populacional das cidades. Durante o período de 1970 e 1980 deu-se a maior migração do campo para os centros urbanos, cerca de 12.489.278 (30,02%) de migrantes saíram das zonas rurais em busca de condições melhores de vida. Estima-se que dos 191 milhões de brasileiros, apenas 29.8 milhões ainda vivem no meio rural, ou seja, apenas 15,6% da população brasileira. A maioria esta concentrada no Nordeste do país, cerca de 14,3 milhões.

Nas ultimas décadas, o êxodo rural diminuiu em números de migrantes devido à baixa renda no meio urbano. Investimentos na agricultura irrigada e nos seus polos de produção de grãos, além das políticas de transferência de renda, são altamente recomendados para manter o ruralista no campo, e, assim, impedir que seu potencial migratório se concretize muito rapidamente. Em todo o Brasil, investimento no agronegócio é fundamental para aumentar a renda dos agricultores e tornar a vida no campo em condições de se opor às luzes das cidades.

Também segundo a EMBRAPA com dados do IBGE, afirma-se que no país, a concentração da produção em poucos estabelecimentos é enorme, a ponto de somente 29,3% dos estabelecimentos terem tido participação ativa na produção. E desses 27.434 (0,5% do total) produziram 51,0% do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP).

Para o professor pesquisador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária e da Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo Fundo, Benami Bacaltchuk o êxodo rural reflete bem as necessidades e o desenvolvimento social presentes nos dias de hoje.

Como começou o êxodo rural?
Em lugar nem um é dito que o ser humano nasceu para ter um trabalho repetitivo, isolado, pesado e mal remunerado. Originalmente o homem nômade vivia de uma caça e coleta de subsistência, vagando onde havia caça abundante, frutas, castanhas, raízes e folhas comestíveis. A primeira percepção de organização social foi à consolidação do conceito de família, consequentemente tribos, posteriormente, vilas, povoados, cidades, estados, países e impérios. Os impérios na consolidação de seu domínio se expandiram conquistando os povoados e cidades de outros países e saqueado o que era mais necessário, as vilas e residências das famílias que viviam no espaço rural onde dispunham de excedentes de grãos e animais para alimentarem seus exércitos, assim como homens e mulheres para escravizar ou matar. Grande parte da população camponesa se refugiou nos centros urbanos protegidos por muros e os campos se esvaziaram. Este foi o primeiro êxodo rural comprovado historicamente. Duas coisas ocorreram, não havia produção de alimentos suficiente para a população das cidades e não havia espaço suficiente dentro do perímetro urbano e murado. Fome e doenças foram a consequência. Este fenômeno estimulou migrações em massa, busca e descobrimento de novos espaços, América, Oceania, inúmeras outras ocupações e o crescimento de uma sociedade rural imensa. Este período de originou o processo de colonização com dois sentidos o das conquistas e dominação e o da colonização através de programas de ocupação de espaços produtivos com ou não a transferência da propriedade para o ocupante. Revolução industrial no século XVIII na Europa, ocupação do Oeste Americano no século XIX, e ocupação do Brasil Central na segunda metade do século XX.

O êxodo rural no Brasil foi mais intenso entre as décadas de 1960 e 1980, período que se acentuou o processo de urbanização no país. Quais as causas para o êxodo rural no Brasil?
As primeiras ações que antecederam o êxodo rural foram ocupações de terras próprias ou como arrendatários, parceiros (meeiros) ou empregados. Na década de 1960, no mundo, ocorreu um fenômeno tecnológico denominado como Revolução Verde, que aumentou a capacidade produtiva por unidade de área que além de permitir uma maior capacidade produtiva, a expansão da fronteira agrícola diminuiu o valor dos produtos por que não havia demanda suficiente por falta de pessoas no espaço urbano e renda para consumo. Os centros urbanos cresceram, buscaram mão de obra com poucas habilidades oferecendo salários mensais mais remuneradores, saúde e oportunidade para educação, além de entretenimento. Isso estimulou a primeira grande leva de migração do rural para o urbano.

 

Quais foram às consequências do êxodo rural no Brasil?
Diminuição da mão de obra braçal no inicio, diminuição da população rural nas áreas pioneiras, assim como crescimento de produção, com migrante com famílias grandes que precisavam de espaço para renda para muitos herdeiros e o Oeste e Centro do Brasil foi ocupado. Os migrantes para o urbano foram usados originalmente para trabalhos sazonais, vivendo em espaços marginais dos grandes centros urbanos e a perceptível diminuição da população rural. As tecnologias baseadas em equipamentos e insumos “modernos” aumentaram a oferta de alimentos, baixaram os preços, mas desestimularam o retorno. De que forma influenciou a sociedade atual? Expandiu a população urbana, gerou empregos que exigiram melhor formação educacional e proporcionou renda que demandou mais alimentos e produtos agropecuários para os processos industriais urbanos. Atualmente o a constituição de uma família diminuiu para no máximo dois filhos, sendo que atualmente muitos destes não querem ter a mesma vida que seus pais têm ou tiveram e migram também. Municípios como Passo Fundo que na década de 1960 tinham 60% da população na zona rural, têm hoje menos de 2 %. Grande parte destes migrantes, que saem do meio rural, não ocupam espaço com remuneração satisfatória e acabam se marginalizando vivendo ao redor das cidades e alguns para sobreviverem passam a cometer pequenos e consequentes crimes.

“Grande parte da população camponesa se refugiou nos centros urbanos protegidos por muros e os campos se esvaziaram. Este foi o primeiro êxodo rural comprovado historicamente” – Benami Bacaltchuk.

Até que ponto as novas tecnologias (da época) no campo contribuíram com o êxodo rural?
Maior produtividade, menos esforço menos pessoas no rural e urbano, mais oferta, mais barato. Menos pessoas produzindo, mas com um perceptível envelhecimento e sem perspectivas de sucessores estimulados ao retorno, e o retorno econômico diminuiu a cada safra.

“Os migrantes para o urbano foram usados originalmente para trabalhos sazonais, vivendo em espaços marginais dos grandes centros urbanos” – Benami Bacaltchuk.

Quais seriam as soluções para evitar o êxodo rural na época?
Na época, se os desenvolvimentistas tivessem capacidade de percepção, se o estado tivesse políticos com a mínima capacidade de empatia, com a capacidade de perceber as consequências de uma população marginalizada, talvez tivessem organizado o meio rural integrado com a estrutura industrial e comercial das cidades. Integrando sistemas de transformação com processos em períodos de sazonalidade criando renda extra na própria propriedade assim como educar os líderes das comunidades para serem líderes de processos e não meramente ideológicos. Infelizmente não usamos de forma adequada a capacidade de formar organizações sociais com lideranças profissionalizadas.

Hoje ainda podemos fazer muito, entre as possíveis soluções a integração sem excessiva concentração de poucos compradores ou vendedores de maquinas e insumos, melhoria na capacitação de lideranças no meio rural, através de condomínios, associações, sindicatos cooperativas, empresas entre outras opções sócias economias e mais não precisamos de uma sociedade rural com braços para carregar peso, mas com habilidades intelectuais para administrar, automatizar, e ocupar de forma mais integrada o espaço que deixou de ser meramente rural para ser, de fato, “RURBANO”.

“O espaço que deixou de ser meramente rural para ser, de fato, “RURBANO”” – Benami Bacaltchuk.

William Mendes

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