A educação é a base para qualquer município crescer. É pela qualidade de ensino
que formam-se novos profissionais capazes de atuar no mercado de trabalho, melhorando a
economia e a vida de uma cidade inteira. Porém, uma dificuldade encontrada nas escolas é
a questão da desigualdade. Esta que muitas vezes social, acaba por influenciar no processo
de aprendizagem.

Com pouco mais de 105 mil habitantes, Erechim, localizada na região norte do
Estado, também vive estas diferenças em suas escolas. A cidade possui 14.257 alunos
matriculados na rede pública, em 14 escolas municipais e 28 estaduais, contemplando
ensino fundamental e médio.

Todas as escolas estão espalhadas pelos bairros da cidade, onde é possível
observar a diferença na realidade social das crianças e consequentemente em suas
percepções de mundo e educação, como explica a professora e coordenadora, Aline
Koproski. Ela é coordenadora em uma escola no centro e dá aulas em outra localizada em
um bairro e ressalta que atualmente se nota mais desigualdades sociais do que
antigamente “quando eu entrei trabalhar na escola, há 10 anos, os alunos da escola do
centro moravam no centro e do bairro nos bairros, mas hoje é possível observar que não há
mais essa separação, pois o aluno do bairro vem estudar no centro, assim como o do centro
vai para o bairro, e isso por diversos motivos”, enfatiza Aline.

Enquanto algumas crianças são criadas com uma grande proximidade ao ensino e
incentivo aos estudos, outras, por sua vez, vêm de famílias com maior valorização ao
trabalho e acabam recebendo menos incentivo a frequência, bem como, permanência nas
salas de aula. Além disso, outros fatores também influenciam como, por exemplo, a
estrutura familiar. A coordenadora explica que é normal tamanha desigualdade, levando em
consideração a realidade de cada família.

Estas realidades são refletidas diariamente nas escolas, a começar pela participação
dos pais, família e da criança na escola. Aline relata que até o 5° ano do ensino
fundamental os pais tendem a participar mais do processo de aprendizagem, já a partir do
6º ano os pais acabam achando os filhos crescidos e vão aos poucos parando de
acompanhar.

Já em questões de aprendizagem, a professora destaca que esta desigualdade
atrapalha no sentido de que muitas crianças, com níveis sociais menores, tem que cuidar
dos irmãos mais novos, não possuem assistência dos pais, pois os mesmos estão sempre
trabalhando e também alguns estão próximos à violência. Em contrapartida, alguns com
níveis sociais muito altos, acabam não valorizando o tempo e as oportunidades de ensino, o que acarreta em indisciplina. Em ambos os casos, os alunos vão para a escola, mas não
“trazem a mente junto”, nem se dedicam totalmente ao estudo por culpa dos fatores
externos.

Segundo dados divulgados pelo Ideb em 2017, os melhores índices nas séries finais
do ensino fundamental ficaram com as escolas localizadas no centro e os alertas com as
escolas localizadas nos bairros. Para que o ensino obtenha melhores índices, Aline acredita
que os esforços devem vir de todos os lados, tanto os pais auxiliando na questão da
disciplina e incentivo aos filhos, dos professores com a questão emocional e de educação
propriamente dita, além dos alunos se empenharem pra tentar sempre dar seu melhor.
“É complicado tu conseguir oferecer uma educação de qualidade dentro de um
contexto om muita diferença. Nesse sentido é que frustra um pouco. Tenta-se fazer, da
melhor forma, mas nem sempre é possível atingir a todos”, enfatiza Aline.

A professora explica que neste ano foi dado destaque à inteligência emocional, no
entanto, o que é feito na escola, nem todos conseguem seguir. Alguns perdem o caminho e
só encontram suporte na escola, mas quando voltam para casa, pode acontecer o contrário.
“Fora questão de ansiedade e depressão entre os adolescentes, já chegaram até a se
cortar no inicio do ano”, afirma Aline. A partir disso, estão trabalhando de forma intensiva
em parceria com psicólogos, conselho tutelar e demais profissionais relacionados à saúde
mental, para melhorar o emocional dos alunos.

Segundo matéria escrita pela coordenação do projeto Todos Pela Educação e
divulgada pelo portal UOL, “As crianças de escolas com nível socioeconômico muito alto
têm desempenho adequado em matemática no 3° ano do Ensino Fundamental (EF), cinco
vezes maior que as de escolas muito pobres. Um abismo que se alarga, chegando a uma
diferença 22 vezes maior, quando no 9° ano do Ensino Fundamental””, esse dado se torna
cada vez mais alarmante.

Para Priscila Cruz fundadora e presidente executiva do Todos Pela Educação,
tamanha desigualdade acontece, pois os locais mais vulneráveis também são os que
possuem menos recursos. É preciso garantir verbas suficientes para bibliotecas, recursos
audiovisuais, internet, além de professores bem formados e que buscam estar atualizados.
Um ambiente higiênico e seguro para a aprendizagem também é necessário, pois estes
estudantes são o futuro de nosso País.

Alguns municípios da região chegam a ter investimento de mais de 15 mil reais por
aluno, ficando em primeiro lugar a cidade de Santa Tereza, no Rio Grande do Sul, que
investe cerca de R$ 34.062,06 por aluno. Enquanto Erechim, que além de não constar no
ranking dos 20 municípios que mais investem, não possui dados acessíveis sobre o
investimento por aluno.

Gabriela Krug e Natiele Torres

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