O trabalho final de um curso de graduação sempre foi realizado por estudantes e tachado como um “bicho de sete cabeças”. Recentemente, os alunos do curso de Jornalismo da Universidade de Passo Fundo (UPF) , receberam notícias de monografia, ou o famoso Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), seriamente proibido pela produção de um artigo científico.  A mudança foi bem vista aos olhos dos estudantes, mas para quem entende do assunto, não mudou muita coisa.
Segundo Joana Chiodelli, coordenadora do curso de Jornalismo da Faculdade de Artes e Comunicação da UPF, “essa é uma discussão bastante antiga do colegiado do curso. Desde quando foi produzido o documento que é o Projeto Pedagógico do curso, a partir das diretrizes que foram lançadas em 2013, as pessoas colocaram em prática no novo currículo em 2015 ”. Ela explica que, nesta época, mantém a monografia e optou por discutir a questão quando a primeira turma do novo currículo concluído finalizando o curso. “No ano passado, quando eles tiveram que fazer o projeto (de estágio) para depois fazer o trabalho final, alguém disse que era o tempo de discutir isso porque eles começaram a produzir esse trabalho final”, explica.
Conforme Maria Joana, como diretrizes não orientadas para o tipo de trabalho científico desenvolvido, mas sim, que é necessário ter um trabalho de caráter científico, que tenha fundamentação teórica, metodologia e fundamentação aplicada. O método precisa analisar um objeto físico, assim, todo o processo de monografia acontece da mesma maneira. “Você precisa de uma fundamentação teórica, precisa de um método de pesquisa que atinja as condições de analisar um objeto e produza um conteúdo a partir dessa análise, o processo é o mesmo, ou altera o tamanho”, analisa a coordenadora.
Atualmente, sabe-se que a forma mais eficaz de disseminação de conhecimento é por meio de revistas científicas, eventos científicos onde se apresenta, discute e se constrói conhecimento a partir dessas bases. “O Intercom, principal evento de comunicação, o SBPJor da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Jornalismo, esses eventos, assim como as revistas científicas solicitam trabalhos em forma de artigo”, indica Maria Joana. “Tínhamos um conteúdo muito interessante que era produzido pelos alunos no formato de monografia e depois uma pessoa solicitava transformar número de artigo para esse conhecimento circulante e não ficção e os alunos não retornavam com o conteúdo, fica com a monografia parada e nunca mais se mexia naquilo, então não fez circular ”, destaca a coordenadora. Dessa forma,
Com a mudança, a coordenadora espera que esse cenário mude. “Desse jeito você já vai ficar com o conteúdo pré-pronto para ser submetido a um evento, uma revista. Claro que depois ele vai se adaptar para as normas periódicas ou para esse evento, mas é muito mais simples reduzir 30 páginas de um texto, cortar menos da metade, então você fica com um conteúdo que é mais fácil de fazer circular conhecimento ”, declara.
A pesquisa científica é um processo criterioso, no livro Pesquisa Científica – da teoria à prática, uma autora, Helen de Castro Silva Casarin, diz que “se você não é uma arte, não tem sentido estrito na palavra, o desenvolvimento de uma pesquisa requer um grau de envolvimento semelhante exigido por um artista em relação à sua obra: dedicação, concentração, comprometimento, insistência, perseverança e muito trabalho ”. São muitos os requisitos para uma pesquisa científica. Helen define que uma pesquisa científica pode ser definida como um procedimento racional e sistemático, que tem como objetivo respostas específicas aos problemas que são propostos.
O artigo científico é uma forma de dar visibilidade ao curso de Jornalismo da FAC / UPF e disseminar uma pesquisa realizada pelos alunos. Maria Joana também comentou a facilidade de publicação de um artigo. “Qualifica, porque você já vai ter um material pronto para circular esse conhecimento gerado. O esforço para obter uma publicação acaba sendo menor. Se o conteúdo estiver bom, o professor irá sinalizar para mandar para alguma revista, apresentando em algum evento. O texto já fica pré-pronto ”, finaliza.

Emerson Carniel e Scheila Zang

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