Desde 2015, a cor amarela ganhou um novo significado no Brasil

Falar sobre suicídio foi por muito tempo considerado um tabu. De um lado a crença de que falar sobre o tema poderia incentivar novos casos, e de outro, a falta de diálogo que deixava as pessoas no escuro. Porém desde o século XX, quando os países começaram a compilar dados sobre suicídio, os números só crescem. Segundo dados do Ministério da Saúde de 2016, mais de 11 mil pessoas tiram a própria vida anualmente. Como forma de diminuir esses índices, desde de 2015, o mês de setembro ganhou uma cor: o amarelo. Buscando trazer o diálogo para a sociedade, o Setembro Amarelo é uma campanha brasileira, criada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV). O principal objetivo do movimento é mostrar que existe prevenção, já que nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas. O dado, da Organização Mundial da Saúde (OMS), indica que a prevenção é fundamental para reverter essa situação, garantindo ajuda e atenção adequadas. Não é atoa que o diálogo é a maior bandeira do movimento.

Para atingir a população são realizadas ações de rua, como passeios e caminhadas. O amarelo, cor característica, é usada durante todo o mês, servindo como alerta para a população, sobre a importância de conversar sobre o tema e, principalmente, procurar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

Em Passo Fundo, o CVV iniciou suas atividades em 21 de janeiro de 2019. O centro realiza  apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita. A principal forma de contato é via telefone, através do número 188, de forma sigilosa, mas também é possível realizar o atendimento através do chat e e-mail. Segundo o Coordenador do posto de Passo Fundo, Carlos Nunes, o CVV conta com uma rede de atendimento em todo o Brasil, com 3.100 voluntários atuando em 116 postos no país, durante 24 horas. As pessoas que necessitam de apoio emocional podem ligar de todo o Brasil para o 188. Em seguida, serão encaminhadas para um posto no qual haja um voluntário disponível para o atendimento. “É muito comum atendermos pessoas que ligam das regiões sudeste e nordeste”, destaca.

O CVV fica localizado no hospital Dr. Cesar Santos e todo o atendimento é realizado por voluntários capacitados para auxiliar quem busca o serviço. Passo Fundo conta com 14 voluntários e um novo curso de formação está encerrando, com 20 novos voluntários. Estes iniciarão as atividades em outubro. “Os voluntários acolhem a pessoa que está ligando e procuram realizar uma relação de ajuda, através de uma escuta sem julgamentos e de forma respeitosa”, afirma Nunes. Para ser voluntário é necessário ter mais de 18 anos, disponibilidade de 4 horas por semana e interesse na área de prevenção ao suicídio. Também é preciso ter disponibilidade para realizar o curso de formação de novos voluntários.

Mesmo com todo o trabalho de conscientização proposto pelo Setembro Amarelo, a taxa de suicídios a cada 100 mil habitantes aumentou 7% no Brasil, ao contrário do índice mundial, que caiu 9,8% segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) Destaque para o Rio Grande do Sul, que convive uma das taxas mais altas de suicídio, e o município de Passo Fundo, que ocupa a segunda colocação no índice. De acordo com Carlos são realizados, aproximadamente, 500 atendimentos por mês em Passo Fundo. No Brasil, o CVV atende em média 250.000 ligações mensais.

Para reverter esse quadro, a primeira medida preventiva é a educação, falar sobre o assunto e mostrar que existem saídas. “O Setembro Amarelo é de fundamental importância para a conscientização da prevenção ao suicídio. O CVV acredita que falar é a melhor solução, e podemos, através de um diálogo franco e acolhedor, proporcionar abertura para as pessoas que estão em sofrimento que sintam-se à vontade para falar sobre seus problemas” finaliza o coordenador do CVV.

 

O apoio de amigos e familiares é essencial na luta contra o suicídio.
O apoio de amigos e familiares é essencial na luta contra o suicídio. Foto: Isadora Dezorzi Gerevini

As pessoas que tiverem interesse em participar como voluntários do CVV em Passo Fundo, podem enviar seu nome e whatsapp para o email: passofundo@cvv.org.br .

Isadora Dezorzi Gerevini e Thaís Cornelli Moreira

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