Reaproveitamento de tecidos e outros materiais são uma opção para criar novos produtos

Em 2017, cada cidadão brasileiro gerou uma média de 378 quilos de resíduos. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, isso é o equivalente a um campo e meio de futebol cobertos por lixo. É importante entender que todos esses resíduos devem ir para algum lugar. Quando pensamos em poluição, diversas alternativas surgem com foco na sustentabilidade e no cuidado com o meio ambiente, como a reciclagem e a produção e consumo sustentável. Para o Ministério do Meio Ambiente, levar em conta o ciclo completo dos produtos é um dos princípios da produção sustentável. Ou seja: é preciso produzir planejando a vida útil e como reutilizar os materiais em novas cadeias de produção.

Aline Galvão utiliza materiais sustentáveis em suas produções

A indústria têxtil está em segundo lugar no ranking dos negócios que mais poluem  e esgotam os recursos naturais. Na contramão disso, o número de pessoas procuram consumir materiais que se preocupam com o meio ambiente cresceu, como conta a artesã, Aline Galvão: “pelo fato de as redes sociais nos trazerem mais informação, nos últimos anos tem um aumento de procura devido ao fato de as pessoas quererem saber de onde vem o produto, qual o propósito da marca, quais materiais utilizados”. Aline tem uma relação com a máquina e a costura desde pequena mas, só em 2004 começou a produzir bolsas.

Umas das marcas de Galvão é o reaproveitamento de retalhos, que dão forma à diversas coleções montadas por ela. “Fui reaproveitando calças jeans do irmão, pai, amigos, e conforme fui fazendo, as amigas foram gostando e assim nasceu a marca Aline Galvão Bolsas Alternativas”. Em meio à diversas técnicas como bordados, pinturas e patchwork, a artesã desenvolve peças que vão além de bolsas, como carteiras e absorventes ecológicos. “Hoje tenho  os absorventes ecológicos em minha lista de produtos que confecciono que não geram lixo, são reutilizáveis e mais saudáveis. Estou muito feliz nessa fase de minha vida em ter um reconhecimento voltado para a linha sustentável”, relata.

As matérias primas de suas obras são resíduos recicláveis

A produção a partir de materiais sustentáveis e/ou recicláveis reforçam a ideia de que grande parte dos resíduos podem ter outro destino do que lixão. Na realidade, a maioria dos papéis, plásticos, vidros, pneus e entulhos não só podem, mas como devem, ter outra destinação. A princípio pode ser estranho ver pedaços de madeira como uma luminária, ou mesmo, que retalhos de tecido possam virar um móvel de decoração. É o que Clarissa “Iti” Alberton faz: ela transforma materiais que antes iam para o lixo em peças totalmente novas. A artista conta que “nos dedicamos ao trabalho essencialmente artesanal à 18 anos, criando, projetando e fabricando luminárias para diversos clientes e segmentos: residências, apartamentos, restaurantes, bares e construtoras. Usando materiais como: cobre, ferro,alumínio, madeira de demolição, tecidos e garrafas.” E de onde vem tanto material? Iti explica que eles vem dos lugares mais inusitados, “muitas vezes resgatados do garimpo e  dos descartes. São tantos materiais que direta e indiretamente podemos incorporar novamente ao nosso meio. Também estamos incorporando na cultura uma nova forma de pensar, um novo sentido de representar o material de descarte.”

Ela cria desde quadros, placas decorativas e tudo o que sua imaginação permitir. Suas peças são tão requisitadas que ela até já perdeu a conta de em quantos restaurantes está presente. E tudo iniciou de maneira natural, não com uma proposta, mas com um olhar diferenciado.“Começamos a observar a quantidade e a diversidade de materiais descartados. Em casa,  no trabalho, na rua e pensar no potencial de transformação destes materiais. Com a idéia de reaproveitar, reutilizar e reciclar despertou um novo olhar para cada peça garimpada.  Assim pesquisando e planejando, novas inspirações foram acontecendo.” Relembra a artesã.

 

Amanda Veseloski e Flávia Dias

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