A situação dos moradores da Rua Oralino Danelli, no Bairro São Roque, em Constantina, não é fácil. Há décadas, a rua, como a maioria das outras, não conta com asfalto nem calçamento feito de pedra. Para quem ali vive, a estrada de chão batido é o retrato de uma comunidade que cresceu, mas pouco se desenvolveu.

Em dias de sol, a poeira torna-se intensa. Já nos dias de chuva, o barro toma conta. Em dias de inverno, principalmente, os moradores sofrem inúmeras dificuldades para sair de casa, devido às poças que formam-se em frente às residências e ao barro denso que não os deixa caminhar. Para Lenir Eloi Borges, de 38 anos, o dia a dia torna-se árduo, “moro aqui há 21 anos, quando chove é muito barro, junta água na rua, a dificuldade é enorme”, afirma.

 

Imagem de satélite do Bairro São Roque / Créditos: Internet

 

Apesar do crescente número de veículos no país, cerca de um automóvel para cada quatro habitantes, os principais meios de locomoção dos brasileiros continua sendo o transporte público ou locomoção a pé. Estes meios são os mais utilizados para ir ao trabalho ou à escola. Para Graziela, de 13 anos, que mora na rua desde que nasceu, o sonho de ver sua rua calçada é algo que herdou dos pais, que há 38 anos convivem com a situação. A estudante, vê na hora de ir pegar o ônibus, um momento muito desafiador que se intensifica nos dias de chuva. “Vou pisando em cima das pedras, pra tentar não pisar no barro, mas a gente chega lá e os tênis estão cheios de barro. Vão pensar o que?”, questiona a jovem.

Além de ter que conviver com a precariedade das ruas, a adolescente também tem de driblar os julgamentos, algo que para ela já é comum, por viver em uma área periférica e que pouca atenção recebe.

De acordo com a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope, 22% dos entrevistados afirmaram que vão a pé até o seu destino. Para 19% dos entrevistados este é o único meio de locomoção disponível. Diante dos números, as ruas são essenciais na rotina dessa população. No município de Constantina, 26 ruas gerais com bastante fluxo nos bairros, não contam com asfalto e nem calçamento, o que dificulta o deslocamento dos moradores. Para Nelci, de 61 anos, que reside no bairro há dez, a maior preocupação é conseguir levar os netos, todas as manhãs para a escola sem que se machuquem, devido as pedras soltas – por serem pequenos – e também que não se sujem, e tenham de passar a aula toda assim. Para estas pessoas, a situação que desperta apreensão e causa transtornos, poderia ser resolvida com investimentos no calçamento. Graziela queria que mais dinheiro fosse investido, para que o caminho da escola fosse menos complicado. Diz ser algo que a vizinhança precisa e deseja muito. “Fica difícil da gente tentar ir pra escola, sendo que a situação das nossas ruas são precárias.” Além de ter de se preocupar com os estudos, com os materiais de aula e outras responsabilidades, Graziela também carrega a preocupação de chegar limpa para participar das aulas.

Cerca de 1500 moradores do bairro, segundo dados de 2011, enfrentam situação semelhante no dia a dia, um problema que poderia ser resolvido com a devida atenção do poder público municipal. “Um calçamento cairia muito bem na nossa rua”, enfatiza Lenir, esperançosa.

Poças presentes nas ruas após um dia de chuva. / Créditos: Thaís Cornelli Moreira

 

 

Isadora Dezorzi Gerevini e Thaís Cornelli Moreira

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