Nos dias atuais, ter um corpo bonito para muitos é sinônimo de magreza. Porém, muitas vezes a busca por este “corpo ideal” faz com que jovens deixem de se alimentar adequadamente o que faz com que o emagrecimento seja exagerado. A anorexia atinge jovens que com uma ideia, muitas vezes de aceitação, acabam apresentando esse quadro que necessita ser acompanhado de perto por profissionais como nutricionista e psicólogo. Além da anorexia, surge também a bulimia, outro distúrbio alimentar que deve ser observado. 

Pesquisadores ainda estudam os fatores e as mutações destes distúrbios. Em entrevista para a reportagem da revista ComArte, a nutricionista Marta Santolin e a psicóloga Daiane Savi falam sobre a anorexia, formas de tratamento e diagnóstico. 

 

Daiane Savi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marta Santolin

 

 

 

 

 

 

 

Quais são as causas da anorexia?

M: Causa multifatorial (fatores biológicos, psicológicos e ambientais)

 

Hoje em dia, existem bastante casos de anorexia? Existiu alguma época com “surto” deste distúrbio?

M: A cada ano aparecem mais casos, porém, acredita-se também que hoje o diagnóstico é mais eficaz, elucidando maior número de casos.


D: Busca por um 

 

 Como identificar a anorexia ?

M: Por meio de Avaliação psicológica e/ou psiquiátrica

D: Através de uma conversa com o paciente se dá o entendimento do caso. Ele vai relatar os sintomas, vou identificar o meio onde ele está inserido. E a partir disso, identificar a gravidade dos sintomas, se é leve, moderado, grave ou extremo. Os principais sintomas são a restrição da ingestão de calorias, controle através de tabelas as calorias, e então começa a surgir o baixo peso. Se olhar no espelho e não conseguir ter uma visão coerente, um medo intenso de ganhar peso e engordar. Um comportamento persistente e que acaba se sabotando, cria estratégias de sabotagem para evitar o alimento e ter o corpo que deseja. Um sintoma muito importante também é a questão da perturbação no modo como vê o próprio peso e forma corporal, a questão de reconhecer o corpo real e o corpo imaginário, então é uma ruptura que o paciente tem da realidade.

 

Após identificado o distúrbio de anorexia, qual é o tratamento recomendado? Deve-se ter acompanhamento de um nutricionista e psicólogo?

M: Por ser uma doença de cunho emocional deve-se tratar prioritariamente com psicólogo/psiquiatra

D: É marcado uma sessão depois de já haver feito encaminhamento com psiquiatra. São pacientes um pouco resistentes mas eles chegam extremamente fragilizados. Raros casos procuram no início. Se é maior de idade na primeira sessão vai sozinha, se é menor de idade a gente chama os responsáveis e a primeira sessão vai ser em conjunto. É escutado o paciente com empatia e sem julgamento, para que ele consiga vincular e transformar o ambiente em um processo de cura.  Para o paciente conseguir diminuir os seus sintomas ele precisa estar em um ambiente saudável então o apoio da família é fundamental e o acompanhamento desta também. Isso porque quando um indivíduo está doente reflete nos demais. Então o olhar da psicologia deve ser amplo. Outro fator importante no tempo de tratamento é se o paciente não sofre outras interferências como bipolaridade, depressão, ansiedade e etc.

 

A anorexia pode estar ligada com a bulimia?

M: Ambas as doenças se enquadram como transtornos alimentares, porém, são independentes.

D: Na bulimia nervosa, ao contrário da anorexia, o paciente tem compulsão alimentar, acaba comendo muito em busca de uma saciação que nem eles sabem o motivo. E após comerem demais se arrependem e começam a usar substâncias como laxantes ou algo que provoque o vômito para que não se sintam culpados. Os dois transtornos podem estar associados a outros transtornos como transtorno bipolar, compulsão alimentar, depressão, ansiedade. Ambos se manifestam na busca do corpo perfeito, mas cada um tem suas particularidades.

 

Você já tratou alguém com anorexia? Se sim, como foi e como se deu a recuperação.

M: Sim, tenho pacientes com diagnóstico de anorexia. É um processo lento e depende muito da conscientização e compreensão do paciente e da família. Nos casos que atendi, alguns tivemos resultados positivos e outros continuam em tratamento (nutricionista + psicólogo/psiquiatra)

 

As vezes a pessoa já foi gordinha na infância ou adolescência e quando começa a emagrecer acaba exagerando justamente por medo do ganho de peso novamente. Nesses casos o que a pessoa deve fazer para encontrar seu peso ideal e não exagerar na forma reversa (emagrecimento)?

M: Procurar um profissional habilitado para orientar. É imprescindível que esta pessoa conheça seu corpo e suas necessidades diárias. O nutricionista pode ajudar neste processo.

 

Por fim, deixe alguma consideração sobre a anorexia e como podemos evitá-la e ficar atentos.

M: Devemos ficar atentos aos fatores de risco (pressão social; genética; baixa auto estima, entre outros) e se suspeitar da doença, procurar ajuda psicológica imediatamente. O nutricionista também tem um papel importante no tratamento da doença.

D: Um sintoma nunca vem do nada, claro que tem questões biológicas e genéticas, mas a gente sempre avalia o contexto em que o indivíduo está inserido até pra conseguir construir essa linha do tempo porque pode ser que esse paciente esteja denunciando um sintoma familiar, depende da idade e depende do contexto. Eu sempre faço essa provocação quando me pedem sobre como evitar estes transtornos, tem que cuidar de si mas também cuidar do meio em que está inserido. Não existe uma resposta única, nem como prevenir os sintomas sem conhecer o indivíduo. Então a gente investiga vários lados da vida deste indivíduo. Mas deve-se ficar atento com pessoas que buscam por este corpo perfeito e como fazem isso, pode ser um alerta.

 

Natiele Torres

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*
*