Eliziana Schultz Glitz, Thaise Ribeiro e Flávia Mohr

 

É impossível falar sobre o tema meio ambiente em 2019 e não citar o caso de Brumadinho, onde houve o rompimento da barragem da mina no córrego do Feijão. O desastre ambiental aconteceu em 25 de janeiro. A barragem de rejeitos era controlada pela Vale S.A e estava localizada a 65 km de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Ao todo, mais de 200 pessoas morreram e 93 ficaram desaparecidos. O acontecimento pode ser considerado o segundo maior desastre industrial do século e o maior acidente de trabalho do Brasil. 

Infelizmente o país começou o ano com este grande problema que é o caso de Brumadinho e, para finalizar 2019, as notícias relacionadas ao meio ambiente também não são boas, afinal, o Nordeste ainda passa pelo problema que é o vazamento de óleo que afetou mais de 409 praias até o momento. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) 104 cidades de nove Estados do Nordeste foram afetados por fragmentos ou manchas de Petróleo cru desde 30 de agosto. Já em relação à fauna, em torno de 108 animais oleados foram identificados pela Ibama. 

De acordo com a professora de biologia da Universidade de Passo Fundo, Carla Tedesco, o meio ambiente, em 2019 no Brasil, teve sérios problemas. “Neste ano, o conselho nacional do meio ambiente sofreu uma redução no número de acentos e mudanças drásticas na composição, criando uma assimetria no conselho que favorece as polícias que o governo vem bancando na sua agenda ambiental. Essa agenda representa o pior retrocesso que a gente já teve antes mesmo de existir o ministério do meio ambiente, afirma a professora.” 

Ainda, a professora destaca que o governo nega situações que estão aparecendo e atribui as responsabilidades a terceiros como, por exemplo, na questão do protocolo para reduzir o derramamento de óleo. “Claro, o derramamento de óleo não foi culpa do governo, mas o seu resultado é um problema do governo onde ele perdeu tempo procurando um culpado em uma situação de desastre ambiental, finaliza”.

O Brasil com a maior biodiversidade do planeta e cerca de 12% das reservas mundiais de água doce, sempre foi tema de discussão pelo mundo, se tratando de meio ambiente. E esse ano não poderia ser diferente:

RETROSPECTIVA 2019 – MEIO AMBIENTE NO BRASIL

Com a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro, mudanças estavam previstas nos mais variados setores do país. Na pasta do meio ambiente não seria diferente. Com a proposta de extinguir alguns ministérios, Bolsonaro queria que o Ministério do Meio Ambiente se juntasse a pasta da agricultura, o que não aconteceu devido à má repercussão do caso. 

Antes do mês chegar ao fim, um desastre ambiental, que repercute até hoje, comoveu o Brasil: o rompimento da barragem de rejeito da Vale, em Brumadinho. Além da destruição e do impacto ambiental, a tragédia deixou muitas vítimas. Até o fim de novembro, 256 corpos foram encontrados e 14 pessoas seguem desaparecidas em meio aos rejeitos sólidos que tomaram conta de um vilarejo da cidade. 

Em meio a recuperação da tragédia de Brumadinho, o Governo Federal firmou uma parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre) para a gestão de resíduos sólidos gerados pelos estados e municípios. A ideia foi possibilitar o monitoramento, fiscalização e diminuição dos impactos por meio do Senir, o Sistema Nacional de Informações sobre Gestão dos Resíduos Sólidos. Uma lei, de 2010, já previa a regularização do Senir que, de fato, só aconteceu depois de nove anos. 

A primeira fase da Agenda Nacional de Qualidade Ambiental Urbana começou em março. Com o objetivo de melhorar os dados sobre a qualidade do meio-ambiente nas cidades, foram traçadas estratégias de ação. A primeira, voltada ao combate ao lixo do mar, prevê ações de mutirões de limpeza até dezembro em águas com bastante contaminação de resíduos sólidos. Entre as estratégias, estão também as áreas verdes urbanas, qualidade do ar, saneamento e qualidade das águas.

O horário de verão surgiu com a ideia de economizar energia elétrica e, consequentemente, reduzir os impactos ambientais gerados pela energia que não é considerada sustentável e que surge de fontes não-renováveis. Antes do fim do mês de abril, o presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto que colocou fim ao horário diferenciado. Segundo ele, a decisão foi tomada pois levou em conta estudos que mostraram não existir uma real diferença na economia de energia. 

O dado divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, ligado ao Ministério do Meio Ambiente, revelou que o desmatamento da Floresta Amazônica registrou seu recorde no mês de maio. O aumento foi de 34% em comparação ao mesmo período do último ano. Segundo o levantamento, o desmatamento equivale a dois campos de futebol por minuto sendo que, a área da floresta localizada no estado do Pará é a mais prejudicada.

O Governo Federal, desde o início do ano, liberou a utilização de alguns agrotóxicos que antes eram proibidos. Em junho, totalizou 211 liberações e, no mês também aprovou um produto considerado inédito, à base de Florpirauxifen-benzil. A medida faz parte de uma iniciativa de “desburocratização” por parte do Ministério do Meio Ambiente. 

Um novo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, reforçou a ideia de que o desmatamento cresceu na Floresta Amazônica Brasileira, chegando a 920 km quadrados. Na contramão disso, o presidente Jair Bolsonaro declarou que a divulgação dos dados prejudicam o país e acusou o Inpe de trabalhar a serviço de ONGs.

As queimadas na Amazônia não são recentes mas, em agosto, chegaram a aumentar 82% quando comparada a 2018. O assunto mobilizou diversas pessoas e seguiu durante um longo tempo. Foi o maior número de focos de incêndio nos últimos sete anos sendo os estados que mais registraram fogo foram também aqueles com maior índice de desmatamento. 

Por mais de uma semana, um dos principais parques do Brasil pegou fogo. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, foi tomado por um fogo devastador. Considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, as chamas não deixaram apenas destruição na vegetação: também ameaçaram o maior território quilombola do país, do povo Kalunga. O incêndio foi controlado apenas no fim do mês.  

Manchas de óleo começaram a aparecer nas margens de algumas praias do nordeste do Brasil. No fim do mês, foram contabilizados mais de 250 praias com manchas trazidas pela água. O comércio local e os pescadores começaram a ter prejuízos e voluntários começaram a limpar manualmente os resíduos. Ainda não se tinha suspeitos do derramamento. 

As manchas de óleo continuaram a aparecer em diversas praias brasileiras. Esse foi considerado, pelo Ibama, o maior acidente ambiental da história do país. Na metade do mês, o inquérito de investigação divulgou que um navio grego era o principal suspeito do derramamento de óleo nas águas. A empresa responsável pelo navio negou a acusação. 

E o desmatamento da Amazônia continuou crescendo que registrou recorde em novembro: 29,5% em comparação ao ano anterior, foi o terceiro maior aumento da história. O desmatamento na floresta também é responsável por 44% da emissão de gases de efeito estufa no Brasil. 

Antes mesmo de encerrar 2019, o Brasil foi denunciado na ONU pelos altos índices de desmatamento. Um grupo de deputados levou até a Organização um documento solicitando uma avaliação sobre a proteção ambiental no país.

A poluição do ar e o desmatamento, estão causando inúmeros desastres, o que ocasiona uma grande instabilidade não só no ecossistema do Brasil, mas também na sua imagem. A década de 2010 foi considerada a mais quente de todas e isso só tende a piorar com o passar dos anos, devido à falta de cuidados com o meio ambiente. 2019 está no fim e esperamos que esses desastres ambientais também.

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