Camila Agostini

Como as mudanças ocorridas no Governo Federal impactam as instituições de ensino superior da rede particular? A reitora da Universidade de Passo Fundo – UPF,  Bernadete Maria Dalmolin, aceitou nosso convite e falou sobre como foi o ano de 2019 para a instituição e se a transição da gestão no país refletiu sobre as atividades da UPF.

De um modo geral, que balanço é possível fazer sobre ano de 2019 para a Universidade de Passo Fundo?

O ano de 2019 foi de muitos desafios e de implementações de nosso projeto de universidade que envolveu o início de mudanças estruturais na UPF. Entendemos que ao considerar questões do ambiente externo como a crise econômica e a redução pontual de egressos no ensino médio, que por um lado maximizaram os desafios da gestão, e o início de ajustes estruturais em termos de sustentabilidade e qualidade acadêmica, que por outro lado viabilizaram avanços, o saldo final de 2019 foi positivo.

Quais ações, conquistas ou referências, efetivamente, representam os avanços da instituição nos últimos 11 meses?

Poderíamos elencar um conjunto amplo de conquistas e avanços nas mais diversas dimensões universitárias, tais como no ensino, na pesquisa, na extensão e inovação. A UPF é tão grande e robusta que se torna difícil destacar algo em especial visto que, por exemplo, todos os anos temos aprovação de projetos em editais e premiações recebidas em nível nacional e internacional. O reconhecimento externo talvez sintetize de forma adequada o continuo avanço e a relevância da nossa instituição. No ano de 2019, fomos destaque no ranking do jornal Folha de São Paulo, que posicionou a UPF como a melhor universidade do norte do estado e uma das melhores universidades privadas do Brasil. De modo geral avançamos na reestruturação institucional, na otimização e integração de processos; no âmbito acadêmico, estamos construindo novas diretrizes no ensino de graduação; na pesquisa iniciamos a descentralização das incubadoras tecnológicas; na pós-graduação iniciamos mais dois doutorados e aprovamos outro (Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática) e intensificamos cursos de latu sensu; na extensão, lançamos a Escola de Extensão e apoiamos diretamente a candidatura e adesão de vários municípios na rede internacional de Cidades Educadoras (Marau, Carazinho, Soledade, Camargo); no aspecto administrativo-financeiro estamos modernizando e redimensionando a instituição a partir de uma concepção de smart campus.

 Quais foram as mais expressivas dificuldades enfrentadas neste ano?

Eu diria que a mesma crise financeira sentida por toda a sociedade também foi sofrida por nós, o que exigiu medidas de contenção e ajuste.

Que balanço a Sra. faz desse primeiro ano do atual governo federal com relação às práticas e políticas ligadas ao ensino superior do país? De algum modo, as medidas implantadas pelo Ministério da Educação, incidiram sobre o bom andamento da rotina no campus e campi da UPF?

Quase toda política educacional implementada demora tempo para gerar resultados. Isso dificulta a realização de avaliação confiável em curto espaço de tempo. Além disso, como ocorreu troca de ministro da educação no transcorrer desse primeiro ano do atual governo federal, entendemos que ainda é cedo para julgar as propostas apresentadas, bem como as intenções de ações em curso.

Embora o contingenciamento tenha ocorrido nas instituições públicas, houve algum reflexo para a UPF?

Em termos mais diretos e de curto prazo a UPF dificilmente é afetada por mudanças no padrão de financiamento das universidades federais.

“O Fies “é uma tragédia” por causa do alto número de devedores”. Essa foi uma entre as tantas declarações do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, que geraram polêmica em 2019. O que a Sra. tem a dizer sobre essa afirmação?

Entendemos que as políticas e programas de ampliação e democratização de acesso da educação superior são fundamentais para o desenvolvimento social e econômico do país. Os dados mais recentes demonstram a relevância de programas gerados por meios de instituições não estatais para ampliar a mobilidade social no Brasil. Assim, se ajustes são necessários para a continuidade de programa federal de financiamento reembolsável como o Fies, os mesmos devam ser feitos, entretanto, sem prejudicar a possível retomada do mesmo em instituições sérias e de qualidade como a UPF e as demais universidade comunitárias.

Em 2018, a UPF completou 50 anos de fundação. Ao longo desse histórico, a senhora foi a primeira mulher a comandar a Reitoria. Depois de um ano e meio, algum pensamento seu com relação a isso mudou? Qual é o sentimento?

Já afirmei por reiteradas vezes e repito que ser a primeira reitora da Universidade de Passo Fundo representa, na verdade, a união de múltiplas vozes que ecoam a igualdade, o  respeito e a democracia. Assim, o efeito simbólico de ser a primeira mulher à frente desta gestão tão importante significa, para mim, emprestar a minha voz a todos os que acreditam e lutam por igualdade de oportunidades, igualdade de gênero nas relações de trabalho e na sociedade como um todo. Por isso, trabalho todos os dias com o propósito de honrar esse grande presente que a comunidade universitária me ofereceu.

Em termo de desempenho dos alunos, de um modo geral, o que se observou em 2019 em meio aos acadêmicos da UPF?

O desempenho acadêmico de hoje é resultado de ações dos últimos 4 anos. Assim, considerando o permanente desafio de qualificar o ensino e buscar a excelência acadêmica, nossa gestão tem implementado ações para que nas próximas avaliações os graduandos da UPF ampliem o destaque que já apresentam na maioria dos cursos. Nesse sentido, destacamos dois pontos fundamentais: (i) revisão das diretrizes curriculares para adequar as graduações da UPF a necessidade de um mundo em permanente transformação, propiciando formação integral, combinando pensamento crítico, valores e cidadania com capacidades em termos de empreendedorismos, inovação e pensamento sistêmico e analítico e (ii) ampliação do processo de análise dos resultados da auto avaliação que a partir de uma concepção formativa articulará com outros setores institucionais a formação docente com vistas a contribuir com a qualificação das dimensões pedagógicas e interpessoais dos processos de ensino e de aprendizagem.

Sob sua percepção, algum fator ou acontecimento observado ao longo do ano de 2019, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul ou no Brasil, motiva quaisquer ameaças ao ensino superior do país?

Nesse aspecto a grande questão é a expansão da oferta de educação superior com fins de lucro que não primam pela qualidade. Estudos recentes demonstram que o estado brasileiro, há muito tempo, não consegue avaliar e regular a oferta de novos cursos para que todos possuam qualidade. Na nossa opinião, essa é a maior ameaça para a educação superior brasileira na atualidade.

 

“Na nossa opinião, essa é a maior ameaça para a educação superior brasileira na atualidade”. 

Bernadete Dalmolin

Reitora da Universidade de Passo Fundo (UPF)

 

Para finalizar. A Universidade de Passo Fundo (UPF) se enquadra, novamente, entre as melhores instituições do Brasil e do Rio Grande do Sul, segundo dados do Ranking Universitário da Folha (RUF). Como a reitoria recebeu essa notícia, divulgada em outubro passado? Quais os principais desafios da instituição, atualmente, para manter a boa colocação no ranking?

Esses resultados, ao lado de outros indicadores sérios e já consolidados, reafirmam a excelência acadêmica da UPF e nos mobilizam para continuarmos desenvolvendo a Instituição em termos de qualidade de ensino, pesquisa, extensão, inovação, internacionalização e compromisso social. Atualmente, não há dúvida de que a UPF é a maior e a mais importante instituição de educação superior do norte do Rio Grande do Sul e de que contribui decisivamente para o crescimento econômico e o desenvolvimento social de toda nossa região. Estar entre as universidades destacadas pelo RUF é, portanto, um motivo de orgulho não apenas para os estudantes, professores e funcionários da UPF, mas para toda a comunidade regional. E isso nos mobiliza a, cada dia mais, enriquecer nosso fazer docente e construir uma Universidade maior e melhor.

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