Caso de injúria racial que o jogador Erik sofreu quando jogava no Gaúcho de Passo Fundo vai completar um ano

Por: Bruno Roso e Emilly Lautert Dos Santos

Macaco. Essa foi a palavra que infelizmente o zagueiro Erik César do Vale teve de ouvir de um colega de profissão ao final de uma partida da terceira divisão do futebol gaúcho, entre Gaúcho de Passo Fundo (seu então clube na época) e Brasil de Farroupilha. O jogador registrou um boletim de ocorrência do fato, que foi enquadrado como crime de injúria racial pela polícia, naquele dia 29 de maio de 2019.

Veja como a imprensa local retratou o caso na época clicando nos links: Rádio Uirapuru e Diário da Manhã.

Um ano após o caso, Erik diz que não quis seguir com o processo na justiça por querer colocar um ponto final na história, da qual fala com grande remorso. “Não gosto nem de lembrar disso. Registrei o B.O para mostrar que o que ele fez é um negócio errado. Mesmo assim eu não posso ter o coração ruim que nem ele teve. Por isso não quis fazer o mal para ele também, levando em frente o processo. Sei que ele sobrevive do futebol assim como eu, então, não quis tirar isso dele”, comenta Erik referindo-se à chance do infrator ser preso e ficar inabilitado de jogar).  Se o jogador que o agrediu verbalmente fosse condenado, poderia pegar de um ano a três de prisão.

Mas por que o caso de Erik não foi registrado como racismo?

Segundo o CNJ – Conselho Nacional de Justiça, o que aconteceu com Erik trata-se de injúria racial por ter sido cometido somente contra ele. Em geral, o crime de injúria está associado ao uso de palavras depreciativas referentes à raça ou cor com a intenção de ofender a honra da vítima. O caso, no entanto, não se encaixa como racismo, pois não foi uma conduta discriminatória dirigida a um grupo ou coletivo. Exemplos mais claros de racismo indicam uma série de situações de não permitir o acesso de determinada pessoa a serviços, locais ou direitos, por considerá-la inferior devido à sua raça, etnia, religião e etc.

Erik César do Vale tem 24 anos e atualmente defende o Veranópolis Esporte Clube, na segunda divisão do futebol do Rio Grande do Sul. Também em solo gaúcho, ele passou por outros três clubes: Gaúcho de Passo Fundo, TAC de Três Passos e Cruzeiro de Cachoeirinha. O início da carreira foi no futebol mineiro pelo Boa Esporte de Varginha, em 2016.

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