por Victor Ferreira 

Se já não bastassem casos como o da Marielle Franco e o da Ágatha Félix, entre outras diversas mortes em operações onde os PMs matam inocentes, tivemos mais um homicídio na favela do Rio de Janeiro, no último dia 18 de maio. E mais uma vez um negro. E mais uma vez um pobre. O menino João Pedro, de apenas 14 anos, que foi morto por policiais do RJ em uma operação na favela. Se o PM não tinha a intenção, por que foram encontradas mais de 70 marcas de tiro? Por que os policiais sumiram com o corpo do menino por horas? Por que os PMs entraram no quintal atirando e jogando granadas sem nem saber quem estava lá dentro? 

São diversas dúvidas que atormentam mais um caso de racismo, desigualdade social, homicídio… As operações só matam quem está em vulnerabilidade. Operações em condomínios com ricos e brancos não existem, mesmo que brancos e ricos também vendam e utilizem muitas drogas. Não querendo passar pano para traficante e bandido, mas o que uma criança inocente tem a ver com isso? Outro ponto que coloca os três policiais envolvidos nesse crime contra a parede é que eles foram afastados das ruas pela Corregedoria Geral de Polícia Civil (CGPOL).

Como pode ser tragédia a morte de um rico, e a morte de milhares de pobres e negros, apenas uma estatística?

É só olhar nos presídios e cemitérios, o negro no Brasil nunca é levado a sério. O Brasil é o país mais racista do mundo, pois além de ter muitos casos de racismo direto, existem MILHÕES de casos indiretos. É um preconceito sem conceito que apodrece a nação. Se fosse um filho da elite, o caso teria uma repercussão gigantesca. Como pode ser tragédia a morte de um rico, e a morte de milhares de pobres e negros, apenas uma estatística? Precisamos de um start pra que isso chegue ao fim, precisamos lutar, precisamos resistir ao melhor estilo Dandara dos Palmares, mas batalhar para não ter um fim como ela teve. 

Ilustração: Nando Motta