Foto: Reprodução/Pense Bem

Por Bruno Roso.

As olimpíadas de longe é um dos eventos mais democráticos do planeta. Não importa raça, crença, posicionamento político ou de qual país você é. Atingindo o índice, você está garantido no maior evento esportivo do mundo. Um bom exemplo disso é Etimoni Timuani que foi o único representante da pequena Tuvalu e seus 11.508 habitantes na terceira participação do país em jogos olímpicos, no Rio de Janeiro em 2016.  Mas nem sempre foi assim. 

Já pensou o tamanho da pressão para um negro ou um judeu perfilar frente ao império nazista montado por Hitler? Isso aconteceu. Claro que virou filme e não poderia ser diferente. Lançado em 2016 no Brasil, a trama baseada em fatos reais tem como protagonista o afro-americano, Jesse Owens, que em 2020 completou 40 anos de sua morte.

O atleta mostrou que a ideia nazista da superioridade racial ariana era um absurdo. Owens provou isso da melhor forma possível, conquistando para os norte-americanos quatro ouros nas olimpíadas de 1936 de Berlim

As suas medalhas foram conquistadas nos 100 e 200 metros rasos, na prova de salto em distância e no revezamento 4x100m.

No ano passado, uma das quatro medalhas conquistadas por Owens foi leiloada pela família. Não é possível saber de qual prova é a medalha, visto que elas não eram marcadas com a modalidade, mas sim com a logo do evento. 

O filme é uma lição bem dada a Hitler e seus ideais. O maior afronte da história da humanidade triunfou nas pistas para encher as vistas dos agora telespectadores do filme, que inspira negros por todo mundo a continuar seu legado de representatividade e luta. 

Os sucessos de Owens na pista enfezou Hitler, que tentava ao promover as olimpíadas difundir sua visão racista ao restante do mundo.  “É claro, conquistaram os ouros porque são essencialmente “animais”, fisicamente mais fortes que os ‘brancos civilizados’”, comentou o ditador aos companheiros de tribuna ao ver Owens vencer nas pistas representantes da Alemanha nazista.

“Quando voltei de Berlim, continuei não podendo entrar pela porta da frente dos ônibus e continuei não podendo morar onde eu quisesse”, Owens.

O fato de Hitler não ter cumprimentado o velocista americano na cerimônia de entrega de medalhas não o incomodou tanto quanto a falta de reconhecimento do próprio país. “Quando voltei de Berlim, continuei não podendo entrar pela porta da frente dos ônibus e continuei não podendo morar onde eu quisesse. Também não pude fazer publicidade de alcance nacional porque não seria aceito no Sul. Hitler não me cumprimentou, mas também não fui convidado para ir à Casa Branca receber os cumprimentos do presidente do meu país”, lamentou o atleta, referindo-se aos anos amargos da divisão racial nos Estados Unidos. Naquele tempo, quem presidia a América era Franklin Delano Roosevelt, que sequer lhe mandou um telegrama para parabenizá-lo.

Por toda a história vitoriosa de Jesse Owens e sua luta no ambiente racista, o filme Raça, está disponível dublado, no YouTube,  e é um programa e tanto para o apaixonado em esporte  matar a saudade, animando esta época de quarentena por conta da pandemia do novo coronavírus.

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