Apesar do racismo que persegue o gênero, canal KondZilla tem mais de 58 milhões de inscritos

Por: Matheus Wagner Basso

O funk brasileiro é um dos gêneros musicais mais populares do país. Execuções no Spotify e YouTube têm milhões de reproduções e visualizações. Mas ao lado do samba, do pagode e até mesmo da capoeira, ainda sofre preconceito racial. Historicamente, essas manifestações da cultura negra, consequentemente periféricas, eram proibidas. A polícia as perseguiu desde o início. No ano de 2017 o abaixo-assinado com mais de 20 mil assinaturas pedindo a criminalização do funk, portanto, não foi surpresa, nem o termo “falsa cultura” usado no documento. Vários artistas na época se posicionaram acerca do assunto. Anitta, por exemplo, veio às redes sociais defender o ritmo de onde o sucesso dela surgiu. Gravou também um videoclipe intitulado “Vai Malandra” no Morro do Vidigal, favela do Rio de Janeiro, mostrando como é a vida dentro de uma comunidade e o valor que o funk tem.

O gênero musical gera trabalho e renda, mas ainda é tratado como crime. Por questões de racismo estrutural, o funk não é reconhecido como arte. Consequentemente não é cultura e, não sendo cultura, não é reconhecido como trabalho.

Um dos destaques hoje no funk é Konrad Cunha Dantas, mais conhecido pelo nome artístico KondZilla. Compositor, produtor e empresário, fundou a empresa KondZilla Records, sendo um dos principais responsáveis pelo sucesso do funk brasileiro. Tem, atualmente, o maior canal do YouTube Brasil e da América Latina, e o segundo maior canal de música no mundo, com mais de 58 milhões de inscritos. Provavelmente você já ouviu alguma música ou assistiu algum videoclipe  de algum artista que faz parte da KondZilla. Se não lembra, vou mencionar alguns dos maiores sucessos para você relembrar.

Vários artistas já passaram pela KondZilla e muitos deles ainda continuam. Por exemplo: MCs Pikeno e Menor, MC Pocahontas, MC Tati Zaqui, MC Livinho, Nego do Borel, MC Kekel, MC G15, MC Kevinho, MC Lan, MC Jottapê e Lexa. Para mensurarmos o sucesso e o alcance do canal, um exemplo é o videoclipe de MC Fioti intitulado “Bum bum tam tam”, lançado em 2017, que foi o primeiro videoclipe brasileiro a ultrapassar a marca de 1 bilhão de visualizações no YouTube.

No início de outubro do ano passado, Konrad Dantas recebeu o prêmio MIPAD, da ONU (Organização das Nações Unidas), concedido aos 100 afrodescentes mais influentes do mundo.

Em 2019, uma parceria entre KondZilla e Netflix deu origem à série “Sintonia”, na qual o enredo tem três personagens principais: Doni (interpretado por MC Jottapê), Nando e Rita. Todos são moradores da periferia. A narrativa mistura os universos da música, tráfico e religião. 

Embora ainda haja racismo e preconceito com o funk no nosso país, o sucesso do canal e da gravadora KondZilla é inconfundível, graças ao empenho e dedicação de Konrad e dos artistas que trabalham e batalham para entregar conteúdo de qualidade, para que o ritmo seja respeitado e consigam gerir suas vidas e carreiras.

Primeiro videoclipe de MC Kevinho a ultrapassar 1 bilhão de visualizações
Sucesso de MC G15 que viralizou nas redes em 2016
MC Kekel é um dos maiores expoentes do Funk Romântico no país. Suas músicas refletem bem os dilemas do jovem e as brigas de casais.
MC Loma e as Gêmeas Lacração que ganharam seu videoclipe regravado pela KondZilla em 2018
Videoclipe lançado em 2018 com temática da série” La Casa de Papel”
“Tudo Ok” de Thiaguinho MT e Mila de grande sucesso no início deste ano