Protestos que tomaram conta das ruas e das plataformas on-line mostram que, mesmo durante a pandemia, a ação precisa acontecer

por Julia Barichello e Rebecca Mistura

Nas últimas três semanas, um movimento de resistência tomou conta das manchetes nacionais e internacionais. Black Lives Matter, ou Vidas Negras Importam, é como se intitula a reação contra a brutalidade policial e violência contra negros, que voltou ao debate após o assassinato de George Floyd, um americano negro morto por um policial branco na cidade de Minneapollis, nos Estados Unidos.

Com a insurgência do movimento, que se espalhou por todo o planeta em protestos pacíficos e violentos – inclusive no Brasil -, as redes sociais também se tornaram palco de manifestações de solidariedade, o que inclusive trouxe atenção ao número alarmante de negros mortos pela polícia militar brasileira. 

Foi a partir disso que a hashtag BlackOutTuesday foi criada. No dia 02/06, um apagão aconteceu nas redes. Facebook, Instagram e até mesmo o Twitter foram invadidos por imagens pretas, simbolizando um protesto virtual contra o racismo, desigualdade e a violência policial. O intuito era que a maior quantidade de pessoas possível ficasse sabendo dos protestos e que tomasse consciência dos problemas – principalmente – na América.

Entretanto, alguns artistas como o rapper Lil Nas X criticaram as pessoas que estavam postando os quadrados com a #blacklivesmatter, pois essas acabaram poluindo a timeline que continha informações sobre o movimento, seus artistas e criadores, deixando apenas uma tela preta, que parecia inclusive, um problema na rede social.

Passado o apagão e com o crescimento do movimento, cada vez mais formas de espalhar conhecimento são necessárias e logo aparecem. Uma das mais recentes, é a ocupação de algumas redes sociais dos famosos por ativistas da cultura negra. 

  • Paulo Gustavo e Djamila Ribeiro

Durante todo o mês de junho, a filósofa e escritora vai fazer uso da conta no Instagram de Paulo Gustavo – que tem mais de 13 milhões de seguidores – para falar sobre racismo.

  • Paola Carosella e Winnie Bueno

A chef de cozinha seguiu os passos de Paulo Gustavo e cedeu sua conta do Twitter, com mais de 1 milhão de seguidores, para a ativista e pesquisadora Winnie Bueno para conversar sobre questões de gênero e raça. 

  • Tatá Werneck e Linn da Quebrada

Cantora, compositora, atriz e negra, Linn da Quebrada assumiu tanto o Instagram quanto o Twitter da humorista, e pretende passar conhecimento e muitas discussões sociais para um público de mais de 40 milhões de pessoas.

  • Bruno Gagliasso e Luana Genot

Luana, que está ativa  no perfil do ator, convida os seguidores dele para participarem do desafio do 1%, que consiste em fazer com que 1% das pessoas que seguem Gagliasso, acompanhem também, o trabalho da ativista. Além de falar sobre questões raciais na rede do ator.

  • Luis Lobianco e Damiana Inês, Naomi Savage, Ravena Creole e Sulivã Bispo

Lobianco teve uma ideia um pouco diferente. A cada segunda do mês, um ativista iria ocupar as redes dele para difundir seus trabalhos artísticos e também promover reflexões.

Mas, ao observar os números de comentários e público em lives nos perfis ocupados – tomando como exemplo o de Paulo Gustavo -, nota-se que o engajamento não chega nem perto dos posts criados pelo ator.

E é aí que pode-se levantar o questionamento: essas iniciativas são realmente válidas e com o interesse social de conscientizar os seguidores ou apenas mais uma jogada de marketing pessoal para que brancos fiquem “bem na fita” e negros fiquem coagidos a não reclamar do pouco engajamento? É o questionamento que permanece, por parte diretora e pesquisadora Caroline Meirelles: